sexta-feira, 16 de abril de 2010
Churrasco do Sapão.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Jogos viciantes: ROBOT UNICORN ATTACK
SIM, ISSO FOI UM AVISO: SE FOR DEMITIDO OU SEU CASAMENTO IR LADEIRA ABAIXO, ESSA É A PROVA DE QUE VOCÊ FOI AVISADO.
"Mas por que indicar esses jogos então?" - Você pergunta.
Eu respondo: "Oras, porque eles são divertidos."
Parece simples, mas não é. Embora todo o controle do jogo resume-se a dois botões (Z e X), a velocidade do tal unicórnio vai aumentando proporcionalmente à sua vontade de bater seu próprio recorde (é sério, o treco é tão viciante que passei mais de uma hora jogando isso hoje, tendo uma penca de coisas pra fazer em casa), e tudo embalado por uma musiquinha incessante que lhe remete à contos-de-fadas-estilo-História-Sem-Fim (Always, do Erasure, cortesia do Sapão, que sabe tudo de Erasure =P). Quando for jogar, jogue sem a música para não ser hipnotizado. #ficadica
Para jogar Robot Unicorn Attack, clique AQUI!
Estratégia: 1 Habilidade: 9 Jogabilidade: 10 Visual/Som: 8,5 Vício: 10
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Dicas do Fauno.
...é que quase todo mundo morre no final (e de formas bem feias de se ver).Pensando nisso, este blog traz DEZ dicas quentíssimas de sobrevivência para o personagem que quiser passar ileso pelo banho de sangue que é O Labirinto do Fauno.
1 – Não cace coelhos perto de um posto militar em meio à Guerra Civil Espanhola. Seu nariz agradece.
2 – Se o fauno lhe der uma missão e apenas um toco de giz para executá-la (e não uma metralhadora), mande ele enfiar ambos em um lugar onde o sol não bate.
3 – Se você estiver infiltrado em um posto militar e quiser roubar mantimentos de um depósito trancado por um cadeado, não use a chave para abrir o tal cadeado, e sim um pé-de-cabra. Desta forma, não desconfiam de “trabalho interno”.
4 – Se encontrar uma batata mutante que mais parece um dente pré-histórico debaixo da sua cama, deixe-a lá (até porque, provavelmente, ela é fruto da sua imaginação).
5 – Nunca dê as costas para um prisioneiro com as mãos amarradas para frente (essa regra aplica-se a qualquer filme).
6 – Se o fauno lhe pedir sangue inocente, não precisa levar um tiro. Basta fazer um furinho na ponta do dedo com um canivete.
7 – Se você encontrar penicilina em uma clareira onde antes haviam fugitivos, desconfie do médico mais próximo.
8 – Se as fadas estiverem voando feito doidas e aparentarem estar sob efeito de drogas, fique alerta.
9 – Se você for gago, não seja capturado (isso vale para quem não é gago também, mas sendo gago, além de quebrarem todos os seus dedos, ainda irão zoar da sua gagueira, e isso não é legal).
10 – A dica mais importante de todas: se o fauno lhe disser para não comer nada, NÃO COMA!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Fundação de Papai Noel
Em sua primeira imagem, publicada em 1863 na revista Harper's, de Nova York, Papai Noel - chamado de Santa Claus - era um gnomo gorducho entrando numa chaminé. Nasceu da mão do desenhista Thomas Nast, vagamente inspirado nas lendas de são Nicolau.No natal de 1930, Papai Noel foi contratado pela Coca-Cola. Até então, não usava uniforme, e em geral preferia roupas azuis ou verdes. O desenhista Habdon Sundblom vestiu-o com as cores da empresa , vermelho vivo com filetes brancos, e deu a ele os traços que todos conhecemos. O amigo das crianças usa barba branca, ri sem parar, viaja de trenó e é tão rechonchudo que não se sabe como consegue entrar pelas chaminés do mundo, carregado de presentes e com uma Coca-Cola em cada mão.
Tampouco se sabe o que ele tem a ver com Jesus.
(GALEANO, Eduardo. Espelhos – uma história quase universal. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2008, p. 67\68)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Em breve...
Aguardem.
P.S: Não, não comi cogumelos.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Campanha Encantada.
Em volta de uma grande mesa, figuras como Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos, a Fada Madrinha e o Espelho Mágico (entre muitas outras criaturas e personagens famosos) discutem maneiras de proteger as crianças dos acidentes de trânsito, cujos números de ocorrência chegaram na casa dos 20 mil, apenas no ano de 2006.
Idéias como "construir casas sobre rodas" ou "levar todas as crianças para a floresta, onde não tem ruas" são colocadas na pauta, debatidas em clima de reunião. Além de diálogos belos e engraçados, os vídeos possuem ótima direção e produção de primeira: os atores e atrizes são muito bem caracterizados em seus papéis fantásticos, com escolha de casting feita à dedo.
A campanha Ajude a Salvar Nossas Crianças - Cuide Delas no Trânsito foi um investimento de R$12, 6 milhões dos fundos do Denatran (entre distribuição em emissoras, rádios, outdoors, buldoors, folderes e cartazes) que denota a intenção de prevenção adotada pelo Governo Federal. Na minha opinião, uma grana bem aplicada.
Você pode conferir os vídeos nestes links do YouTube distribuídos ao longo do texto, ou pode baixá-los no próprio site do Ministério das Cidades, clicando aqui.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
A Revanche.
Há muito tempo, em um lugar muito, muito distante...À noite, o guerreiro já pensava na batalha vindoura. Conforme dizia em seu manual de táticas de guerra, visitou o terreno e verificou suas armas duas vezes. Estavam ali, sedentas por ação. Na primeira e única vez em que enfrentou o monstro, o guerreiro levou a pior. Sua inexperiência e impetuosidade o fizeram arder em chamas violentas. Havia sido sua primeira derrota e aquilo lhe deixou com um sabor amargo na boca por muito tempo. Sabia o que tinha feito de errado e prometeu para si que não colocaria mais os pés pelas mãos e que teria a atenção, a seriedade e a humildade necessárias para vencer o seu inimigo.
A manhã chegou ensolarada. Com ela, a fatídica revanche. Ele levantou cedo e pegou a munição que faltava. Verificou uma terceira vez os apetrechos e, ao perceber que tinha tudo o que precisava para vencer, respirou fundo e lançou, mais uma vez, o desafio para seu nêmesis.
Quando o sol se posicionou no ponto mais alto do céu, o combate teve início. Um duelo feroz, onde o inimigo queimava e desafiava. Embora manuseasse suas armas com certa destreza, nada impedia o guerreiro de queimar as mãos quando estas ficavam próximas da enorme bocarra, que cuspia bolhas assassinas e proferia blasfêmias, tentando incutir-lhe a idéia de que aquele não era o seu lugar, pois ele não era um guerreiro de verdade.
Depois de uma hora e meia de hostilidades e canglores, a batalha teve fim. Ofegante, o guerreiro constatou que finalmente teve sua revanche e conseguiu vencer o inimigo. Com a carne do enorme corpanzil abatido, foi recepcionado com odes de alegria por seu povo, já que sua vila não passaria mais fome. Seu nome foi entoado como o implacável guerreiro que provara ser, e sua prometida finalmente aceitou seu pedido de comunhão. Ambos casaram e foram felizes...para sempre.
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Hoje e aqui...
Ele decidiu que mudaria seu destino. Mesmo sendo um inexperiente cozinheiro, havia feito alguns pratos diferenciados com sucesso até três semanas atrás, quando tentou cozinhar aquela bendita costela e a queimou miseravelmente. Mas desta vez seria diferente, afinal, como dito acima, ele decidiu que mudaria o seu destino.
Quando amanheceu, ele acordou antes do que estava acostumado e se meteu em um supermercado para comprar os ingredientes que faltavam para o prato: coca-cola, molho shoyu e café. Peraí, estamos mesmo falando de costela? Sim, senhor. Não estamos mais nos tempos farrapos e Costela Negra, hoje em dia, se faz assim.
O relógio bateu meio-dia e o cozimento teve início. Ele lembrava que, da outra vez, havia caído no truque sujo da farinha de trigo, que grudou violentamente no fundo da panela e o levou a bancarrota. Desta vez, ele estava preparado e mexeu o caldeirão incessantemente com uma colher, praguejando enquanto queimava as mãos ocasionalmente. A panela nada dizia, pois panelas não falam.
Quase duas horas depois, ele apagou o fogo. O aspecto estava soberbo, escuro, negro como deveria ser. O cheiro era forte, marcante, e deve ter impregnado boa parte do prédio. Ele havia feito um arroz para acompanhar e serviu ambos num prato. Sentou-se a mesa, notadamente cansado, e olhou para o almoço fumegando à sua frente. Deu a primeira garfada.
Ele não foi recepcionado por ninguém, não teve seu nome entoado e chamá-lo de cozinheiro seria xingar toda uma espécie. Sua prometida está a um oceano de distância e se matou a fome de alguém, foi a sua própria...
...mas ele conseguiu. A Costela Negra ficou DO CARALHO.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Noite...

Era pouco mais que nada quando viu aqueles olhos. Brilhantes. Indagadores. Verdes. Mais que os seus. O filme era só um filme, mas tinha som de tapas. E de risadas também. E ela ria. E aquele som – de risadas, não o de tapas – era o som mais bonito que ouvia em muito tempo. Desde quando ele nem lembrava mais. Não precisava lembrar. Tinha-o ali, tão perto de seus ouvidos. E aquilo era só o que precisava, mas não. O sorriso também era um presente. Dentes alvos, enfileirados em uma boca sapeca. Um sorriso de infância. Como se estivesse sempre lá, mas só naquele momento poderia finalmente alcançá-lo.
Quando saíram da sala escura, a noite lhes cumprimentou. – Por aqui, por favor, dizia ela, anunciando que estava ali e que, embora separasse homens de crianças, ela própria era um infante. Não era bom com estações. Era inverno, ou outono, ele não sabia. Mas sabia que era frio. E frio combina com vinho, seja homem ou sombra no brinde. Estava preparado apenas para os tapas, mas aceitou o convite da noite, e a companhia dela.
Naquele bar de nome estranho, sentaram-se. Tivera momentos ali antes, mas estes fugiram de seus pensamentos. Como se contasse apenas daquele momento em diante. E assim o era. Conversas. Descobertas. Olhares. Taças. Uma decisão de horas. Ele não estava preparado. Mas ela estava, então estava tudo certo. Ele poderia ficar ali para sempre. Se sentia assim, leve. E se voar é para os pássaros, ele tinha penas e um grande bico.
O lugar fechava cedo, mas era cedo também lá fora. Foram para o bar de fim de noite preferido da Cidade Baixa, mas a noite deles estava no início. Trocaram frivolidades. Contaram segredos. Abriram caixas. Destrancaram corações. Ela o dele. Ele o dela. Não havia flerte. Nem indiretas. Nem investidas. Não pensavam em procurar, mas se encontraram um no outro e não eram mais solitários. Nenhum dos dois ainda sabia, mas já tinham certeza, como se suas vidas dependessem disso. E dependiam. E dependem.
O relógio anunciava o tempo inexorável. Hora de ir. Ele não queria. Ela também não. Estava em seus olhos. Nos dele também. Não houve insistência. Nem resistência. Ainda conversaram enquanto caminhavam até o ponto de táxi. O mesmo ponto de táxi onde ele nunca pegou um. Mas desta vez era diferente. Tudo diferente. Não sentia mais rancor. Nem ressentimento. Ela estava ali, se despedindo e abraçando-o. E seu abraço era apertado. E esquentava, e acalentava o frio que não vinha mais de dentro. Não houve beijo. Ele queria. Ela também. Mas não houve.
Ela embarcou no táxi. Ele acenou. Aquela foi a primeira. Outras viriam. Estavam certos disso, mesmo sem saberem. E aquilo era mágico. E bastava.
Ele não era mais criança.
Não era mais sombra.
Finalmente e novamente, um homem.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Algumas (in)verdades natalinas.

Chegou o fim do ano, e com ele, toda aquela agitação dos “3Ps” (peru, presentes e promessas) que enchem as lojas com os mais variados tipos: do novo rico (que dormiu pé-de-chinelo, acordou milionário, e ainda pensa que champange é uma espécie de guaraná), ao populacho (que escolhe a roupa mais colorida no Balaião Oba Oba, ou o brinquedo mais barulhento no camelô, e passa no cego da esquina pra comprar um papel de presente mais “bunitu”). É claro que há também os chiques, os ricos de berços e os famosos de reality-shows, mas isso eu deixo para a Caras.
Olhando daqui, ele até parece um cara sério...
Neste correrê miserável, destaca-se a figura rotunda e emblemática do Papai Noel, aquele velho de barba grisalha e saco convidativo, que é puxado por renas de nomes cabalísticos (Cometa, Cupido, Trovão, Relâmpago, Rodolfo (?), etc...). É certo que, nos dias atuais, onde a informação corre mais que as tais renas, a pirralhada já está a par da “inexistência” do Papai Noel: sabem que há um tio beberrão por trás do casaco vermelho e da barba falsa, e que os presentes não são confeccionados por duendes (no máximo por pequenos chineses em fábricas de trabalho escravo, mas eles não usam gorros).
São Nicolau: o criador da bagaça.
O que pouca gente sabe é que o senhor conhecido como Papai Noel (ou Pai Natal, ou simplesmente Santa), não só existe, como não é exatamente um “bom velhinho”. Claro que há aquela fábula na qual, no século IV, um arcebispo chamado Nicolau Taumaturgo dava dinheiro anonimamente para os infelizes da sua região, jogando sacos de moedas pelas chaminés e implantando o que seria o primeiro exemplo de espírito natalino. Uma história bastante crível, na verdade, uma vez que a Igreja Católica sempre teve cacife para bancar empréstimos e os pobres daquela época usavam chaminés (ao contrário de hoje, onde lareiras são primazias de classes mais abastadas).
Santa e o Líquido da Vida.
Porém, o que foi criado como um gesto de solidariedade e união, vem se denegrindo com o passar do tempo. De São Nicolau dos devedores fodidos, o velho gorducho pulou para uma versão mais digerível, tanto comercial, quanto esteticamente (convenhamos, seria difícil de engolir ter de fazer compras e ser recepcionado por um arcebispo na entrada da loja). A internet cuidou para que fosse divulgado por aí que a imagem do Papai Noel como a conhecemos foi inventada numa campanha de marketing da Coca-Cola, por volta de 1930. Na verdade, o cartunista americano Thomas Nast foi o primeiro a divulgar um retrato-falado da lenda, em 1886, após encarar uma noite de tragos homéricos e orgias desavergonhadas com o homem: nascia o Papai Noel como o conhecemos hoje, de casaco vermelho e trenó, para combinar com o inverno do hemisfério norte.
O Papai Noel de Nast: aquilo ali na cintura dele é uma espada???
Uns poucos aventureiros ousam contar a história maquiavélica do verdadeiro Papai Noel. Oficialmente, trata-se de um bom velhinho que percorre o mundo em uma única noite, distribuindo presentes. Mas corre boatos de toda sorte: uns dizem que Papai Noel, na realidade, é um arcanjo que paga por sua ambição e seu castigo é pegar crianças ranhentas no colo e dar-lhes um pirulito durante os dois últimos meses do ano, em shoppings super lotados. Outros podem jurar que o Santa é um tremendo preguiçoso, deixando todo o trabalho sujo para seus sósias, espalhados no mundo todo, enquanto um garçom chamado Elvis Presley lhe serve água de côco em uma ilha paradisíaca.
Santabot: o implacável Papai Noel de Futurama.
Na HQ Lobo: The Paramilitary Christmas Special, vemos que o Coelhinho da Páscoa contrata o Lobo para matar o Papai Noel (e eliminar a concorrência), e descobrimos que o “bom velhinho”, na verdade, é um empresário facista que escraviza gnomos em uma fábrica de brinquedos. É uma história de ficção, claro (afinal, o Lobo não existe), mas já denota que há algo de podre no reino da Lapônia. Em Futurama, um pouco mais do verdadeiro caráter do Papai Noel é revelado em uma belicosa visão do futuro, onde ninguém sai de casa na noite de Natal, sob risco de ser vítima de um Papai Noel robô homicida. Nada mais justo.
Batida Policial em Dezembro de 1995.
O que sabemos com certeza é que o Papai Noel existe e tem um complexo industrial no Pólo Norte. Segundo sua última declaração de bens, ele também possui um Passati 86, um apartamento de dois quartos na Lapônia e uma residência de verão
Papai Noel em boa companhia.
Por essas e outras, podemos concluir o porquê do Natal ser uma época tão dúbia, afinal, seu representante mais ilustre não decide se é um cara legal ou um velho sem-vergonha. Algumas pessoas ficam contentes e assam seus perus (ui). Outras preferem curtir sua depressão em paz e saltar de um prédio de 12 andares. Se perguntarmos ao Batman o que ele pensa do assunto...
terça-feira, 27 de maio de 2008
Sobre as Nomenclaturas.
Palavra complicada. Sentido simples. Nomear coisas sempre foi uma diversão. Saber nomear coisas, uma arte. Um desafio. A maioria das pessoas não se importa com isso. Ignoram o poder do nome. Ancestral. Visceral. Um nome errado na coisa certa. Pior. Um nome certo numa coisa errada. Uma coisa errada com nome errado então, um aborto. Ele sempre foi metódico com tudo. Principalmente nomes. Gostava de usar apenas uma palavra para definir as coisas. Cansava menos. Parecia lógico. Como o prático que pensava ser, sentia essa necessidade de perder menos tempo de vida. Dispensar frases inteiras que podiam – deviam – ser substituídas por um simples nome. Não via mal nisso. Tinha noção, mas não tinha a plenitude da arte de nomear.
Lembrou de um conto de fadas, onde duas encarnações, Mazel e Shilimazel, duelavam pelo vinho do esquecimento. Mazel era um bom espírito. De boa fortuna. De boa vontade (ela de novo). Shilimazel, o oposto: mesquinho, sórdido. Como todas as divindades que se prezem, os dois resolveram fazer uma aposta cuja marionete era um mero mortal: em um ano, Mazel faria deste plebeu um homem rico e bem conceituado e Shilimazel estaria incubido de fazer este homem perder tudo em um segundo, assim que este ano findasse. Graças a um erro de nomenclatura, onde este homem chama uma “leoa” de “cadela” por influência de Shilimazel, o pobre diabo perde tudo o que conquistou – inclusive sua liberdade – e é sentenciado à morte.
Nomes são poderosos. Ele repensou essa história e decidiu que tentaria, a todo custo, dar nomes ideais para tudo. Desde sensações até situações. Não queria ser sentenciado. Sabia que guerras haviam começado por nomenclatura equivocada. Não queria isso para a sua vida. Mas ignorava a existência de pessoas que não gostavam de nomear as coisas. Por medo. Por peso da palavra. Por estígma. Mais uma prova de que nomes são poderosos. Contêm cargas. Às vezes pesadas. Às vezes pesadas demais.
Descobriu que existem tais pessoas. Descobriu que existem coisas inomináveis. Descobriu-se inapto à nomenclaturar. Como o islâmico que passou a vida toda ajoelhando-se para o lado errado. Deu nomes errados para coisas que julgava certas. Uma forma de enganar-se. Talvez. Pessoas adoram chamar amor de paixão. Ou paixão de desejo. Ou desejo de vontade. Ou alguma coisa de alguma coisa. Não importa. Por mais poderoso que seja, o nome não modifica o fato. Não modifica o ato. Pode começar uma guerra, mas uma guerra continua sendo uma guerra, não importa o nome que tenha.
A necessidade da nomenclatura existe, afinal. Mas existe também a necessidade de ponderação em detrimento da urgência do nome. Saber nomear é saber esperar pelo nome certo. Uma hora ele aparece. Uma hora ele aprende.









