Mostrando postagens com marcador Gostou? Foi eu que fiz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gostou? Foi eu que fiz. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Assista OS BATEDORES aqui!

Depois de toda a correria que os leitores mais antigos acompanharam aqui no S666P, o curta-metragem Os Batedores (do qual sou roteirista e produtor) finalmente está disponível on line, em HD, no Vímeo.

Para conferir a história de Raul, um habilidoso batedor de carteiras que terá de suar a camisa para pagar uma grande dívida para um chefão do crime até o final do dia, basta conferir abaixo. Enjoy!


Os Batedores from Lumiere on Vimeo.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Entre golpes e sutilezas.

Texto publicado originalmente em 31 de março de 2005, no site www.sobrecarga.com.br

Após três anos de espera, finalmente consegui colocar os olhos em
Herói, filme dirigido por Zhang Yimou (O Caminho Para Casa) e protagonizado pelo sempre caris
mático e igualmente veloz Jet Li (O Confronto).

O longa teve sua estréia no oriente em 2002 (chegou a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro na época) e, não fossem por Quentin Tarantino (o diretor de Pulp Fiction que fez a cabeça dos chefões da distribuidora Miramax para lançar Herói no ocidente), continuaria por lá mesmo (o trato foi simples: Tarantino emprestaria seu bom nome para fazer a chamada do filme). Demorou exatos dois anos para que Herói chegasse aos Estados Unidos, e mais um para que aportasse por aqui.

Toda esta espera acabou valendo a pena, tanto para a Miramax, quanto para os afortunados (como eu), que puderam conferir o épico chinês que conta como o guerreiro Sem Nome (Jet Li) derrotou sozinho os três espadachins mais poderosos de seu tempo, para garantir a integridade física do soberano Qin (Daoming Chen), senhor da província do norte, no tempo em que a China era dividida em sete territórios.

Simples como andar de bicicleta, esta introdução é apenas o rufar de tambores para o grande espetáculo, narrado através da direção serena de Yimou, da fotografia espetacular de Christopher Doyle (O Americano Tranqüilo) e, claro, das cenas de lutas (de deixar “Tigres” e “Dragões” roxos de vergonha) que tomam o status de coadjuvantes de luxo, dando a bola da vez para o roteiro de poucas palavras e sutilezas quase subliminares, que nos mostra que nem tudo é o que parece ser e toda história tem mais de uma perspectiva.

Para enfatizar este recurso da história (comparado ao filme Rashomon do diretor Akira Kurosawa, onde há várias versões para um assassinato, até a do morto), as cores de cenário e figurino mudam conforme os flashbacks, sublinhando as facetas da narrativa com significados obscuros e óbvios ao mesmo tempo: azul para amor e esperança, verde para juventude, branco para verdade e preto caracterizando a morte, sempre. Até o vermelho, usado inicialmente, denota claramente paixão e traição, como se o próprio semblante dos protagonistas fosse dotado de lascívia nesta parte da narrativa. Não só o imperador Qin, como o mais arguto dos espectadores notarão que há algo que não cheira bem ali.

Como se não bastasse, há que se tirar o chapéu para o elenco afiado. O ator Tony Leung, que fazia parceria com o diretor Jonh Woo quando este ainda tinha suas origens nos filmes de máfia chinesa, mostra a que veio, emprestando uma atuação sublime ao guerreiro Espada Quebrada e sua parceira de cena (Maggie Cheung, como a explosiva Neve Que Voa) também não deixa por menos. Uma pena que a bela Zhang Ziyi apenas tenha reprisado seu papel de aprendiz temperamental (idêntico ao feito anteriormente no filme O Tigre e o Dragão do diretor Ang Lee), mas isso deve mudar com o vindouro O Clã das Adagas Voadoras, onde a moça entra na pele de uma guerreira cega e tinhosa. E, por último, mas não menos importante, tem Jet Li, que sempre paga o filme.

Se todos estes predicados não forem suficientes para que você saia voando para o cinema mais próximo, então resta dizer que o filme de Yimou tem todas as chances de figurar na prateleira de obras primas num futuro próximo, e que suas cenas imbatíveis provavelmente perderão metade da graça em uma tela que seja menor que 3 metros.

***

Dica de filme:

Herói (Ying Xiong)
Diretor: Zhang Yimou
Elenco: Jet Li (Sem Nome), Tony Leung (Espada Quebrada), Maggie Cheung (Neve Que Voa), Daoming Chen (Qin), Zhang Ziyi (Lua)
Duração: 96 minutos
Gênero: Ação
Ano: 2002

O reassisti na sexta passada. É impressionante como este filme não envelhece: continua belíssimo como imagem, e como história.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Curta "João Ninguém" no Cine Terror na Praia 2010.

Esta é pra quem estiver em Guarapari/ES, ou imediações: o curta-metragem João Ninguém (produção e roteiro de minha pessoa) figura na mostra Estranho Sul do Cine Terror na Praia 2010 (onde será exibido uma coletânea das produções mais sinistras e obscuras do sul brasileiro).

Ficou curioso, né? Pra quem não sabe, o filme foi finalizado em 2003, concorrendo em diversos festivais e mostras de lá pra cá (Santa Maria Vídeo e Cinema, Gramado CineVídeo, RioFan, entre outros). Você pode conferir o primeiro grande curta-metragem da Arquivo Morto (que está em duas partes no YT) clicando aí:

Parte 1
Parte 2

O evento ocorre nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro, e a programação da mostra capixaba de cinema fantástico você pode conferir logo abaixo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A Ira de Deus.

Seguindo a trilogia de vídeos editados por mim (e iniciada aqui), segue abaixo o segundo clip-compilação das melhores cenas dos filmes Lone Wolf & Cub: Baby Cart to Hades e Lone Wolf & Cub: Baby Cart in Peril, dos diretores Kenji Misumi e Buichi Saito, ambos de 1972.



A música é nada menos que Dies Irae, do Requiém de Mozart. Confesso que as cenas destes filmes do Lobo Solitário são prato cheio para pontuar esta missa fúnebre que acabou se tornando uma das mais importantes e contundentes pérolas da música clássica de todos os tempos.

Para fechar os seis filmes, preciso de sugestões para a música do último clip. Sintam o clima. Opinem. Sugestões e críticas são bem-vindas.

Agradecimentos à Grazi Bianchi pela belíssima sugestão desta ópera.;-)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Dias de vingança.

Para quem costuma dar aquela passadinha por este blog, segue meu primeiro "trabalhinho" de edição.



Trata-se de um clip com as melhores cenas dos filmes e Lone Wolf & Cub: Sword of Vengeance e Lone Wolf & Cub: Baby Cart at the River Styx (ambos citados anteriormente aqui), montadas em cima da música Days of Revenge, da banda Ramallah.

Um pequeno exercício só pra ver qualéquié (se levo jeito pra coisa ou se continuo ganhando a vida como cantor de chuveiro). Como faltam dois clipes para completar a trilogia dos 6 filmes, dicas de músicas para os próximos vídeos (que combinem com esse clima de massacre) serão bem-vindas.

Enjoy.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Motivacional da Semana.


OBS: Nada mais justo do que começar esta sessão no blog com nosso saudoso Marcião (João França), o perigoso travesti agiota do curta-metragem Os Batedores.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fim de semestre.

Pra muita gente, fim de semestre é sinônimo de pernas pra todo lado (ao contrário do que pensam alguns dos psicopatas que acompanham este blog, não é no sentido membros inferiores decepados espalhados pelos cantos). Prazos e mais prazos da facul. Eventos. Chegadas de pessoas e de estação. O dia só tem 24 horas e, mesmo se tivesse 36, seria curto para tanto a fazer.

Como se não bastasse a urgência de tudo e a abstração de pôr isso num blog (que, em tese, me come tempo e não me acrescenta em nada), uma forte gripe tem me assombrado as narinas. Não é raro ter de sair no meio de uma aula - ou mesmo de uma conversa - para soar o nariz escondido no banheiro, como se isso fosse um ato criminoso e/ou vergonhoso. Cuspir na frente dos outros então, nem pensar. Te olham com aquela carinha de nojo, como se escarrar fosse tão feio quanto bater na própria mãe.

Um dia entenderei esses humanos.

Enquanto isso não acontece, me protejo do frio como posso e vejo outras pessoas fazerem o mesmo. Não sou ligado em estações do ano (quando elas vêm, quando elas vão), mas fiquei sabendo que o inverno nem chegou ainda e já enfrentamos frios de quase 0º aqui em Porto Alegre (uma cidade que tem as quatro estações do ano num único dia). Os ônibus, então, são um desfile de modelitos dos mais ecléticos: da menina do Direito com seu cachecol peludo e casaco de couro liso, ao afegão com uma parka que dói nos olhos. Nada contra quem usa parka. Eu tenho uma, bem guardadinha no meu guarda-roupa para o dia em que Ace Of Base voltar às paradas de sucesso (para os mais velhuscos aí, segue um velho hit da banda sueca - se prestarem atenção na letra, vão constatar que o Sr. Ácido era um dos compositores).

The Sign (Ace of Base)

Shock!

I gotta new life
You would hardly recognize me I'm so glad
How could a person like me care for you
Why do I bother
When you're not the one for me
Oooo, is enough, enough

I saw the sign and it opened up my eyes I sae the sign
Life is demanding without understanding
I saw the sign and it opened up my eyes I saw the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong
But where do you belong

Under the pale moon
For so many years I've wondered who you are
How can a person like you bring me joy
Under the pale moon
Where I see a lot of stars
Is enough, enough

I saw the sign...

I saw the sign and it opened up my mind
And I am happy now living without you
I've left you, ooohhh
I saw the sign and it opened up my eyes I sae the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong

I saw the sign - I saw the sign - I saw the sign



Além dos ônibus que tenho de pegar, dos trabalhos de facul que tenho de entregar (os quais eu deveria estar digitando neste exato momento) e textos para estudar (os quais eu deveria estar lendo neste exato momento), tenho a proveitosa tarefa de divulgar o lançamento do mais novo curta-metragem da Arquivo Morto: Os Batedores, finalmente, está terminado, e o produto final ficou muito, muito, muito bacana. Sou suspeito, claro, mas se quiseres ver para crer, vamos exibir o treco com entrada franca no dia 26/06, às 21:30h, no CineBancários (uma sala de cinema muito charmosa, que pouca gente conhece, na Rua da Ladeira). Já que (ainda) não sei como mandar Spam via Scrap no Orkut, passei a manhã toda copiando e colando o flyer-convite (logo abaixo) nos Scrapbooks alheios.

Quero todos lá!

Merchandising à parte, embora amanhã passe o Dia dos Namorados sozinho, essa situação se resolve na semana que vem, quando devo me preparar para o retorno da minha namorada, que passou um bom tempo em Barcelona (5 meses). Nem preciso dizer que esse semestre demorou pra passar, certo? Também nem preciso dizer que estarei incomunicável pelos próximos três fins de semana, certo? Bom, se sentirem a terra tremer, as estrelas faiscarem ou escutarem os golfinhos cantando alguma música ao estilo Mariachi no dia 20/06, tentem não dar muita bola pra isso e sigam suas vidas com aquela pontinha de inveja, certo?=P

O lado bom de toda essa correria (facul, trabalho, projetos, namoro, amigos, filhos, mais projetos...), é que, ao terminar este semestre, terei uma pseudofolga de um mês da PUCRS (terei mais de 4 horas/dia de sono, eba!), a oportunidade de colher as críticas (e elogios, espero eu) do meu trabalho em Os Batedores, minha namorada de volta pra poder fazer carinho, abraçar, beijar...e etc, novos desafios cinematográficos, o retorno das séries que acompanho, novas disciplinas e colegas na facul...

...e a oportunidade de correr tudo de novo.;-)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Updates...de hoje.

Hoje foi um dia atípico: pra começar de bem com a vida, nada melhor que uma prova de Administração de Serviços com mais de 6 ppts pra estudar (com uma média de 20 slides por Power Point). É claro que era moleza e é claro que não respondi a última questão (mantendo meu status de "aluno objetivo", que só escreve se for pra responder, nunca pra encher linguiça).

Na busca de ingredientes para um fricassé, uma idéia: e se eu substituir algumas coisas da receita e criar algo diferente? Anota aí: 27 de abril de 2009, dia do nascimento do Fricassé Verde. Mais uma alternativa de cores para minha paleta culinária (a primeira foi a Costela Negra) e, desta vez, usando salsas, creme de ervilha e as milagrosas alcaparras, indicadas para peixes e para aves, mas nunca para...

Suínos. Como pode um animalzinho tão rosado e tão porco estar matando dezenas de mexicanos e deixando todo o planeta em alerta máximo? Além do nascimento de um novo manjar, este dia marca a entrada da Gripe Suína na Europa, mais precisamente na Espanha. Como a mulher que eu amo está fazendo Doutorado em Barcelona, é óbvio que o paranóico aqui ligou pra saber se as pessoas já não estavam caindo pelas ruas por lá. Sabe como é, a Gripe Aviária dizimou uma penca de orientais lá por 2004 e eu não estava nem aí, mas é só alguém importante pra gente estar supostamente na linha de frente pra logo apertarmos o fiofó. Resumo da ópera: ao que tudo indica, este caso e outros suspeitos pela Europa já estão isolados. Aguardemos notícias...

O áudio da programação de TV que monitoro resolveu cair de vez. Fora a fase dos telefonemas de reclamações e tentativas de conserto (ineficazes), o silêncio impera aqui. Neste momento, está no ar o programa Democracia, e tem cinco pessoas debatendo naquela mesa. Todas mudas.

Por último, e menos importante, hoje me tornei o mais novo corpinho do Twitter. Já que até o Obama tem um, porque eu iria ficar de fora, certo? O pior é que o Twitter é notoriamente imbecil (conforme prega, acertadamente, o vídeo abaixo), então porque diabos acabei aderindo?



Talvez seja porque, mesmo não tendo utilidade alguma, este treco virou hit no mundo virtual; mais ou menos como outra ferramenta da internet que chegou chegando e acabou fazendo parte da vida de (quase) todo mundo que conheço, há uns 4 anos atrás.

Quem gritou Orkut aí, que venha pegar seu brinde.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Dança da Morte.

Texto publicado originalmente em 05 de dezembro de 2005 , na coluna Passado a Limpo, do site www.sobrecarga.com.br

Provavelmente, grande parte dos leitores desta coluna – os que são fãs do
chamado western spaghetti, principalmente – já deve saber com qual filme fecharei esta trindade do bang-bang, iniciada há dois textos atrás.

O filme Era Uma Vez no Oeste, do diretor Sergio Leone, não é somente o melhor filme de faroeste já rodado: ele é considerado, por muitos críticos, como uma das maiores experiências já realizadas no cinema.

Os nomes que trabalharam para esse feito são alguns dos motivos que fizeram desse longa um espécime único, imortal. A começar pelo próprio Leone, cujo nome já era grande conhecido na caracterização do Oeste Selvagem com a famosa "trilogia dos dólares" (Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, todos protagonizados por Clint Eastwood). O diretor era muito conhecido também por conciliar tomadas longas, close-ups desconcertantes e impressionante fotografia (assinada nesse filme por Tonino Delli Colli), aliado à habilidade de direção de atores que poucos possuem. Tudo com maestria indiscutível.

Todos esses predicados, juntamente com um elenco e roteiro perfeitos (esse último baseado em história escrita por Leone, Bernardo Bertolucci e o mestre do horror Dario Argento), foram o suficiente para imortalizar essa pérola da ganância, do cinismo, da corrupção e, principalmente, da vingança. É a história de Jill McBain (Claudia Cardinale, belíssima), uma viúva que de donzela não tem nada, disposta a copular com o assassino do marido somente para livrar a própria pele. É a história de Frank (Henry Fonda), o sujeito mais cruel que já pisou no Oeste, um homem que não titubeia em matar uma criança à queima-roupa por pura maldade. É a história de ”Harmônica” (o saudoso Charles Bronson), um pistoleiro sem nome e de passado obscuro, capaz de matar três homens em frações de segundo. É a história de Morton (Gabriele Ferzetti), um inescrupuloso barão dos trilhos que não mede esforços (nem dinheiro) para alcançar seus objetivos. Não é de admirar que, em um universo habitado pelos piores tipos, os bons morram como moscas, e a personagem menos desprezível seja justamente o foragido Cheyenne (o carismático Jason Robards), um ladrão e assassino com a cabeça a prêmio.

As voltas da ampliação da malha ferroviária nos Estados Unidos do século 19, Bret McBain (dono das terras por onde deve passar uma das rotas da estrada de ferro) e sua família são brutalmente assassinados. Jill, uma prostituta de New Orleans que casara com McBain em segredo, herda as tais terras e, com elas, essa herança sanguinária, característica da própria história americana – como visto nos outros dois filmes que o diretor fez para “homenagear” a América (Era Uma Vez no Oeste constitui essa trilogia, ao lado de Quando Explode a Vingança e Era Uma Vez na América). A mulher, ameaçada pelo assassino dos McBain, recebe a improvável proteção de um misterioso e habilidoso pistoleiro (que toca uma gaita de boca como um prenúncio de morte e, por isso, leva o nome de “Harmônica” ou – como em alguns DVDs – “Gaita”), e a ajuda de um criminoso conhecido (Cheyenne), acusado erroneamente pelas mortes.

Entre as tomadas longas já citadas (explorando a fotografia árida) e as cenas de tiroteio impressionantes, os diálogos disparam chispas para todo lado, fazendo uma menção clara ao pessimismo que aflige a sociedade, inclusive nos dias atuais, o que faz desse filme um espécime atemporal (em certa cena, Cheyenne menciona a Harmônica que existem “fariseus” em qualquer época). Essa característica negativa era uma marca forte de Leone, que fazia questão de bradar aos quatro ventos que o projeto era como uma dança da morte, onde todas as personagens, com exceção de Jill, têm plena consciência de que não chegarão vivos até o final da película.

Spoiler? De jeito nenhum. O que importa é como isso é orquestrado ao longo dos 166 minutos; é como a narrativa parte de um trio de mal-encarados esperando um trem (numa das entradas de filme mais longas e clássicas de todos os tempos, quase 14 minutos) e como ela chega a um desfecho magistral, onde dois homens, de olhos sombrios como a morte e gatilhos rápidos como um raio, se enfrentam no duelo mais espetacular já filmado, ao som da trilha arrepiante do mestre Ennio Morricone (colaborador-mor de Leone e responsável por outras trilhas cruciais, como a de Os Intocáveis, por exemplo). Uma ode à vingança.

Em uma dessas curiosidades insanas, esse filme não levou sequer uma indicação ao Oscar, o que nos leva a constatar, mais uma vez, que a Academia não entende muito de obras de arte. Mesmo que Henry Fonda esteja sublime no único papel de vilão de sua vida (bem como todo o elenco), ou que a direção, a montagem e a fotografia tenham sido perfeccionistas e vicerais, ou mesmo que a trilha sonora seja um achado.

É uma pena que grande parte das pessoas que fizeram de Era Uma Vez o Oeste uma obra-prima não esteja mais entre nós. Gente talentosa, que nos mostrou como o cinema vai além de meras imagens e meia dúzia de frases feitas e como se faz um filme de verdade, baseado em talento e dedicação. Um brinde a Sergio Leone.

Aqui fecho a Santíssima Trindade do Western, com a sensação de dever cumprido ao apresentar esses espécimes raros, principalmente, a esta nova geração de amantes do cinema, que devem descobrir que filmes bons, assim como fariseus, existem em qualquer gênero, em qualquer época.

***

Dica de filme:

Era Uma Vez no Oeste (C'era una Volta il West)
Diretor: Sergio Leone
Elenco: Jill (Claudia Cardinale), Frank (Henry Fonda), Cheyenne (Jason Robards), Harmônica (Charles Bronson), Morton (Gabriele Ferzetti)

Duração: 166 minutos
Gênero: Western
Ano: 1969

quinta-feira, 26 de março de 2009

O que chega com a tempestade.

Texto publicado originalmente em 17 de novembro de 2005 , na coluna Passado a Limpo, do site www.sobrecarga.com.br

Àqueles que não gostaram do gênero debatido no último texto publicado nesta coluna, sugiro que sigam para uma outra parte do site de sua preferência, pois pretendo, nas próximas linhas, abordar o segundo filme de uma leva que considero a “Santíssima Trindade” do western no cinema.

Diferente do que fiz com Matar ou Morrer no texto anterior, não precisei atravessar meio século para encontrar o próximo faroeste cuja estrutura de narrativa, sinopse, direção, atuações e roteiro me deixassem de queixo caído. Esse espécime surpreendeu em plenos anos 90.

Bingo para quem lembrou de Os Imperdoáveis, a obra prima que marcou o retorno triunfal da lenda viva Clint Eastwood ao gênero que o consagrou como ator nos anos 60 e 70.

É sabido que Eastwood não fez seu grande nome somente entre tiros e cavalos. Desde 1971 que o septagenário cineasta se aventura por trás das câmeras em dramas contundentes e aventuras contemporâneas. Com o passar dos anos e somando experiência a cada filme que dirigiu, Clint deixou o estereótipo do pistoleiro durão para trás e passou a comandar seus projetos dramáticos com a tranqüilidade e a sutileza de um grande diretor.

Curiosamente, é aí que começa a história de
Os Imperdoáveis: Will Munny (Clint) deixou para trás a vida de pistoleiro durão e cruel (o paralelo com a própria história do ator é
inevitável) e resolveu tocar uma fazenda no Kansas com a ajuda dos filhos pequenos. Ao contrário de Clint, o fazendeiro está com os bolsos vazios e, como desgraça pouca é bobagem, sua criação de porcos (único sustento da família) está adoecendo. Como que mandado pelos céus (ou pelo próprio Capeta), surge o jovem Schofield Kid (Jaimz Woolvett) e faz uma proposta a Will: uma recompensa de 1000 US$ dividido aos dois se o matador aposentado acompanhá-lo no encalço de dois vaqueiros que retalharam o rosto de uma prostituta na longínqua cidade de Big Whiskey.

Deste jeito, como se o passado de Munny batesse a sua porta, o protagonista tem o seguinte dilema nas mãos: ou volta a matar por dinheiro uma última vez, ou morre de fome. Não demora muito para vermos Will, Ned Logan (seu antigo parceiro, interpretado por Morgan Freeman) e Kid seguindo em direção à Big Whiskey, o lar dos tais vaqueiros, das prostitutas que colocaram as cabeças desses a prêmio e do violento xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman), que não está gostando nadinha desta história, uma vez que a tal recompensa promete trazer um banho de sangue ao seu distrito.

Enquanto o trio se aproxima da cidade junto com uma carregada nuvem, outros pistoleiros chegam no lugar, atraídos pelos 1000 dólares. Dentre eles, está o famigerado Bob, o Inglês (o finado Richard Harris), um matador cuja adoração pela Rainha da Inglaterra é proporcional à sua mira.

Não demora muito para que o circo pegue fogo, pois mais do que fama ou fortuna, é um duelo de egos que está vigorando: o ex-bandido bêbado e sanguinário que se vê cada vez mais perto de seu passado aterrador, os matadores calejados que buscam a recompensa, as meretrizes com sede de vingança, o xerife que protege a cidade com uma justiça duvidosa, tudo entorna em uma fatídica e arrepiante cena final, coroada com uma tempestade que profetiza um verdadeiro massacre.

Indicado em 9 categorias e recompensado com 4 Oscars em 93 (Melhor Filme, Melhor Direção para Eastwood, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Montagem), o projeto marca a primeira parceria de Clint e Freeman nas telas, mostrando uma química difícil de se ver por aí e reprisada recentemente no ótimo Menina de Ouro. Vale a pena enumerar também a atuação impecável de Gene Hackman, que empresta frieza e sarcasmo à Little Bill (e fora agraciado com um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por isso). Num desses acasos da vida, Hackman havia recusado o papel do xerife, voltando atrás da escolha somente por muita insistência de Clint (que também é o produtor do longa), que fazia questão de tê-lo no páreo.
Consagração merecida, também, ao eterno Clint, que levou sua primeira estatueta de melhor diretor, consolidando a qualidade desse cineasta nos dois lados da câmera. Duas outras indicações nesta categoria vieram a seguir nos filmes Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro, sendo que o diretor arrebatou o segundo Oscar neste último.

Nota-se, então, que Os Imperdoáveis pode ser considerado um grande marco. É um dos meus filmes favoritos e top three, para mim, no gênero western maduro, de conteúdo. Poderia enumerar uns dez filmes chamados “mais clássicos” nessa categoria, mas quantos deles nos fazem pensar?

Aguardem o próximo texto, que fechará esta trilogia do bang-bang, julgo eu, com chave de ouro. Para os mais curiosos, apenas uma dica:

Harmônica...


***

Dica de filme:

Os Imperdoáveis (Unforgiven)
Diretor: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood (Will Munny), Gene Hackmann (Little Bill Daggett), Morgan Freeman (Ned Logan), Jaimz Woolvett (Scholfield Kid), Richard Harris (Bob, o Inglês)

Duração: 131 minutos

Gênero: Western

Ano: 1992