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segunda-feira, 5 de março de 2012

FLAMENCOOOOOOO...


Dia desses estava me lembrando da triste história da mulher que odiava flamenco. Sim, aquele ritmo espanhol de vestidos esvoaçantes facilmente confundido com certo time de futebol. Ela odiava a dança e o que, segundo ela, o flamenco representava; tudo de sujo, promíscuo e perverso que pulula pela vida tinha um quê de flamenco, ou - ainda sob a ótica da moça - o flamenco tinha um quê de tudo isso.


Curiosamente, o assunto surgiu no bar porque a tal mulher, por trollagem do destino ou não, lembrava muito uma dançarina de flamenco. Lembrava não: era uma flamenqueira cuspida e escarrada, como se o próprio espírito do flamenco tivesse baixado entre nós. Cabelos negros presos, um rosto descaradamente espanhol e corpo de dançarina. Tinha quem jurasse de pés juntos que ela tinha nascido com castanholas nas mãos, mas não tenho certeza de que isso seja verdade. O fato é que um dos amigos resolveu comentar que a dita cuja era igualzinha a uma dançarina de flamenco e isso esquentou os ânimos.


- Eu odeio flamenco!


- Mas por que? Tu é tão parecida com uma dançarina de flamenco.


- Detesto esta dança, detesto flamenco!


- Não entendo, o flamenco é uma dança tão bonita.


- Eu tenho traumas. Flamenco é uma coisa horrível.


- Mas por que?


- Porque sim! Pára de falar sobre isso!


- Tudo bem, eu paro...mas que tu tens uma carinha de flamenco, tu tens.


- Não diga isso! Pare de falar de flamenco, pare de falar de flamenco.


- Eu...eu...eu não consigo. Flamenco! Flamenco!


- Pára!


- FLAMENCOOOOOOO...


De um lado, a mulher que tinha ódio mortal pelo flamenco gritava com as mãos nos ouvidos; do outro, este amigo que não conseguia parar de falar "FLAMENCOOOOOOO...", entre um gole e outro de cerveja. Não demorou muito para que ela saísse do bar alucinada, sem explicar para ninguém porque o flamenco é tão diabólico. Depois daquela noite, a mulher nunca mais foi vista e, umas duas semanas depois, alguém se jogou de um prédio próximo ao bar.


Não sei se era ela, só mencionei isso para dar um suspense.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Da série "Diálogos Memoráveis" (2)...


Sean Garrity:

- Tom, posso te pedir uma opinião?

Tommy Gavin:

- O que foi?

Sean (mostrando o calendário dos bombeiros):

- As garotas vão gostar dessa foto, ou pareço um idiota?

Tom:

- Não, pelo contrário.

Sean:

- Sério?

Tom:

- É, parece o Marlboro Man.

Sean:

- Verdade?

Tom:

- Sim, se o Marlboro Man fumasse pirocas ao invés de cigarros.

Rescue Me - Episódio 1x11 - Mom

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Uma paz que não é boa.

Sensacional. Emblemática. Destruidora de paradigmas. Não há palavras suficientes para descrever a reta final desta oitava e última temporada de 24, que teve seu cancelamento anunciado pela Fox há um mês, e terá seus últimos dois episódios veiculados nos States na próxima segunda-feira.

Previously...

Vimos que o ex-agente Jack Bauer (Kiefer Sutherland) foi sumariamente puxado de sua aposentadoria para deter uma série de atos terroristas que visavam acabar com o acordo de paz a ser firmado pelos EUA e a fictícia IRK (Islamic Republic of Kamistan), chefiada pelo bondoso Presidente Omar Hassan (Anil Kapoor). Com gente de seu próprio governo conspirando por sua morte, Hassan passou metade da temporada esquivando-se de toda sorte de atentados, sob a guarda incessante da CTU (Counter Terrorist Unit) e de Jack, que usou de sua vasta experiência muito mais para prevenir do que para remediar nestas primeiras 12 horas do dia, o que tornou tímida/lenta/quase parada a narrativa da série na maior parte desta 1ª parte (pré-anunciando uma despedida mediana, diria até melancólica, para o obstinado herói). Porém...

ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER – ALERTA DE SPOILER

Aproveitem o papo...enquanto podem.

Episódios 16 e 17 (7:00AM – 8:00AM/8:00AM – 9:00AM)...


Neste fatídico episódio 16, o impensável aconteceu: em um resgate tardio, Omar Hassan é morto pelos terroristas, assinalando a primeira vez – em 8 anos de série – que Jack Bauer falha em sua missão. Com a morte do líder árabe, o que parecia ser o fim do processo de paz ganha uma nova perspectiva com a ascensão de Dalia Hassan (Necar Zadegan), esposa do finado presidente islâmico, à liderança da IRK e, consequentemente, à frente da assinatura do tal tratado. Prestes a encerrar os trabalhos e voltar para casa, Jack novamente é arrastado aos acontecimentos pela troca de ameaças que já é tradicional na estrutura de 24: saem os terroristas árabes, entra Moscou. Temerosos de serem descobertos por uma pequena casualidade, o governo russo (verdadeiro responsável por trás dos acontecimentos do dia, uma vez que o tratado de paz vai de encontro aos seus interesses na região árabe) elimina Reneé Walker (Annie Wersching), colocando Jack em uma cruzada pessoal de vingança. E como desgraça pouca é bobagem...

De luto.

O presidente pródigo...


Com a desculpa oficial do governo russo de não querer assinar um tratado liderado por Dalia Hassan – uma líder ilegítima – entra em cena o único homem capaz de colocar Moscou de volta à mesa: o ex-presidente Charles Logan (o excelente Gregory Itzin), afastado do cenário político americano após as barbaridades da 5ª temporada. Como forma de “retornar ao jogo”, o eterno desafeto de Jack Bauer oferece seus serviços de “consultoria” para a Presidente americana Allison Taylor (Cherry Jones), já instável pelos acontecimentos do dia, guinando a trama para um caminho de dualidade nunca visto antes em 24. Ele traria os russos de volta às negociações de paz, mas por um preço beeeem alto...

Charles Logan manipuland...er, conversando com a Presidente Taylor.

O grande vilão...

Esqueçam Ben Linus, esqueçam o Canceroso, esqueçam Paul Millander, esqueçam The Trinity Killer. Com sua fala mansa e veneno em cada palavra que usa, Charles Logan consolida-se – nesta temporada – como o mais ardiloso vilão da TV de todos os tempos. Ele não apenas utiliza de chantagem e contatos para entrar de cabeça no tratado de paz, como também corrompe a maior defensora do processo: o momento em que Logan coloca as cartas na mesa para a Presidente Allison (até ali, o exemplo máximo de hombridade de toda a história de 24) e a intima a tomar uma decisão que lhe custaria a alma, temos a oportunidade rara – como espectadores – de ver um personagem sendo esmigalhado em seu interior. Itzin e Jones, dois gigantes em cena (vejo Golden Globe vindo aí), resgatando a profundidade das ações que pareciam ter se perdido no início da temporada, mas que retornaram, nas mãos desses dois atores/personagens e nas dos roteiristas (que parecem ter acordado com a corda toda), com maestria narrativa.

E embora Charles se consagre com sua vilania e tenha lavado suas mãos jogando a responsabilidade para cima de Taylor (em mais uma cena nada menos que memorável), engana-se quem pensa que ele é o grande vilão DESTA temporada. Assinado com o sangue de Omar, de Reneé e de outros tantos inocentes, e firmado sob a premissa do abafamento do envolvimento dos russos nos acontecimentos, o tratado de paz torna-se o maior vilão da oitava temporada de 24. As palavras do Secretário de Estado Ethan Kanin“Esta é uma paz que não é boa, Allison.” – ilustram isso da forma mais emblemática possível. Para manter o tratado ativo, Logan é capaz de tudo, e Allison terá de ser como ele. Só tem um pequeno problema...

Isso não vai ficar assim MESMO!

Jack Bauer contra o mundo...

Sendo o único disposto a tornar público o envolvimento do governo russo na morte de Omar Hassan, Jack se vê obrigado a fazer o que faz melhor: ir contra tudo e contra todos. Curiosamente, o ex-agente se vê vítima de seu provérbio predileto: os fins justificam os meios. Ao longo das oito temporadas de 24, Jack Bauer matou e torturou homens e mulheres para proteger seu país, e agora seu governo resolveu aderir ao mesmo lema para manter um tratado de paz que, supostamente, poupará milhões de vidas.

Pô, Chloe! Não faz assim, não...

E no último episódio...

O que foi uma sacada genial dos roteiristas da série serve agora como combustível para proezas e situações de cair o queixo nestas últimas horas do dia. Jack Bauer tornou-se o homem mais procurado da América, mas isso não o detém. Estripar interrogados é tarefa fácil (fica a dica: se for raptado, nunca engula seu chip de celular). Capturar ex-presidentes é como um passeio no parque (a cena na qual Jack aterroriza em um túnel para pegar Charles Logan – referência clara a filmes slashers como “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica” – é absolutamente sensacional). Com um banho de sangue perpetrado por Jack, uma prova da conspiração russa nas mãos de uma jornalista perseguida pelo FBI, e Chloe O’Brian (Mary Lynn Rajskub) caçando o próprio amigo como diretora interina da CTU, 24 caminha para uma despedida a altura do maior seriado de ação de todos os tempos.

Quem viver, verá.

sábado, 1 de maio de 2010

Quando Lost se perdeu?

AVISO DE SPOILER! AVISO DE SPOILER! AVISO DE SPOILER!

Nesta semana, um artigo online da Folha de São Paulo deixou os fãs de Lost e os fóruns sobre o programa em polvorosa. No referido texto, dois jornalistas enumeraram uma série de questões e mistérios que, segundo eles, o seriado ainda não havia respondido ao espectador que acompanha o show criado por J.J. Abrams em seus seis anos de existência, e que ficariam ainda mais difíceis de serem sanados, uma vez que o seriado está para acabar neste mês.

Para quem assiste assiduamente a Lost, ficou claro a falta de esclarecimento e conhecimento do assunto dos profissionais do jornal, que listaram algumas perguntas até pertinentes, outras que a atração só há de revelar no último episódio ("o que é a ilha?", por exemplo), e muitas outras – a maioria das questões, na verdade – que já foram respondidas ao longo dos 116 episódios já exibidos. O texto pouco balizado, mas com a alcunha de ser veiculado no melhor jornal do Brasil, atraiu a atenção (e a fúria) de sites brasileiros especializados na série e em seriados em geral: uns se limitaram a responder os tais mistérios levantados pela Folha com certa ironia (Dude, We Are Lost!), outros também fizeram o tira-teima, mas soaram prepotentes e até ofensivos (LiGado em Série), e outros se mantiveram na defesa da essência do seriado, na defesa da manutenção do mistério e do direito dos roteiristas e produtores de Lost em mantê-los (Lost In Lost).

Ora, por mais que o Bruno Carvalho tenha um conhecimento absurdo sobre seriados, ou que eu me identifique mais com os ideais levantados pelo texto do Carlos Alexandre, vamos combinar que Lost não é uma das série mais populares de todos os tempos por atingir meia dúzia de gatos pingados: é um entretenimento de massa, e massa quer dizer povo, e povo, estatisticamente falando, não gosta de ficar no escuro.

Isso, claro, explica o grande motivo para o descontentamento viral com Lost (o acúmulo de mistérios), mas engana-se quem acredita que foi aí que Lost se perdeu, tampouco quando apelaram para viagens no tempo (e não há melhor recurso narrativo para encher lingüiça do que esse), nem quando mataram o melhor personagem da série e colocaram uma cruza de belzebu com fumaça de escapamento em seu lugar (apenas para não descartar o excelente ator Terry O’Quinn). Acreditem ou não, Lost se perdeu quando resolveu começar a elucidar seus mistérios.

Depois de duas (excelentes) temporadas inteiras despejando as perguntas mais escabrosas nas cabeças dos espectadores (como, por exemplo, o enigma da escotilha e seu botão do fim do mundo), veio a fatídica 3ª temporada, centrando sua narrativa microscópica nos “Outros”. E qual a nossa surpresa quando descobrimos que aquelas pessoas misteriosas que se moviam como ninjas e se vestiam de peles e sacos de arroz enquanto seqüestravam crianças eram apenas e simplesmente “pessoas”, como eu, como você, como o Joaquim da padaria, e que em nada lembravam o malvado Ethan, cuja super força e resistência mostrados na 1ª temporada o faziam puxar um adulto ribanceira acima com apenas um braço (e ninguém sabe como ele fazia aquilo).

Foi exatamente aí, tentando dar vida e rosto aos Outros, que os roteiristas de Lost se viram em uma cilada: entregaram uma de suas mais valiosas cartas (“quem são os ‘Outros’?”) cedo demais. Ora se esse não era um dos principais mistérios de toda a série até aquele momento (quase tão primordial quanto “o que é a ilha?”) e olha se esse mistério não estava ali, sendo explorado de dentro para fora sob os pontos de vista de Jack, Kate e Sawyer – os três prisioneiros dos pretensos “nativos”.

Nesta altura do campeonato, era até possível que Lost ainda estivesse seguindo um script, mas Ben Linus – o enigmático líder dos Outros – resolveu sobressair às linhas (essa é uma premissa normal em roteiros: bons personagens costumam fazer seus próprios caminhos) e engolir a trama da temporada inteira para si, afinal, a 3ª temporada era centrada na estadia dos três presos acima citados com os Outros, e o motivo de suas prisões era um só: a doença de Ben. Jack era o médico-cirurgião que iria curar o vilão. Kate era usada para controlar Jack, ao passo que Sawyer era usado para controlar Kate. Mas e a trama da ilha, como é que fica? A trama, depois de Ben Linus, resumiu-se a tentar explicar as coisas, tentando não pisar nos próprios cadarços.

São várias as vezes que se pode perceber a agulha da bússola dos roteiristas girando sem parar em pegadinhas que eles mesmos se aprontam. Num episódio, você “não iria querer conhecer o capitão” do cargueiro Kahana (o barco enviado por Charles Widmore para virar a ilha de cabeça para baixo), no outro, o Capitão Gault aparece e se mostra uma pessoa amável e até mesmo prestativa (pouco antes de levar um tiro – mais um dos muitos personagens de Lost que não serviu para nada). Na temporada das viagens no tempo (5ª), a série chega ao cúmulo de cometer um erro grotesco de linearidade e apontá-lo, como se tudo tivesse sido planejado desde sempre: Sayid havia acabado de dar um tiro em um Ben Linus de 12 anos de idade. Eis que no episódio seguinte, Hurley pergunta para Miles:

- “Se Sayid deu um tiro em Ben quando ele era pequeno, como é que o Ben não reconheceu Sayid quando o encontrou pela primeira vez na escotilha?”


A “saída” para esta auto-cilada foi levar o garoto para ser curado pelos Outros da época, liderados por Richard Alpert, que antes de aceitar o moleque, avisou:

- “Vamos curá-lo, mas ele vai voltar diferente do que é, E NÃO VAI SE LEMBRAR DE NADA.”


Assim fica fácil, não?

O que mais incomoda não é nem algumas discrepâncias espalhadas pelo seriado (toda boa obra tem gosto de queijo de vez em quando), ou como Lost quase virou uma série exclusivamente de ficção científica (e eu adoro ficção científica, mas vamos combinar que não é o espírito do programa), e sim como grandes mistérios de uma série que é (ou deveria ser) sobre mistérios têm se elucidado de forma decepcionante e, impressionantemente, com o aval dos fãs mais exacerbados de Lost. Certamente, é mais uma reação emocional do que qualquer outra coisa, mas como aceitar passivamente que a seqüência de números mais emblemática da cultura pop é apenas uma referência randônica a nomes em uma lista (poderia ser um 97 no lugar do 42 que não faria a menor diferença)? Como pensar que é uma ótima idéia dizer que os sussurros que gelaram as espinhas dos sobreviventes do vôo 815 eram apenas almas penadas? Como aceitar que o grande vilão da 3ª temporada (e potencialmente do seriado todo) seja delegado a personagem de quinta categoria nesta última temporada? Como vislumbrar a remota insinuação de que a ilha possa ser o gargalo do inferno? Será que o senso crítico dos viciados em Lost anda tão avariado a ponto de não perceberem que essas artimanhas narrativas são saídas fáceis? Que tal forma chula de solucionar dúvidas é leviana? Que é muito feio da parte dos Srs. Lindelof e Cuse (responsáveis atuais pela série) elevar as expectativas de um público que segue a ilha há seis anos para, então, darem sorvete seco como prêmio de consolação?

Eu acompanho Lost, e gosto da série pelo que ela representa como entretenimento, pelo que ela inovou como seriado. Espero ávido pelos quatro últimos episódios, mas confesso – salvo algo muito bombástico ocorra nesta reta final – que tenho saudades dos tempos do Lostzilla.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Como explicar as orelhas pontudas do seu amigo em 1930.

"- Meu amigo é obviamente chinês. Vejo que deve ter notado as orelhas e elas são realmente fáceis de explicar. O infeliz acidente que teve quando criança: ele prendeu sua cabeça numa máquina... colhedora de arroz. Mas, felizmente, tinha um missionário americano vivendo por perto que na realidade era um...ah...hábil cirurgião plástico na vida civil."

Capitão James T. Kirk

Star Trek - The Original Series - Episódio 1x28 - The City on the Edge of Forever

terça-feira, 1 de setembro de 2009

What is this?

Todo mundo que já assistiu a 300 concorda que, embora o filme seja recheado de violentíssimas batalhas e efeitos, a cena mais emblemática do longa é aquela na qual o rei Leônidas resolve que vai encarar o vasto exército persa e sela esta intenção com uma bela pedalada no peito do desafortunado mensageiro (que você pode conferir abaixo).



O que Frank Miller (criador da HQ que deu origem ao filme) não sabia é que este quadrinho em particular ia se tornar um marco dos memes na internet, dando vazão para uma enxurrada de bobagens (algumas já passadinhas, mas memoráveis, as quais trago para o nobre leitor deste blog).

Madness?

=P

Bem que eu sempre achei que pinguins não batiam bem da cabeça mesmo...

Esse é um dos meus preferidos.

Sempre tem um super-herói (neste caso DOIS) pra bater uma foto dessas.

É claro que tem milhares de outras montagens e vídeos que também respondem à pergunta que não quer calar. Anote aí: "THIS IS SPARTAAAAAAAAAAAAA!!!!!" é o tipo de resposta que pode ser usada em qualquer situação...

...mas tem que ser respondida aos gritos, senão não está valendo.=P

Pra encerrar, segue abaixo a melhor vídeo-montagem do espartano gritão. Enjoy.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Flerte nas Estrelas - Parte 2

- O que um nocaute como você está fazendo em um lugar gerado por computador como este?

Comandante William Riker

Star Trek - The Next Generation - Episódio 1x15 - 11001001

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Prison Break: do Triunfo ao Desastre.

Estava pensando se iria escrever algo sobre o seriado Prison Break aqui no blog. Era uma série que eu achava bacana, mas que vinha se mostrando irregular, principalmente, depois da famosa greve dos roteiristas, entre 2007 e 2008. Tudo levava a crer que o cancelamento estava a caminho, até que a confirmação veio quando a Fox anunciou, no final do ano passado, que esta 4ª temporada seria também a última. Então estava eu convicto de que iria escrever algo sobre a série se o Season Finale fosse bombástico, ou muito inovador...até que baixei, nesta segunda-feira passada, os dois últimos episódios. Assisti, pensei, e acabei ficando na obrigação de registrar a minha impressão sobre o programa.

AVISO, EM LETRAS GARRAFAIS, QUE O TEXTO CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI.

Como muitos seriados (mas não todos) que acompanho atualmente, comecei a assistir a saga de Michael Scofield no ano passado - este, por intermédio de uma indicação da minha prima seriadomaníaca (certamente, mais do que eu). Foi uma boa indicação, juro. Para tentar provar isso, vou fazer um apanhado sobre a história de Michael e sua lida para libertar seu único irmão da Penitenciária Fox River através da mais ousada fuga já registrada.

Prison Break tinha uma história simples. A premissa, basicamente, era a da pena de morte de Lincoln Burrows por um crime que não cometeu, e o plano de seu irmão (o já mencionado Michael), para tirá-lo da cadeia antes da data de execução. Mas, como tamm já comentado, não se tratava de uma fuga qualquer: Scofield era um brilhante e bem sucedido engenheiro, dotado de alto QI, especialista em estruturas e, por pura coincidência, a empresa onde trabalhava foi a construtora de Fox River.

Dotado das plantas do lugar (escondidas em uma gigantesca tatuagem que cobria boa parte do seu corpo), Michael resolve que tirará seu irmão condenado da prisão, mas pelo lado DE DENTRO. O cabra assalta um banco à mão armada, se rende e, claro, pega 5 anos de prisão...em Fox River. É o início do que seria uma temporada impecável.

Prison Break virou sucesso de público e crítica. O mirabolante plano de Scofield não só trouxe altas doses de adrenalina nos espectadores, como cativou, episódio por episódio, uma grande fatia do público. Era óbvio que o plano de Michael não sairia como planejado, afinal, ele contava com o auxílio de outros presos; e pessoas, todos sabem, são imprevisíveis. Do lado de fora da penitenciária, uma advogada (amiga dos irmãos) investiga os fatos que levaram à prisão de Lincoln, até que se descobre que uma poderosa “Companhia” foi a responsável pela armação, e não descansará enquanto Burrows não seja tostado na cadeira elétrica.

Como todo bom drama penitenciário, há o carcereiro filho da puta, o psicopata, o velho prisioneiro sábio, o mafioso, o consegue-tudo, o trombadinha, o troglodita (que, neste caso, é o próprio Burrows) e Michael Scofield: um bom moço no meio de tudo isso, colocando sua massa cinzenta para funcionar enquanto a panela esquenta absurdamente. A receita é velha, mas funcionou com Prison Break de um jeito que conquistou fãs no mundo todo, através de episódios com situações críticas e personagens envolventes. Admito que até eu roía as unhas durante a 1ª temporada, que terminou, é claro, com a famigerada fuga dos Oito de Fox River.

E era pra ser só dois fugitivos...

Mas quem eram esses cabras, afinal?

MICHAEL SCOFIELD (Wentworth Miller) – Personagem principal da série. Meticuloso e brilhante, Michael aliou seu ousado plano a sua cara de bom moço (combinando com seu aspecto de guri burguês) que enganava muita gente da penitenciária (como o Diretor Pope, e a Dra. Sara, por exemplo). Com engenhosidade e muita sorte, conseguiu tirar o irmão de Fox River, mas acabou levando anexos.


LINCOLN BURROWS (Dominic Purcell) – O motivo da bagaça. Grande e “burro” (Hã? Entenderam o trocadilho? Hein?), Lincoln conseguiu ser incriminado por assassinatos que não cometeu umas 3 vezes durante a série. Seu ponto fraco (fora a atuação duvidosa de Purcell) era L.J., seu filho, também conhecido como “o garoto-refém”.


THEODORE “T-BAG” BAGWELL (Robert Knepper) – Com uma singela história de família (fruto do estupro da irmã com Sindrome de Down pelo próprio pai alcoólatra), T-Bag era o pior elemento de Fox River. Estuprador, assassino e líder da Gangue Ariana da penitenciária, não podia ver um buraco andando que já tinha pensamentos libidinosos. Este aspecto de constante perigo fez de Bagwell um ótimo personagem, até perder a mão esquerda no final da 1ª temporada (e, junto com ela, o mojo).


JOHN ABRUZZI (Peter Stormare) – Um dos Capos da Máfia de Chicago, Abruzzi era o instável responsável pela IP (Indústria da Prisão). Em um excelente momento da trama, arrancou três dedos dode Michael com uma tesoura de jardinagem (ah, bons tempos de 1ª temporada...). Também foi o primeiro dos Oito a cair.


FERNANDO SUCRE (Amaury Nolasco) – Colega de cela de Michael e clone chicano de Sérgio Mallandro, Sucre tinha seus motivos românticos para fugir de Fox River (a famigerada Marisol, que depois de trocentos episódios – juro – já dava vontade de matá-la). Infelizmente (para nós), o personagem era fraco e seu drama pessoal estava longe de convencer. Fernando só não era mais bucha que...


BENJAMIN “C-NOTE” FRANKLIN (Rockmond Dunbar) – Ex-militar e pai de família, ele era o cara que conseguia qualquer coisa para os internos de Fox River (costume que, na verdade, o colocou lá). Pode parecer implicância, mas toda vez que C-Note aparecia, dava vontade de desligar a tela. Ele era MUITO irritante, quebrava o “status quo” da cooperação mútua que a fuga exigia (em outras palavras, pensava apenas nele – como todos ali – mas era o único que transparecia isso) e não agregava absolutamente nada à trama.


DAVID "TWEENER" APOLSKIS (Lane Garrison) – O mais novo dos Oito. Tweener era um batedor habilidoso que entrou em Fox River na segunda metade da 1ª temporada. Embora não fosse tão importante na trama, Apolskis serviu para mostrar as verdadeiras intenções do agente do FBI encarregado da captura dos condenados, na 2ª temporada.


CHARLES "HAYWIRE" PATOSHIK (Silas Weir Mitchell) – Embora quase todos os novos camaradas de Michael fossem sociopatas, Haywire era o único que tinha laudo médico para comprovar isso. Charles habitava a ala psiquiátrica de Fox River, até ser realocado para a cela de Michael por uns tempos, e acabar virando uma das peças-chave para a fuga. Ele dava medo, mas era divertido.

Devido a aceitação estrondosa da série, a Fox se viu na obrigação de emendar uma nova temporada, desta vez, abordando a caçada humana desses fugitivos. Embora a idéia também fosse velha, e mesmo assim empolgante, a 2ª temporada pode ser considerada o começo do fim para a qualidade de Prison Break. Não que seja uma temporada ruim: a adesão de William Fichtner como o corrupto agente do FBI Alexander Mahone, trouxe um adversário respeitável para a engenhosidade de Scofield e seus asseclas, que escorregam das garras da polícia e do agora ex-carcereiro Bred Bellick (Wade Willians, ótimo), que resolve virar caçador de recompensas e tem motivos de sobra para erradicar os 8FR. Foi realmente uma ótima temporada (principalmente quando os integrantes dos Oito começaram a bater as botas), mas começou a ter problemas em larga escala quando o assunto era a maldita Companhia.

Mahone: um dos meus personagens prediletos.

A entidade que criou todo esse furdunço, ao meu entender, foi a grande responsável pelos rombos de roteiro e pela desgraça que assolou Prison Break, fazendo a série perder o brilho da totalmente excelente 1ª temporada, numa linha decrescente de qualidade. Com verdadeiros ataques de esquizofrenia, os roteiristas não decidiam quais eram os planos da Companhia e de seu principal agente: Paul Kellerman infernizou a vida dos nossos heróis por toda a história e, no final da 2ª temporada, acabou não só confessando todos os seus crimes, como entregando a Companhia e inocentando Lincoln e Sara Tancredi (a mesma Dra. Sara de Fox River, que era par romântico de Michael e uma das principais responsáveis pela fuga dos 8FR). C-Note, o mais água com açucar dos fugitivos, conseguiu um acordo com o FBI para entregar a cabeça de Mahone, que andava serelepando e matando os recapturados. Sucre saiu da trama para cuidar da filha recém nascida e de Marisol, ao passo que a Companhia (num plano mirabolantemente ruim) conseguiu prender o resto dos fugitivos (inclusive Mahone e Bellick, cuja única desculpa de terem sido presos junto com os outros era o fato de serem excelentes personagens) em uma prisão panamenha chamada Sona.

Uma galera do barulho, prestes a entrar em uma tremenda roubada...

Está certo: admito que o final da 2ª temporada prometia uma 3ª interessante, afinal, Sona era retratada como um verdadeiro inferno. Vi em um documentário que o criador da série se inspirou em Carandiru para criar a penitenciária: “uma prisão no Brasil onde os presos é quem ditam as regras”, segundo Paul Scheuring (mal sabe ele que todas as prisões aqui são assim, mas tudo bem). O fato é que a truculência de Sona, os novos e fracos personagens e a missão de Michael (sair de lá com James Whistler, um preso que continha informações valiosas para a Companhia) caíram como uma bomba na série. T-Bag, o mais ardiloso e odiado dos 8FR, mudou de personalidade e virou um humilde servo do líder negro Lechero (os roteiristas esqueceram completamente do fato de Bagwell ser uma bicha racista). Bellick estava abaixo do cu do cachorro, na rabeira de um sistema de castas da penitenciária que não foi sequer explicado. Burrows não servia para absolutamente nada. Sara morreu, mas só mostraram uma cabeça decepada (certamente os produtores tiveram problemas em usar a atriz Sarah Wayne Callies). E Michael só tinha a improvável ajuda de Mahone, o outrora responsável pela caçada que culminou com a morte do pai dos irmãos fugitivos.

Quando vier ao panamá, visite Sona.

Com a greve dos roteiristas no auge e a qualidade ruindo, a 3ª temporada encerrou seus trabalhos de modo abrupto e tosco, no seu 16º episódio (normalmente eram vinte e poucos episódios). Com um plano marca-diabo, Michael, Mahone e o tal Whistler conseguiram fugir de Sona. Bellick e T-Bag continuaram presos. Sucre, que voltou pra série
só pra ser encanado, também foi para Sona. Dessa forma desengonçada, os produtores encerram a 3ª temporada, que deveria ser a última MESMO...

Tchanan!

MAS...eis que resolvem arriscar a quarta e última temporada, numa desculpa esfarrapada de que a história havia sido planejada para quatro seasons desde o começo (ahã, me engana que eu gosto). Logo no primeiro episódio, Burrows (que compete ferrenhamente com C-Note para ser o personagens mais bucha de Prison Break) é preso. E lá vai Michael se entregar DE NOVO para livrar a cara do irmão DE NOVO. Desta vez, o dono da bola é Don Self, (o gorducho Michael Rapaport) um agente da Segurança Nacional que precisa das informações que Michael pode ter conseguido com Whistler (seu parceiro de fuga), a respeito de Scylla: um dispositivo ultra-super-plus-advanced que contém tudo o que de fato é importante para a Companhia (personificada na figura do Coronel Krantz, que já havia aparecido como o “bam-bam-bam” da Companhia na 2ª temporada). A obstinação do Coronel em proteger Scylla é o primeiro grande empecilho para Self, que monta um grupo para roubar o dispositivo. Entra em campo o Scylla Team: Michael, Lincoln, Mahone, Sara (que voltou dos mortos, afinal, não dava pra ver muito bem “de quem” era a tal cabeça decepada), Roland Glenn (um hacker asiático que não dura muito), Sucre e Bellick (que saíram de Sona pela porta da frente, logo após T-Bag meter fogo na penitenciária e Michael ter ficado puto da cara de não ter pensado nisso antes) são recrutados por Self, que promete conseguir perdão total para os membros do grupo, em troca de Scylla.

Scylla Team em ação.

Numa megalomania que só ficaria convincente no seriado 24, o tal dispositivo não somente tem todos os arquivos pessoais da Companhia, como possui projetos tecnológicos que poderiam, literalmente, mudar o mundo. Neste ponto, o que já estava ruim, ficou ainda pior. A missão de Michael agora não era mais fugir de algum lugar, e sim roubar Scylla de uma instalação de máxima segurança: antes, para entregar o treco à Don Self e finalmente sair livre; depois (quando Don revela ser um novo vilão), para não deixar Scylla nas mãos do General e salvar o mundo (curiosamente, este dispositivo sempre esteve nas mãos do General, e ele nunca o tinha usado antes para tal finalidade). O que era simples questão de sobrevivência (bons tempos em que a coisa toda era só resgatar um retardado condenado à morte), virou um jogo de guerra dos brabos, onde todo mundo quer botar as mãos no dispositivo.

Com trejeitos de Esquadrão Classe A e Missão Impossível, a série seguiu nas incoerências dos roteiristas (provavelmente estagiários). A saída para Mahone e os
irmãos trabalharem lado a lado numa boa foi das mais desleais: a Companhia mata o filho do ex-agente e todo mundo fica feliz. Michael descobre que tem uma doença que pode ser terminal se a Companhia não usar de seus especialistas para curá-lo. T-Bag tenta se tornar um cidadão de bem com uma identidade falsa (logo o T-Bag????). Bellick, que sempre foi uma puta pedra no sapato da galera, morre como herói. Sucre abandona o time (como se ainda não tivesse o rabo preso) e volta para sua família. A mãe dos irmãos também volta dos mortos (ressurreição é uma mania decorrente na série, como veremos uma vez mais).

Depois de uma longa pausa nas exibições (de dezembro de 2008, até o mês passado), a já gelada Prison Break prosseguiu no que seria o derradeiro circo de horrores da reta final. Além da correria acerca de Scylla e da destruição dos personagens que muita gente aprendeu a gostar (repito, principalmente pela incrível 1ª temporada), nossos heróis roteiristas resolveram despejar alguns elementos de novela das oito no seriado: Christina (Scofield's Mom) torna-se a principal vilã, Michael descobre que Lincoln não é seu irmão de sangue e, faltando 3 episódios para o encerramento da série, Sara faz um teste de gravidez...

"Michael, tenho uma coisa pra te contar..."

Para não dizer que sou espírito de porco, aguardei os últimos dois episódios com certa esperança de que alguma coisa dessa loucura toda se solucionasse de modo eficaz, ou mesmo meramente convincente. Baixei o treco e, como disse antes, me obriguei a dizer algo a respeito (daqui para frente, usarei o artifício dos pontos de interrogação para tentar ilustrar minha impressão a respeito desta Series Finale).

Lincoln passa os dois episódios inteiros sangrando...e não morre (?). Michael, um homem que não é de ação, escala um prédio (??) para salvar Sara de T-Bag. Mahone resgata Lincoln, mesmo que isso signifique uma bala na cabeça de sua esposa (???). Como trunfo na manga, o General ameaça matar Sofia (namoradinha que Burrows descolou no final da 3ª temporada e que não aparecia na trama desde lá), em vez de ameaçar L.J., que está em seu poder (????). C-Note volta do limbo com uma saída milagrosa para tudo (?????). Recruta Sucre (??????). E a solução milagrosa é...Kellerman (???????), que tinha aparentemente morrido no final de 2ª temporada e que, agora, trabalha para a ONU (????????).

Mas hein????

Fica ainda melhor: usando EXATAMENTE a mesma estratégia “Homem-Aranha” que Michael usou para invadir o QG do General, C-Note e Sucre entram no apê e salvam o dia (que diabo de General é esse que cai duas vezes no mesmo truque?). Michael leva um tiro no ombro e Sara (que é médica) manda ele ir entregar Scylla para a ONU, sem cuidar do ferimento (?????????).


Para fechar com chave de ouro, tudo termina com Michael, Lincoln, Sara, Sucre, Mahone e C-Note reunidos numa mesa, onde assinam a papelada do perdão.

- Mas e Pam? – Pergunta Mahone, sobre sua esposa, que estava sendo ameaçada pelo General.
- Ela está salva. – Responde Kellerman.

- E L.J.? – Pergunta Lincoln.
- Ele também está salvo. – Responde Kellerman, como se fosse um pastor de igreja.

Se Jesus não salvar, o Kellerman salva.

Tudo simples assim. Sem explicar porra nenhuma. As coisas simplesmente iam acontecendo e o público (no caso, EU) ia engolindo. Pouco antes da cena final (que foi a única coisa que salvou o episódio), o absurdo máximo se fez presente quando mostram o destino de cada um dos personagens depois de quatro anos, e descobrimos que Kellerman, o mesmo cara que assumiu dezenas de assassinatos publicamente na 2ª temporada, virou SENADOR (???????????????????????????????????????).


Com um final de episódio bucólico e triste, Prison Break partiu com aquele gosto desagradável de algo que poderia ser lembrado somente pelo excelente entretenimento proporcionado em sua arrancada. É o que eu chamo de Síndrome de Arquivo-X, onde os executivos forçam a barra de um programa bacana (porque ele se mostra rentável e fideliza o público) e o sugam até o mesmo ser lembrado apenas por seu péssimo desfecho.

Uma pena mesmo. Prison Break, para mim, só teve duas temporadas.

P.S: Em julho, a Fox lançará o DVD Prison Break - The Final Break, um filme Made For TV que será uma espécie de abordagem sobre o flash forward de quatro anos que o episódio final sofreu. Estou me sentindo como aqueles jogadores de poker que já perderam fortunas, mas pensam em ficar na mesa pra tentar recuperar qualquer migalha...

Maldita Fox.