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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Uma paz que não é boa.

Sensacional. Emblemática. Destruidora de paradigmas. Não há palavras suficientes para descrever a reta final desta oitava e última temporada de 24, que teve seu cancelamento anunciado pela Fox há um mês, e terá seus últimos dois episódios veiculados nos States na próxima segunda-feira.

Previously...

Vimos que o ex-agente Jack Bauer (Kiefer Sutherland) foi sumariamente puxado de sua aposentadoria para deter uma série de atos terroristas que visavam acabar com o acordo de paz a ser firmado pelos EUA e a fictícia IRK (Islamic Republic of Kamistan), chefiada pelo bondoso Presidente Omar Hassan (Anil Kapoor). Com gente de seu próprio governo conspirando por sua morte, Hassan passou metade da temporada esquivando-se de toda sorte de atentados, sob a guarda incessante da CTU (Counter Terrorist Unit) e de Jack, que usou de sua vasta experiência muito mais para prevenir do que para remediar nestas primeiras 12 horas do dia, o que tornou tímida/lenta/quase parada a narrativa da série na maior parte desta 1ª parte (pré-anunciando uma despedida mediana, diria até melancólica, para o obstinado herói). Porém...

ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER

Aproveitem o papo...enquanto podem.

Episódios 16 e 17 (7:00AM – 8:00AM/8:00AM – 9:00AM)...


Neste fatídico episódio 16, o impensável aconteceu: em um resgate tardio, Omar Hassan é morto pelos terroristas, assinalando a primeira vez – em 8 anos de série – que Jack Bauer falha em sua missão. Com a morte do líder árabe, o que parecia ser o fim do processo de paz ganha uma nova perspectiva com a ascensão de Dalia Hassan (Necar Zadegan), esposa do finado presidente islâmico, à liderança da IRK e, consequentemente, à frente da assinatura do tal tratado. Prestes a encerrar os trabalhos e voltar para casa, Jack novamente é arrastado aos acontecimentos pela troca de ameaças que já é tradicional na estrutura de 24: saem os terroristas árabes, entra Moscou. Temerosos de serem descobertos por uma pequena casualidade, o governo russo (verdadeiro responsável por trás dos acontecimentos do dia, uma vez que o tratado de paz vai de encontro aos seus interesses na região árabe) elimina Reneé Walker (Annie Wersching), colocando Jack em uma cruzada pessoal de vingança. E como desgraça pouca é bobagem...

De luto.

O presidente pródigo...


Com a desculpa oficial do governo russo de não querer assinar um tratado liderado por Dalia Hassan – uma líder ilegítima – entra em cena o único homem capaz de colocar Moscou de volta à mesa: o ex-presidente Charles Logan (o excelente Gregory Itzin), afastado do cenário político americano após as barbaridades da 5ª temporada. Como forma de “retornar ao jogo”, o eterno desafeto de Jack Bauer oferece seus serviços de “consultoria” para a Presidente americana Allison Taylor (Cherry Jones), já instável pelos acontecimentos do dia, guinando a trama para um caminho de dualidade nunca visto antes em 24. Ele traria os russos de volta às negociações de paz, mas por um preço beeeem alto...

Charles Logan manipuland...er, conversando com a Presidente Taylor.

O grande vilão...

Esqueçam Ben Linus, esqueçam o Canceroso, esqueçam Paul Millander, esqueçam The Trinity Killer. Com sua fala mansa e veneno em cada palavra que usa, Charles Logan consolida-se – nesta temporada – como o mais ardiloso vilão da TV de todos os tempos. Ele não apenas utiliza de chantagem e contatos para entrar de cabeça no tratado de paz, como também corrompe a maior defensora do processo: o momento em que Logan coloca as cartas na mesa para a Presidente Allison (até ali, o exemplo máximo de hombridade de toda a história de 24) e a intima a tomar uma decisão que lhe custaria a alma, temos a oportunidade rara – como espectadores – de ver um personagem sendo esmigalhado em seu interior. Itzin e Jones, dois gigantes em cena (vejo Golden Globe vindo aí), resgatando a profundidade das ações que pareciam ter se perdido no início da temporada, mas que retornaram, nas mãos desses dois atores/personagens e nas dos roteiristas (que parecem ter acordado com a corda toda), com maestria narrativa.

E embora Charles se consagre com sua vilania e tenha lavado suas mãos jogando a responsabilidade para cima de Taylor (em mais uma cena nada menos que memorável), engana-se quem pensa que ele é o grande vilão DESTA temporada. Assinado com o sangue de Omar, de Reneé e de outros tantos inocentes, e firmado sob a premissa do abafamento do envolvimento dos russos nos acontecimentos, o tratado de paz torna-se o maior vilão da oitava temporada de 24. As palavras do Secretário de Estado Ethan Kanin“Esta é uma paz que não é boa, Allison.” – ilustram isso da forma mais emblemática possível. Para manter o tratado ativo, Logan é capaz de tudo, e Allison terá de ser como ele. Só tem um pequeno problema...

Isso não vai ficar assim MESMO!

Jack Bauer contra o mundo...

Sendo o único disposto a tornar público o envolvimento do governo russo na morte de Omar Hassan, Jack se vê obrigado a fazer o que faz melhor: ir contra tudo e contra todos. Curiosamente, o ex-agente se vê vítima de seu provérbio predileto: os fins justificam os meios. Ao longo das oito temporadas de 24, Jack Bauer matou e torturou homens e mulheres para proteger seu país, e agora seu governo resolveu aderir ao mesmo lema para manter um tratado de paz que, supostamente, poupará milhões de vidas.

Pô, Chloe! Não faz assim, não...

E no último episódio...

O que foi uma sacada genial dos roteiristas da série serve agora como combustível para proezas e situações de cair o queixo nestas últimas horas do dia. Jack Bauer tornou-se o homem mais procurado da América, mas isso não o detém. Estripar interrogados é tarefa fácil (fica a dica: se for raptado, nunca engula seu chip de celular). Capturar ex-presidentes é como um passeio no parque (a cena na qual Jack aterroriza em um túnel para pegar Charles Logan – referência clara a filmes slashers como “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica” – é absolutamente sensacional). Com um banho de sangue perpetrado por Jack, uma prova da conspiração russa nas mãos de uma jornalista perseguida pelo FBI, e Chloe O’Brian (Mary Lynn Rajskub) caçando o próprio amigo como diretora interina da CTU, 24 caminha para uma despedida a altura do maior seriado de ação de todos os tempos.

Quem viver, verá.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O oitavo dia.

E não há melhor modo de começar o ano no blog do que falando da nova temporada da minha série favorita, que estreou com dois episódios no domingo passado, na Fox gringa, e prosseguiu com outros dois episódios na segunda-feira.

ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER

Neste oitavo dia de 24, a ação ocorre na sede da ONU em Nova York, às vésperas da assinatura de um tratado de paz entre um proeminente país do Oriente Médio (cof, cof, Irã, cof, cof...) e os Estados Unidos. É claro que os caras maus (que ainda não sabemos quem são) não querem que este tratado seja assinado e, para isso, pretendem mandar o presidente do tal país desta para melhor. Só tem um porém: Jack Bauer está na cidade.

Com um plot inicial muito similar ao da 1ª temporada (onde o alvo era o senador David Palmer e Kiefer Sutherland ainda usava luzes nos cabelos), esta nova empreitada inaugura o total desligamento da série do diretor, produtor e grande responsável pelo sucesso da mesma Jon Cassar, que decidiu ir navegar em outros mares. Esta mudança se reflete não apenas no estilo de direção e no roteiro calmo (e quando digo calmo, falo dos padrões de 24, já que a série possui um nível de adrenalina muito além de qualquer outra exibida atualmente), mas também na produção sóbria e no deslocamento da história para Nova York (na temporada anterior era Washington e, antes disso, Los Angeles), o que força uma grande troca de elenco para este novo dia.

Além da mudança de ares para a cidade que nunca dorme, esta temporada de 24 traz uma nova CTU (Counter Terrorist Unit, filial de Nova York), mais limpinha e correta que sua versão californiana, bem como uma gama de novos personagens: do simpático presidente Omar Hassan (interpretado por Anil Kapoor, o "Silvio Santos" de Quem Quer Ser um Milionário), passando pelo diretor da CTU Brian Hastings (que não deu uma dentro até o momento), até o certinho agente Cole Ortiz (interpretado pelo inexpressivo Freddie Prinze Jr.), entre outros. Do time antigo, sobraram a presidente Allison Taylor (interpretada pela excelente Cherry Jones, vencedora do Emmy de 2009 pelo papel), a pau pra toda obra Chloe O’Brian (que só leva bordoada na nova CTU, mas continua com a brutalidade de sempre) e a ex-agente do FBI Renee Walker, que retornou sequelada após os acontecimentos do dia 7. Há também aparições tímidas de Kim Bauer e Ethan Kanin, que devem sumir por completo do restante do dia (ou não, afinal, estamos falando de 24 – a maior caixa de surpresas da TV).

E há também Jack Bauer, com toda a experiência (e paciência) que seus quarenta e tantos anos podem oferecer. Vovô (literalmente), aposentado, e doido pra voltar para Los Angeles com sua família, Jack vê seu prometido sossego indo por água abaixo quando um antigo contato bate na porta do seu quarto de hotel e lhe confidencia, em troca de proteção, a existência de um plano para matar o político árabe. O que era para ser uma simples escolta de um informante até a CTU, torna-se uma brutal perseguição com direito a helicóptero explodindo e machadadas no lombo...e esta foi só a primeira hora do dia.

Embora continue com excelente mira (atirar na correria em um cadeado a 8 metros de distância não é pra qualquer um), Jack agora é um homem cansado, que paga uma boiada para não entrar em uma briga e deixa isso claro nesses quatro primeiros episódios. Ele quer sair logo da CTU, quer pegar o avião para LA e ir jogar dominó na praça, mas as circunstâncias e algumas lições de moral (até de Kim Bauer, que saiu das fraldas ontem) o puxam de volta. A intenção de descanso foi uma introdução bacana para quem já foi torturado por dois anos em uma prisão chinesa, mas espero, de coração, que esta aposta do roteiro na inércia de Jack tenha acabado, já que muita coisa da ação está sendo delegada para o agente Cole (que joga o próprio carro em cima de uma comitiva para evitar um atentado a bomba) e para Renee, que chegou só no quarto episódio e já decepou o dedo de um pobre diabo, referência clara aos tempos em que Jack atirava no joelho de um suspeito só para ter uma informação. Ah, bons tempos.

Tentativas de assassinato, personagens se revelando, uma trama paralela bem meia-boca (o passado suspeito de Dana Walsh, a analista de sistemas da CTU que está sendo tão importante para a história que eu só a citei agora), uma ameaça muito maior do que aparenta, mas isso é 24. A trama já se inverteu (tudo bem, isso acontece a cada minuto da série), Jack parece estar entrando de volta no jogo e, embora o início tenha sido um pouco tímido, muita água há de rolar neste seriado que continua sendo um excelente entretenimento.

E enquanto o domingo (e o episódio 5) não chega, descubra clicando aqui quem você seria em 24. Adivinha o que deu pra mim?

Eu já sabia.=P

segunda-feira, 2 de março de 2009

Muito Antes de 24 Horas.

Texto publicado originalmente em 20 de outubro de 2005 , na coluna Passado a Limpo, do site www.sobrecarga.com.br

A maioria dos adeptos da fórmula de tempo real (na qual cada minuto em tela eqüivale à um minuto na vida real), apresentada na série de TV 24 Horas, devem desconhecer que tal artifício já é utilizado por grandes produções do cinema há muito, muito, muito tempo.

Anos antes de Kiefer Sutherland pensar em nascer, o diretor Fred Zinnemann (responsável por pérolas como A um Passo da Eternidade e O Homem Que Não Vendeu Sua Alma) já utilizava o recurso do tempo real para tecer um dos mais contundentes westerns de todos os tempos.

Em 1952, o filme Matar ou Morrer chegava para fazer história. O projeto contava não apenas com o timbre de Zinnemann, mas também com a estampa de dois dos maiores astros de Hollywood: o galã Gary Cooper, que já estava na sua 53ª primavera, e a belíssima Grace Kelly, que dispensa comentários.

A trama, diferente dos filmes do gênero da época (que apostavam suas fichas em tiroteios coreografados) girava em torno do xerife Will Kane (Cooper), um homem correto e respeitado em sua cidadezinha, que recebe uma carta, no dia de seu casamento, de um bandoleiro que mandara para a prisão tempos atrás. O conteúdo da missiva é direto e sem vaselina: no trem do meio-dia, Frank Miller (Ian MacDonald) e seus comparsas desembarcarão na estação de Hadleyville para matá-lo. Imediatamente, o Xerife Kane estufa o peito, convencido de que finalmente dará a Miller (casualmente ou não, o mesmo nome do criador de Sin City) a lição que ele merece. Bastava apenas reunir um contingente decente junto aos cidadãos e esperar o bando na estação, certo?

Errado!

Deste ponto em diante, cada segundo da película mostra exatamente o oposto do que se convenciona de uma cidade que, até aquele momento, era um exemplo de paz e união: Will começa a ver seu mundo ruir a cada recusa de ajuda que leva, aliados aos pedidos de Amy (Kelly), sua noiva, que roga para que o benfeitor da lei desista da idéia de esperar pelo bando e fuja da cidade o mais rápido possível. Nesta parte da narrativa, o recurso de tempo real funciona como um duelo de nervos: os minutos que passam em closes estratégicos nos relógios de parede, contra a iminência de um duelo que, com certeza, resultará em tragédia.

Além do roteiro bárbaro de Carl Foreman (baseado em estória de John W. Cunningham) e a direção impecável de Zinnemann, a atuação bombástica de Cooper (agraciado com um Oscar pelo trabalho) alavancou a qualidade do filme de tal maneira, que é quase impossível não se identificar com os sentimentos demonstrados por Kane: desde a coragem inabalável de um herói confiante (logo no início do longa), passando pela dúvida entre cumprir seu juramento de manter a lei ou salvar sua pele, até a desolação no final (numa das cenas mais marcantes que já vi) onde Will olha para os lados e não encontra ninguém em quem se apoiar, enquanto o trem das 12 chega ameaçador. Um espetáculo.

Seria sacanagem das piores se eu contasse o que acontece depois disso e privasse os leitores desta coluna de saborearem uma das melhores seqüências já registradas em tela. O resultado disso foram sete indicações ao Oscar, sendo que quatro deles foram abocanhados pelo projeto (o de Melhor Ator para Cooper, Melhor Edição, Melhor Canção Original para High Noon (Do Not Forsake Me, Oh My Darling) e Melhor Trilha Sonora). Curiosamente, o papel de Will Kane havia sido oferecido anteriormente para Gregory Peck, que o recusara por achar a personagem muito similar ao papel que havia feito em O Matador, de 1950. Um daqueles casos em que o produto saiu melhor que a encomenda.

Como se vê, tudo salva-se em Matar ou Morrer, mesmo que alguns avessos de filmes antigos reclamem que o preto e branco é coisa do passado, que o faroeste é um gênero bitolado, ou que os atores assalariados* são uma espécie em extinção. Quando um filme transcende expectativas para figurar no rol dos clássicos, nem o tempo pode lhe ser implacável.

Jack Bauer que o diga...

*: Nos idos de 1950, os grandes estúdios agregavam atores e atrizes da época como assalariados, que recebiam mensalmente mediante contrato de trabalho. Bem diferente de hoje, onde os astros são pagos por trabalho realizado e sem vínculos com as distribuidoras.

***

Dica de filme:

Matar ou Morrer (High Noon)
Diretor: Fred Zinnemann
Elenco: Gary Cooper (Xerife Will Kane), Grace Kelly (Amy Kane), Thomas Mitchell (Jonas Henderson), Lloyd Bridges (Harvey Pell), Katy Jurado (Helen Ramirez), Ian MacDonald (Frank Miller)
Duração: 84 minutos
Gênero: Western
Ano: 1952

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Enquanto isso, em 24...

Presidente Allison Taylor:

- Você se demitiu dos serviços do governo e o Senado acha que você é um agente desertor. Como posso saber a quem você é leal?

Jack Bauer:

- Com todo o respeito, Sra. Presidente, pergunte por aí.

24 - Episódio 7x08 - Day 7: 3:00 PM - 4:00 PM

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Jack is Back!

Não tem pra ninguém! Após um ano de ócio, a Fox americana estreou a tão aguardada 7ª temporada de 24, trazendo o ex-agente especial Jack Bauer para mais um dia infernal. E para deleite dos fãs, o canal pôs na roda não um, mas DOIS episódios de estréia na noite deste último domingo (das 08am às 09am, e das 09am às 10am), e mais DOIS episódios na segunda-feira (das 10am às 11am, e das 11am às 12am).

Antes de continuar, aviso que pode haver alguns SPOILERS no texto abaixo (para quem nunca acompanhou a série), mesmo que eu tente omitir as informações principais o máximo possível.

Dito isso, vamos à sinopse: a CTU foi desativada após denúncias de grupos de Direitos Humanos sobre maus tratos a prisioneiros e métodos não ortodoxos de interrogatórios e investigações (o que nos leva à provável maior mudança desta para as outras temporadas, a ambientação: se antes Jack pipocava pelas ruas sujas e suspeitas de Los Angeles, desta vez ele terá de resolver seus problemas em Washington, às portas da Casa Branca).

Nos minutos iniciais desta nova temporada, vemos um Jack Bauer limpinho e barbeado, sendo indiciado pelo Congresso Americano por abuso, insubordinação, entre outras acusações. Porém, antes que a audiência siga adiante, o FBI requisita o auxílio do ex-operativo da CTU na captura de um terrorista que, para a surpresa de Jack, foi identificado como sendo Tony Almeida, seu melhor amigo, dado como morto na 5ª temporada.

Não devo ter dito nada que os spots de TV e outras mídias já não tenham falado antes da temporada começar: Tony está vivo e aloprando, inclusive jogando vôos domésticos uns contra os outros logo no segundo episódio. No primeiro episódio, ficamos por conta da apresentação de alguns personagens-chave, como a agente do FBI Reneé Walker (incubida de ciceronear Bauer enquanto este auxilia o Bureal), o Diretor-Assistente do FBI Larry Moss (que ganha a antipatia de Jack logo de cara), bem como o núcleo presidencial, composto pela Presidente dos EUA Allison Taylor, seu marido Henry (que suspeita que a morte do filho tenha sido encomendada), e o Chefe de Gabinete Ethan Kanin, estes três últimos com suas atenções divididas entre as ameaças terroristas de Tony e a Guerra Civil em Sangala, país africano cuja liderança foi usurpada pelo General Juma em 24: Redemption. Mas se o circo parece esquentar para essas pessoas, para Jack, porém, a temporada se inicia em marcha mais lenta. Se por um lado o ex-agente está disposto a pagar por suas transgressões à Convenção de Genebra, por outro o vemos ficar bem nervoso ao constatar que o FBI é certinho demais nas suas demandas e, por isso, não produz resultados satisfatórios na caça ao Tony.

Mas isso é apenas o primeiro episódio e teve mais três na sequência. Como qualquer bom fã de 24 sabe, basta apenas um minuto para que tudo vire de ponta cabeça. De um momento para o outro, pessoas que se acreditava serem honestas podem vir a mostrar um lado maligno, bem como vilões iniciais podem acabar salvando o dia. Nos outros episódios, já constatamos que a coisa não é bem assim e aí a coisa pega: a situação de Sangala vira uma batata quente e Jack volta à velha forma, metendo-se em tiroteios, perseguições sorrateiras, troca de sopapos com Tony e, só pra manter o hábito, tornando-se inimigo público Nº 1. Não foram episódios bíblicos como os quatro primeiros da 6ª temporada, mas com certeza esta nova temporada promete.

E essas são as primeiras quatro horas do dia...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

66th Golden Globe - Vencedores.

Ocorreu, na noite de ontem, a festa de premiação do 66º Globo de Ouro, considerado uma prévia do Oscar. A lista dos vencedores, você pode conferir aqui.

Kate com um dos prêmios. Cadê o outro???

Assim como houve muitas surpresas nas indicações, também começamos a mudar nossas apostas para a festa do Oscar. A começar pela consolidação da gracinha Kate Winslet como favorita ao prêmio da Academia, após abocanhar os Globos de Ouro de Melhor Atriz em Filme Dramático (por Revolutionary Road) e Melhor Atriz Coadjuvante (por The Reader).

Mickey Rourke em The Wrestler: tão feio quanto em Sin City.

Seguindo a linha das melhores atuações, temos Mickey Rourke, que voltou dos mortos, deu um reboot na sua carreira com o truculento Marv, de Sin City, e agora leva o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Dramático por The Wrestler (batendo atores de talento como Sean Penn e Brad Pitt). Curiosamente, Rourke já foi lutador de luta-livre (tal qual o personagem).

Why so serious?

A maior barbada cinematográfica da noite, bem como o momento mais esperado, foi a premiação de Melhor Ator Coadjuvante, que foi anunciada e entregue por Demi Moore para Christopher Nolan, que a recebeu em nome do finado Heath Ledger, pelo desempenho magnífico no papel de Coringa em Batman - O Cavaleiro das Trevas. Nada mais justo.

Nem Vicky, nem Cristina: Maria Elena

Outros premiações interessantes na área do cinema deram o ar de suas graças: Danny Boyle, o diretor inglês responsável pelo irretocável Trainspotting, ganhou seu primeiro Globo de Ouro por Slumdog Millionaire, filme que também venceu o prêmio de Melhor Filme Dramático e de Melhor Roteiro, indicando que pode vir a surpreender na noite do Oscar. Vicky Cristina Barcelona, que é um filme agradável de Woody Allen (mas não hilário como muitos outros dele), roubou o prêmio de Melhor Filme Cômico, que - no meu humilde entender - deveria pertencer a Queime Depois de Ler (dos Irmãos Coen), mas fazer o quê, né?

O injustiçado Queime Depois de Ler.

Na área dos seriados (que eu já mencionei em outro texto que é meu motivo principal para ficar de olho no Globo de Ouro), algumas premiações seguiram as tendências do ano passado e outras me deixaram magoado...=P

Comecemos com o prêmio Made for TV mais esperado da noite: Melhor Série Dramática. Não rolou para House M.D., nem para a brilhante Dexter (cuja série vem ganhando um amadurecimento e tanto), a bola da vez é Mad Men, que arrebata o Globo de Ouro pelo segundo ano consecutivo e consolida a série como uma das mais bem-sucedidas da atualidade.

Byrne...
...e Anna.

Como se desgraça pouca fosse bobagem, o Globo de Ouro de Melhor Ator em Série Dramática seguiu um caminho totalmente inusitado, premiando o calejado ator Gabriel Byrne pelo seriado In Treatment (que eu, na minha ignorância, nunca ouvi falar, mas correrei atrás, uma vez que ela concorreu em todas as principais categorias do gênero). Para Melhor Atriz em Série Dramática, a insonsa Anna Paquin levou a melhor pela série vampiresca True Blood. Não, desta eu não vou atrás.

Bom, a minha torcida para meus seriados preferidos foi furada, mas nada que não possa ser resolvido no Globo de Ouro do ano que vem. Por enquanto, fico na expectativa do retorno das temporadas que estavam em andamento e tiveram de parar por causa do recesso de fim de ano, e do início das novas temporadas.

E dentre estas...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

66th Golden Globe - Indicados.

Hoje, os organizadores do 66º Globo de Ouro divulgaram a lista dos indicados ao prêmio para 2009 (que você pode conferir aqui).

Há muitas surpresas (agradáveis, inclusive) nesta lista: embora tenha ficado parado por quase um ano (e preso por algumas vezes), Kiefer Sutherland concorre por 24: Redemption, filme "made for TV" que serve de prequel para a 7ª temporada de 24, a estreiar em janeiro. É claro que as possibilidades são pequenas, principalmente quando há na disputa atores do quilate de Tom Wilkinson, Kevin Spacey e Ralph Fiennes, mas estamos falando de Jack Bauer, porra.

No campo das séries (que, na verdade, é o que mais acompanho nesta premiação, deixando a torcida dos prêmios de cinema para o Oscar), duas das minhas séries prediletas voltam à disputa: House M.D., cuja 4ª temporada superou expectativas com dois episódios finais que ficarão incrustados na memória, tem sua indicação como Melhor Série Dramática, bem como a de Melhor Ator de Série Dramática para Hugh Laurie (mais uma vez). Dexter (série sobre a qual ainda escreverei neste blog), que está encerrando sua 3ª temporada e vem ficando cada vez melhor, também concorre nas duas categorias, com Michael C. Hall no papel-título.

Acredito que os azarões (aquelas indicações que ninguém esperava) ficaram por conta do filme Trovão Tropical, que emplacou duas indicações de Melhor Ator Coadjuvante: Robert Downey Jr., que está impagável no papel de Kirk Lazarus (um ator shakespereano visivelmente inspirado em Russel Crowe e que vê no papel de um soldado negro o desafio de sua carreira) e Tom Cruise (?), que até está bem no papel do tosco Les Grossman, o mega-empresário que fala palavrão pelos cotovelos e que deixou o astro de Top Gun irreconhecível.

Enfim, fazia tempos que o Golden Globe não me empolgava tanto. E há um motivo especial neste ano: para 99% das pessoas que assistiram Batman - Cavaleiro das Trevas, era claro como água que a atuação de Heath Ledger como o Coringa abriria um precedente na história cinematográfica, e esta indicação de Melhor Ator Coadjuvante (considerada como favorita) confirma isso. Não é exagero dizer que a indicação para o Oscar é apenas uma questão de tempo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Previously on 24...

06 de Novembro de 2001...

O senador da Califórnia David Palmer liderava as pesquisas na corrida à Casa Branca, transformando-se no primeiro homem negro com chances reais de eleger-se presidente dos Estados Unidos. Além da esperança de mudança, o político também instigava a oposição de certos grupos e um deles, mais extremista, resolveu engendrar uma tentativa de assassinato ao candidato.

Este foi o plot do episódio-piloto da série 24 Horas, que trouxe o ator Kiefer Sutherland como Jack Bauer, o encarregado da CTU (Counter Terrorist Unit) que passa as piores 24 horas de sua vida. Com o formato Real Time (cada minuto em tela equivale a um minuto na vida real) e um recém interesse mundial pelo tema do terrorismo (o ataque ao WTC em setembro do mesmo ano), o seriado conquistou uma audiência absurda e sucesso de crítica e público ao mostrar as peripécias de Bauer para proteger o senador, resgatar sua própria família sequestrada e descobrir um suposto traidor dentro da CTU. Tudo ao mesmo tempo.

Lá por 2006, eu já estava careca de ouvir falar sobre 24 Horas (que já estava na 5ª Temporada). Como a série aborda os acontecimentos de um dia em uma temporada inteira (24 episódios de 1 hora cada, sendo 44 minutos de história mostrada e 16 minutos de comerciais – provavelmente usados para os personagens irem ao banheiro, comerem, trocarem de roupa, etc...), muita gente tinha que esperar uma semana ou mais pelo próximo episódio para acompanhar o desenrolar da trama sem chupar bala. Diferente da grande maioria dos seriados, onde há laços entre os episódios, mas cada episódio é uma história fechada. Resumindo, 24 tinha um formato que eu abominava só de pensar e nunca me despertou interesse...até um colega de trabalho me emprestar o box da 1ª Temporada.

O estrago estava feito. Além de descobrir que a melhor forma de assistir a uma série é em DVD (onde podemos ver vários episódios seguidos), fui atingido por uma maratona de 24 Horas: devo ter visto toda a temporada em 4 dias úteis, e queria mais. A narrativa não era só sequencial, mas envolvente de uma maneira que me fazia começar outro episódio quase que automaticamente. Roteiros com reviravoltas, tensões (com garantia de surpresas a cada 5 minutos), ação e uma produção de longa-metragem garantiram minha fidelização.

A evolução dos personagens e a periculosidade de seus trabalhos também são abordados de uma maneira incisiva e diferente de qualquer outra série: como toda a história se passa em apenas um dia, personagens realmente importantes podem aparecer em dois ou três episódios e só retornarem em outra temporada. Como a maior parte dos personagens-chave normalmente estão em situações de perigo ou na linha de frente, não é raro algum (ns) deles morrer (em). Também é comum alguém entrar na trama como um suposto vilão e salvar o momento, bem como alguns personagens que temos certeza absoluta de que são confiáveis mostrarem-se os piores dos vilões.

Outras qualidades que fizeram de 24 Horas um fenômeno também me cativaram. A edição, sempre vertiginosa (com telas divididas, ações acompanhadas por várias câmeras ao mesmo tempo e a presença de um relógio digital no meio da tela, que nos lembra da urgência dos personagens de resolver um impasse ou descobrir algo “antes que o gás seja lançado”), mostrava os acontecimentos envolvendo Jack, paralelamente aos acontecimentos relativos à CTU e ao Alto-Escalão do Governo, possibilitando a cobertura do espectador em todos os ângulos. A trilha sonora mais que perfeita de Sean Callery também é ponto a favor, dando ênfase às (inúmeras) reviravoltas já citadas.

Mas é possível que a maior arma da série seja seu protagonista. Jack Bauer não é exatamente um agente comum. Dotado de treinamento de combate, perspicácia e uma boa dose de crueldade (o que se descobre no andamento da carruagem), Jack é capaz de fazer QUALQUER COISA para garantir a segurança nacional. Embora inicie a 1ª Temporada como Diretor da CTU, não demora muito para que Jack quebre um milhão de protocolos para fazer o que deve ser feito. Mesmo que, para isso, tenha que se voltar contra sua própria agência, seus amigos, ou o próprio Governo Americano (sim, parece discrepante que, para defender o país, um agente federal deva desobedecer o Governo, mas estamos falando de Jack Bauer, porra).

Enfim, mesmo com os altos e baixos que pulularam pelo seriado (a 6ª e última temporada, por exemplo, iniciou magistralmente bem e terminou magistralmente mal), 24 Horas segue firme e sem perspectiva de cancelamento. Graças à greve dos roteiristas (é nóis, mano=P), a 7ª Temporada foi adiada por um ano, mas janeiro está logo aí e fico na torcida de que todas essa pérolas que fizeram de 24 Horas a minha série favorita continuem presentes.

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05 de Novembro de 2008...

O senador de Illinois Barack Obama consagra-se como o primeiro homem negro a vencer a eleição para a presidência dos Estados Unidos. Embora possua grande carisma e já tenha demonstrado liderança no Senado Americano, Obama (cujo nome lembra Osama), possui um “Hussein” no sobrenome (seu nome completo é Barack Hussein Obama II) e é negro (nada contra, só para enfatizar). Para um homem com essas peculiaridades vencer uma eleição num país que sempre foi marcado pelo conservadorismo e racismo, das duas uma: ou o parágrafo do discurso da vitória abaixo (proferido hoje em Chicago) faz muito sentido...

“Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.”

...ou os americanos se deram conta de que fizeram uma merda tão grande, tão grande, mas tão grande nas últimas duas eleições que resolveram não arriscar.

Pessoalmente, voto na segunda (mesmo que os estadunidenses nunca admitam).