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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Eu quis comer você!

...er...bem, sabe quando você assiste a um vídeo no YouTube lá pelas duas da manhã e, lá pelas quatro, você continua rindo? Pois é...

Na verdade, devo ser o único internauta do mundo que ainda não tinha assistido a esta pérola da televisão brasileira, este marco do bom senso, esta prova cabal de existência da noção coletiva...até esta noite, quando me tornei um homem mais feliz e completo ao contemplar a apresentação da banda gaúcha Cascavelletes no extinto Clube da Criança, programa apresentado por Angélica em mil novecentos e guaraná com rolha (do tempo em que ela tinha aquelas taturanas enormes acima dos olhos).

Sem mais delongas, com vocês...Cascavelletes cantando o sucesso "Eu Quis Comer Você" no Clube da Criança.



Se você quiser cantar juntinho (tipo, de olhinhos fechados de emoção), segue abaixo a letra da música:

Eu Quis Comer Você (Cascavelletes)

Dirijo táxi a noite toda, só vejo confusão
Garotas que querem garotas, rapazes na contramão
E quando eu volto pra casa a minha garota está dormindo
Eu tomo uma latinha de cerveja,
Que fome eu estava sentindo!

Uhn...eu quis comer você!
Uhn...eu quis comer você!

Os astronautas chegaram na lua
E não telefonaram.
Eu fiquei nervoso, eu fiquei acabado.
E no convés desfilam as louras,
Mulher casada ou não.
Viajando naqueles barcos,
Cheios de flores no chão.

Uh.....ah...

Uhn...eu quis comer você!
Uhn...eu quis comer você!
Uhn...eu quis comer você!
Uhn...eu quis comer você!

Dirijo táxi a noite toda, só vejo confusão
Garotas desejam garotas
Rapazes sem tesão
E quando eu volto pra casa a minha garota está dormindo
Eu dou um beijinho nela
Que fome eu estava sentindo!

Uhn...eu quis comer você!


Algumas coisas merecem ser pontuadas:

1 - Júpiter Maçã olhando sério para Angélica e dizendo "Eu Quis Comer Você...é o nome da música".

2 - O switch-chicote pegando as reações de todo mundo na platéia (inclusive daquele menininho tarado dos 2:16);

3 - A banda dublava um "playback", então a coisa rolou com consentimento da produção do programa;

4 - A cara de "que porra é essa?" das crianças enquanto batiam palmas;

5 - Angélica abraçada a dois palhaços enquanto finge que grita o refrão...

6 - ...logo após pedir "BIS".

É, já tenho música nova pra cantarolar com meus filhotes.=P

Dica fodástica da Kika Freitas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fim de semestre.

Pra muita gente, fim de semestre é sinônimo de pernas pra todo lado (ao contrário do que pensam alguns dos psicopatas que acompanham este blog, não é no sentido membros inferiores decepados espalhados pelos cantos). Prazos e mais prazos da facul. Eventos. Chegadas de pessoas e de estação. O dia só tem 24 horas e, mesmo se tivesse 36, seria curto para tanto a fazer.

Como se não bastasse a urgência de tudo e a abstração de pôr isso num blog (que, em tese, me come tempo e não me acrescenta em nada), uma forte gripe tem me assombrado as narinas. Não é raro ter de sair no meio de uma aula - ou mesmo de uma conversa - para soar o nariz escondido no banheiro, como se isso fosse um ato criminoso e/ou vergonhoso. Cuspir na frente dos outros então, nem pensar. Te olham com aquela carinha de nojo, como se escarrar fosse tão feio quanto bater na própria mãe.

Um dia entenderei esses humanos.

Enquanto isso não acontece, me protejo do frio como posso e vejo outras pessoas fazerem o mesmo. Não sou ligado em estações do ano (quando elas vêm, quando elas vão), mas fiquei sabendo que o inverno nem chegou ainda e já enfrentamos frios de quase 0º aqui em Porto Alegre (uma cidade que tem as quatro estações do ano num único dia). Os ônibus, então, são um desfile de modelitos dos mais ecléticos: da menina do Direito com seu cachecol peludo e casaco de couro liso, ao afegão com uma parka que dói nos olhos. Nada contra quem usa parka. Eu tenho uma, bem guardadinha no meu guarda-roupa para o dia em que Ace Of Base voltar às paradas de sucesso (para os mais velhuscos aí, segue um velho hit da banda sueca - se prestarem atenção na letra, vão constatar que o Sr. Ácido era um dos compositores).

The Sign (Ace of Base)

Shock!

I gotta new life
You would hardly recognize me I'm so glad
How could a person like me care for you
Why do I bother
When you're not the one for me
Oooo, is enough, enough

I saw the sign and it opened up my eyes I sae the sign
Life is demanding without understanding
I saw the sign and it opened up my eyes I saw the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong
But where do you belong

Under the pale moon
For so many years I've wondered who you are
How can a person like you bring me joy
Under the pale moon
Where I see a lot of stars
Is enough, enough

I saw the sign...

I saw the sign and it opened up my mind
And I am happy now living without you
I've left you, ooohhh
I saw the sign and it opened up my eyes I sae the sign
No one's gonna drag you up to get into the light where you belong

I saw the sign - I saw the sign - I saw the sign



Além dos ônibus que tenho de pegar, dos trabalhos de facul que tenho de entregar (os quais eu deveria estar digitando neste exato momento) e textos para estudar (os quais eu deveria estar lendo neste exato momento), tenho a proveitosa tarefa de divulgar o lançamento do mais novo curta-metragem da Arquivo Morto: Os Batedores, finalmente, está terminado, e o produto final ficou muito, muito, muito bacana. Sou suspeito, claro, mas se quiseres ver para crer, vamos exibir o treco com entrada franca no dia 26/06, às 21:30h, no CineBancários (uma sala de cinema muito charmosa, que pouca gente conhece, na Rua da Ladeira). Já que (ainda) não sei como mandar Spam via Scrap no Orkut, passei a manhã toda copiando e colando o flyer-convite (logo abaixo) nos Scrapbooks alheios.

Quero todos lá!

Merchandising à parte, embora amanhã passe o Dia dos Namorados sozinho, essa situação se resolve na semana que vem, quando devo me preparar para o retorno da minha namorada, que passou um bom tempo em Barcelona (5 meses). Nem preciso dizer que esse semestre demorou pra passar, certo? Também nem preciso dizer que estarei incomunicável pelos próximos três fins de semana, certo? Bom, se sentirem a terra tremer, as estrelas faiscarem ou escutarem os golfinhos cantando alguma música ao estilo Mariachi no dia 20/06, tentem não dar muita bola pra isso e sigam suas vidas com aquela pontinha de inveja, certo?=P

O lado bom de toda essa correria (facul, trabalho, projetos, namoro, amigos, filhos, mais projetos...), é que, ao terminar este semestre, terei uma pseudofolga de um mês da PUCRS (terei mais de 4 horas/dia de sono, eba!), a oportunidade de colher as críticas (e elogios, espero eu) do meu trabalho em Os Batedores, minha namorada de volta pra poder fazer carinho, abraçar, beijar...e etc, novos desafios cinematográficos, o retorno das séries que acompanho, novas disciplinas e colegas na facul...

...e a oportunidade de correr tudo de novo.;-)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Como uma melodia...

Sem tratados.
Sem verdades incontestáveis.
Apenas sensações.
Apenas movimentos.

Sounds Like a Melody (Alphaville)

It's a trick of my mind
To faces bathing in the screenlight
She's so soft and warm in my arms

I tune it into the scene
My hand are resting on her shoulders
When we're dancing away for a while

Oh, we're moving, we're falling, we step into the fire
By the hour of the wolf in a midnight dream
There's no reason to hurry, just start that brand new story
Set it alight, we're head over heels in love
Head over heels

The ringing of your laughter it sounds like a melody
To once forbidden places we'll go for a while

The ringing of your laughter it sounds like a melody
To once forbidden places we'll go for a while

It's the definite show
Our shadows resting in the moonlight
It's so clear and bright in your eyes

It's the touch of your sighs
My lips are resting on your shoulder
When we're moving so soft and slow

We need the extasy, the jelousy, the comedy of love
Like the Cary Grants and Kellys once before
Give me more tragedy, more harmony and phantasy, my love
And set it alight, just starting that satellite
Set it alight

The ringing of your laughter it sounds like a melody
To once forbidden places we'll go for a while

The ringing of your laughter it sounds like a melody
To once forbidden places we'll go for a while


Saudade do gosto da tua boca...
Saudade do som da tua risada...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Zine, Matemática, Bell's e Johnny Cash...

Essas coisas sempre acontecem numa pausa de produção: enquanto enfrentamos um recesso de duas semanas sem filmagem, a vida segue com suas pérolas e algumas promessas. Quando se trata da minha vida então...

Numa dessas madrugadas, minha produtora e eu estávamos num papo descontraído no MSN, colocando algumas coisas em dia sobre o curta Os Batedores e jogando conversa fora. Alguns minutos sem trocar palavras e ela volta com a seguinte frase:

- Fui no banheiro cagar e tive uma idéia.

Uma dama, sem dúvida. A idéia, que poderia ser uma merda, acabou chamando meu cumpadre (que teclava com sua amada, da casa dele, por MSN) pra conversa: fazer uma zine sobre cinema independente em Porto Alegre, com o selo da Arquivo Morto. Opa, como assim? Isso mesmo. Começar com algo pequeno e de tiragem limitada, bem boca de rua mesmo, mas com material interessante sobre esses realizadores de cinema de guerrilha e seus projetos. Seria um meio de reunir esse núcleo cinematográfico (aproveitando que o cinema daqui é um ovo) e de divulgar o nosso selo. O que no começo soou como algo estranho pra mim, logo fez brilhar os olhos do meu cumpadre, que dizia “conta mais” pra moça. No fim, acabei gostando um bocado da idéia e o papo rendeu. Com água na boca, ficamos de verificar isso assim que terminássemos o curta.

Ainda na madruga e sem sono, passei um bom tempo trocando links de vídeos interessantes do You Tube com outro amigo meu. Ele havia me dito certa vez que não assiste mais TV: quando quer se divertir, ele digita “idiota” no search do YT e passa a noite toda rindo. Pelo menos ele dá um tempo na masturbação. Algumas dessas maravilhas que trocamos podem ser conferidas nos links abaixo:

PULP FICTION IN TIPOGRAPHY ->
O diálogo mais clássico do cinema nos últimos 20 anos mostrado de um jeito original e irreverente. Assista com o som alto.

ROCKY EM 5 SEGUNDOS -> A saga do boxeador Nº 1 da Filadélfia contada em 5 segundos. “Rushpatoish!”

O PAI DAS PUTA -> Vídeo comentado à exaustão por um certo bixcoito de Sta. Maria. Dublagem de Hermes e Renato para algum filme chinês da década de 70. “Pááára de botar pilha.”

300 UNITED -> Crossover dos filmes “300” e “United 93”, onde os espartanos combatem terroristas num avião. “Madness? This is United!”

Um sono num sofá apertado depois...

Meu pescoço era um “s” e o sol batia forte na minha cara de manhã cedo. Seria mais um dia de correria rotineira e uma prova de Matemática Financeira me esperando no fim da trilha. Que diabos. E eu lá sei algo sobre análise de investimentos? Como de praxe, não tive tempo de estudar e eu precisava tirar 7 pra passar na risca. Minha sorte é que tenho uma relação estranha com essa matéria: eu sempre acerto tudo, errando somente o que eu não fiz. E sempre tem alguma que eu não faço. Nada de ficar quebrando a cuca para achar uma saída. Sou um sujeito prático. Se não sei, rabisco um “x” bem grande na folha e era isso. Quando começou a prova, matei três das cinco questões no ato. Uma eu deixei, afinal, não sei fazer análise de investimentos, e a última tava foda, mas eu tinha a impressão de que poderia resolvê-la. Quando estava quase chegando num entendimento com o problema, eis que a mente se desvencilha dos números e me vejo viajando em uma música da qual eu sempre gostei e cujo clip dela encontrei no YT, pouco depois de dar boa noite ao meu amigo na noite anterior. Segue a letra:

Hurt (Johnny Cash)

I hurt myself today

To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

A madrugada (horário em que reanimei essa música na minha vida) nos convida a sermos melancólicos, mas é assustador pacaralho quando uma música tão poderosa e desoladora te descasca como uma laranja. Como se Reznor a tivesse escrito sob medida. Uma Centúria. Uma premonição do que viria ser uma descrição exata do que andou se passando por aqui. Mas que inferno. Eu sempre gostei de Johnny Cash, mas por que ele resolveu cantar nos meus ouvidos justo no meio de uma prova de Matemática?

É claro que eu sei, e é claro que a parte que diz “try to kill it all away, but I remember everything” se encaixa como uma luva (como todo o resto da música), mas faz um tempo que decidi que faço o que for preciso pra fazer as coisas acontecerem, não importando os meios ou se vou me foder depois, desde que a missão seja concluída, tal qual Jack Bauer. Pra não ser um mau caráter total com esse estilo de vida, basta tentar ser sábio e escolher direito as missões. Olhei pra última questão, que eu sabia que era pra ser resolvida por série de pagamentos, e matei ela com fórmulas de outra matéria. Dane-se. Meu objetivo era descobrir o valor de um parcelamento e eu descobri.

Saí da PUC corrido. Eu precisava de uma cerveja. Liguei pro amigo dos vídeos, que estava com outro faixa nosso, e fomos pro Bell’s, um barzinho super conhecido da Cidade Baixa e também o maior agrupamento de figurantes de curtas de Porto Alegre. O Bell’s é um lugar encantado onde tu encontra de tudo: ogros, lolitas, dublês de Lenny Kravitz, carecas baixinhos que pensam ser Elvis, entre outras esquisitices. Embora a ceva seja gelada e baratinha, não parece ser o tipo de lugar onde tu seria puxado por uma gata para dentro do banheiro das mulheres para conversar com ela mais de perto, parece? Bem, se essa moça tão gracinha ler isso, fique sabendo que meu All Star cano longo é mais clássico e que minha camiseta é lilás, e não rosa. Ah, e também adorei te conhecer.=)

No mais, meus amigos e eu findamos a noite com muita bebida e uma premissa: um deles está saindo do apê onde morava e quer dar uma festa neste sábado para destruir com a estrutura do lugar e a paz dos ex-vizinhos. Segundo informes, metade de Poa vai estar lá. A outra metade vai só tentar entrar.

Eu sou da metade que vai estar lá, e tu?

***

Dica de lugar:

Bell’s Bar: Rua José do Patrocínio, 290 – Porto Alegre

Quer ficar de pé, quase no meio da rua, com um monte de gente que está na mesma situação e dar risada disso enquanto enche a cara com pouca grana? Este é o Bell’s. Um buraco negro inexplicável onde todo mundo se acha (as vezes tu tens de cruzar com criaturas desagradáveis, mas isso é obra da democracia e não do lugar, fazer o quê…). A iguaria culinária do treco é o Bell’s Burguer, que eu cometi o sacrilégio de ainda não ter provado. Dizem que é o lanche de dois reais mais responsa da Cidade de Deus.

De segunda a sábado, o Bell’s é uma ótima alternativa para fim de noite…ou início de dia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O show não pode parar!

É isso aí. Uma semana se passou e agora minha vida está, finalmente, entrando naquela corrida frenética que sempre foi. Com filmagens para este findi e muito para fazer, minhas vezes de Diretor de Produção do curta Os Batedores ganha status de “Deus”. Minhas costas doem e meus ouvidos zunem com as cobranças da função. Quem pensou que vida de cineasta de guerrilha era ficha, repense. Por isso se chama “guerrilha”, filho. Não é tu ir mamar nas tetas do governo e embolsar uma grana de uma lei de incentivo pra fazer uma coisa que, certamente, ficará uma merda na tela. Aqui se gasta do próprio bolso, se transpira pacaralho e se faz tudo por amor, paixão, tesão e diversão. Como diria o Braga: “Independente os colarinhos, rapá”. Ganhou dinheiro, mano, já é “cinema dependente”.

Além do Braga, tenho que citar o saudoso Freddy Mercury, que berrava aos quatro ventos uma verdade incontestável:


The Show Must Go On (Queen)

Empty spaces - what are living for
Abandoned places - I guess we know the score
On and on,
does anybody know what we are looking for...

Another hero, another mindless crime
Behind the curtain, in the pantomine
Hold the line,
does anybody want to take anymore

The show must go on,
The show must go on
Inside a heart breaking
My make-up may be flacing
But my smile still stays on.

Whatever happens,
I'll leave it all to chance
Another heartache,
another failed romance
On and on,
does anybody know what we are living for?

I guess I'm learning,
I must be warmer now
I'll soon be turning,
round the corner now
Outside the dawn is breaking
But inside in the dark
I'm aching to be free

The show must go on,
The show must go on
Inside my heart is breaking
My make-up may be flaking
But my smile still stays on

My soul is painted like the wings of butterflies
Fairytales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends

The show must go on
The show must go on
I'll face it with a grin
I'm never giving in
On - with the show -
I'll top the bill,
I'll overkill
I have to find the will to carry on

On with the -
On with the show -

The show must go on...


E não parou. Oficialmente, estou entalado até o pescoço de afazeres até o dia 09/12 e além. Pré-produção, produção, pós-produção...daí vem meu lado profissional de merda bater na minha porta, minhas obrigações finansérias me mordendo o pescoço e a facul... Caralhoooooooooo, a bendita facul...

Se eu fosse um bundão, pediria férias. Mas quem eu pentelharia nas férias, certo? Então o negócio é seguir o barco (sem vela mesmo, remamos no braço), abraçar tudo e resolver uma coisa de cada vez.

Sim, estou de volta. E o show não pode parar...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Requiém.

Hoje é um dia triste. Um homem de idéias, que se importava com os outros e se interessava pelas coisas simples, um irmão, um amigo verdadeiro, alguém que foi como um anjo no meu ombro este ano, simplesmente morreu. Assim. Vítima de uma forte pneumonia, daquelas que todo mundo um dia teve na vida, mas que o abateu de tal forma que seus últimos dias foram somente de dor.

Este homem, este amigo – esta mão que me acolheu e me mostrou tantas coisas – deu infindáveis certezas do quanto a vida podia ser bonita, do quanto o belo podia se manifestar no simples, no básico, no dobrar de uma esquina, numa singela mensagem de bom dia, numa esperança de um acontecimento trivial qualquer, pois ele conseguia ver a beleza onde, para outros, só havia rotina, só havia o vazio.

Hoje é um dia triste. Essa perda me atordoa de tal forma que sei que nunca mais serei o mesmo. Porque sei que um pedaço de mim se foi. Um pedaço importante. Um pedaço humano muito grande. Aprendi com esse cara a ser sincero, honesto, a esperar coisas boas das pessoas, a ver a humanidade com olhos de criança, que sempre espera por uma brincadeira. Aprendi a confiar, a sorrir sem compromisso, a sugar da vida a vitalidade de um campeão, a manifestar os sentimentos mais puros e lindos que alguém pode ter. Ele me mostrou isso de forma íntegra, sem cobranças, sem esperar nada em troca. Esperava de mim apenas a certeza de que eu me esmeraria em ser uma pessoa melhor. Era sua única meta: me fazer crer que, embora eu sempre tenha apanhado, a vida podia ser boa pra mim e eu podia voltar a ser feliz.

É terrível quando alguém tão crucial para a gente se vai. Desaparece. Deixa de existir. Como se fôssemos um barco, no meio do imenso oceano, e essa pessoa tão especial fosse nossa força motriz, nossa vela. Uma música que ilustra muito do que esse amigo significou para mim é a que está abaixo:

O Barco e a Vela (Carlos Lyra)

O seu olhar, quase sempre distante
em algum lugar que nem imagino.
Talvez eu seja louco o bastante
e vá seguir você até o fim do mundo.

Vaguei sozinho por lugares perdidos,
correndo atrás de alguém que não merecia.
Você me fez olhar pro horizonte
e ver um lado meu que eu não conhecia.

Não sei se o seu barco tem vela,
nem sei se o seu lago tem fundo.
Mas quem quer saber de respostas,
se a vida é tão breve e muda a cada segundo.



E de repente, eu fiquei sem vela...

Hoje é um dia triste. Iniciou chuvoso e persistiu até que um temporal se abateu sobre minha cabeça, prenunciando essa pequena e inconfessável tragédia. Como diria Stalin, a morte de um realmente é uma tragédia, e a de muitos, uma estatística. Tenho medo, muito medo, que a morte de hoje tenha me transformado em alguém como esse russo.

Amigo, espero que tu faças tantas outras pessoas felizes como me fez, mesmo que por um punhado de meses. Te conheci por pouco tempo, tentei aproveitar o máximo dos conselhos que me deste, tentei ser uma pessoa melhor. Infelizmente, meu grande amigo, meu novo e velho muito velho amigo, sem ti, eu não conseguirei ser uma boa pessoa. Não conseguirei ver coisas boas como vi, nem sentir o que senti, nem me doar como me doei, pois contigo, como eu disse acima, foi embora o pedaço de mim que mais valia a pena.


Adeus, meu amigo, e obrigado. E se um dia voltares, eu estarei aqui, de braços abertos, para sorrir de novo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Festa a Fantasia

Depois de um dia cheio, no sábado passado, chegou as 23:00h e a iminência do “nada pra fazer” começou a me apertar. Parceiros de festa viajando, aquele sono que não chega...Resolvo então ligar para a criatura mais improvável que existe (não, não era Bilbo Bolseiro, mas também possui cabelos cacheados): um grande amigo que havia desaparecido das nossas vistas. Segue conversa telefônica:

- Fulano, estou sem pai nem mãe. Meus chapas sumiram e não sei onde é a noite.

- A noite hoje é Festa a Fantasia no Beco. Bebida liberada. 45 pilas sem fantasia e 30 com. Mas te aviso que estarei acompanhado.

- Vou pensar. Qualquer coisa te ligo.

Cheguei em casa e fiquei pensando: O Beco...putz, falam tão bem do lugar, mas também falam tão mal. Conhecia o local na época do “Cabaret Voltaire”, e agora era o “Cabaret do Beco”. Onde diabos vou achar uma fantasia há essa hora pra economizar 15 real? Fucei nos recônditos da minha imaginação e me fiz de louco.

- Tchê, arrumei a fantasia. To indo praí.

Descobri que meu amigo, disfarçado de “Bon Jovi”, estava acompanhado de uma “Rainha das Trevas” e que iríamos pegar mais um casal e uma amiga para seguirmos ao Beco. Logo o carro (carinhosamente apelidado de “Ecto 1”) estaria recheado com um astro do rock dos anos 80 na direção, uma monarca do mal no banco da frente, uma espanhola, uma cantora pop star também dos anos 80, Bono (do U2) em pessoa e um perito criminal (that’s me).

O Beco...

Na frente, uma placa dizendo “Bem-vindo ao Inferno!” nos dava as boas vindas. Em uma recepção no fim da escada (ou seria no início???), montada nas coxas, uma mulher gorda vestida de não-sei-o-quê fazia o interrogatório:

- Tá vestido de quê?

- De Bad Boy, dizia o Bon Jovi.

Quando chegou minha vez e ela me fez essa pergunta, apenas estalei a luva cirúrgica da mão direita e fiz cara de mau. A gorda fez sinal negativo com a cabeça e me alcançou uma entrada de 30 pilas. Eu estava dentro.

O lugar continuava quase o mesmo, só que mais decadente. O bar, logo na entrada, convidava o pessoal a se entragolecer de cara, coisa que nossa roda fazia com destreza. Ceva vai, ceva vem, e a música tocando alto. Muitos estilos, mostrando que o DJ estava realmente chapado.

Não demorou muito para que a roda descesse até o “submundo” do Beco: a pista de dança, o lugar onde as coisas acontecem por lá. Dei uma boa olhada e respirei fundo. Logo uma garota vestida de diaba segurou meu braço e me puxou. Contagem: 1, 2, 3, plim, 5...ops. Sim, o Beco ainda é um cabaret, e quem disser que lá não rola nada, provavelmente está tentando te vender um nabo. Cuidado, mermão...

Ponto alto da noite: eu, apoiado no balcão, cantando “Enjoy The Silence” junto com uma mina vestida de Cleópatra. Graças a isso, acabei virando “habitué” do local, pois nenhum lugar do mundo te proporciona isso, só o Beco. Segue a letra da música:

Enjoy the Silence (Depeche Mode)

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can’t you uderstand
Oh my little girl

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

And forgettable
All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

All i ever wanted
All i ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm

Enjoy the silence

A cantora pop star já havia se rendido ao álcool e minha bexiga lutava contra alguns junkies na fila do banheiro, que empacavam o acesso querendo cheirar alguma coisa: lamentável. O restante da roda já havia se dispersado, sobrando apenas o astro irlandês e sua espanhola tirando fotos.

Mais algumas circuladas (e circulantes) depois, acabei saindo do Beco sozinho, lá pelas 7 da manhã de domingo, caminhando trôpego pela Av. Independência até chegar na minha cama.

Domingo ainda seria beeeeeeeeeem longo...

***

Dica de lugar:

Cabaret do Beco: Av. Independência, 590 – Porto Alegre

Ambiente um pouco opressivo, junkies e gurizada (alguns ficam no estado do piá da figura acima), mas a birita é gelada, a música é boa e a satisfação é garantida. Toda quarta rola bebida liberada a 20 merréis.

Tais afim?