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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Em terra de Artigas - Parte 2.

El Entrevero

Seguindo os relatos das minhas aventuras em Montevideo, vamos falar um pouquinho sobre quem nos trata muito bem quando nós, estrangeiros, estamos por lá: o povo uruguaio.

Como a capital uruguaia vive cada centímetro de suas ruas direcionada para o turismo, nada mais natural que seus habitantes sejam receptivos, amáveis, educados (inclusive, não há UM único uruguaio que não entenda português) e atenciosos. Algumas curiosidades acerca desse pessoal tão bacana vale a pena mencionar, a começar pela forma de se vestirem: nada aberrante e nem fora do normal, com um certo ponto para os homens que, segundo uma amiga minha, conseguem ser mais elegantes por lá. O interessante em suas roupas é que, faça chuva ou faça sol, eles estão sempre munidos de uma camiseta ou camisa, um blusão de lã e um casaco quente. Se fizer 5º ou 35º, eles estarão vestidos desta forma.

Outra indumentária indefectível é o amado mate a tira-colo. Se alguém ainda pensa que o Rio Grande do Sul é a sede mundial do mate, é porque não conhece Montevideo. Lá o chimarrão é tão difundido que há placas do tipo "Proibido Beber Mate" nos locais onde é proibida a entrada de alimentos (como museus, por exemplo).

Mercado Del Puerto

Como prometido, vou abordar uma das grandes motivações para o pessoal (principalmente daqui do sul) ir ao Uruguai: o preço das coisas. Ao contrário do que muita gente acredita (inclusive eu, antes desta viagem), Montevideo não é um lugar barateiro como os freeshops de Rivera o fazem parecer. Alguns artigos até beiram aos valores do Brasil, mas muitas coisas importantes (comida, por exemplo) podem sair bem caras. Tanto que dá pra tentar imaginar como o povo de lá consegue sobreviver com o que eles ganham de salário mínimo (em torno de 3500 pesos). Não que aqui no Brasil seja diferente (um salário mínimo aqui continua sendo um ultraje), mas a comida em Montevideo é exponencialmente mais cara. Para se ter uma noção, paga-se 35 pesos por um cafezinho (por sinal, o café lá é péssimo) e quase 500 pesos por um prato de arroz com entrecot no Mercado Del Puerto. No Supermercado Tata, a situação não é muito diferente: 45 por um refri 2 litros (que aqui saí por 2 real) e esfaqueamento quando o assunto é carne.

Nhoc!

O grande truque dos mochileiros nesta cidade é se abastecer com lanches que, em geral, saem pelo mesmo valor daqui. Uma hamburguesa (espécie de hamburguer com quase tudo dentro) sai a 50 pesos. Não encontrei bons panchos, mas há inúmeros trailers de rua que vendem 2 por 180 pesos. E já que estamos falando de gastronomia, se um dia fores à Montevideo, não deixe de provar um sorvete artesanal nas barraquinhas da La Cigale, a míseros 37 pesos. O de ferrero rocher é, de longe, o melhor sorvete que já tomei na vida.

E se as pessoas da cidade são peculiares, o que dizer dos pombos? Desde que minha namorada e eu chegamos em Montevideo, percebemos que as aves de lá são o que chamaríamos de "tratadas a Toddy". Só no terceiro dia que descobrimos como os uruguaios alimentam seus bichinhos alados.

ATENÇÃO, SE VOCÊ LEITOR(A) FOR MENOR DE IDADE, CARDÍACO (A), GRAVÍDA OU EMO, SUGIRO FORTEMENTE QUE PARE DE LER AQUI, POIS A FOTO A SEGUIR PODE CHOCAR OS MAIS SENSÍVEIS:

Ah, não percebeu do que se trata? Vamos aproximar um pouco mais...

Ainda não sabe o que é? Chega mais perto...

Como diria meu amigo Sapão...CARAAAAAAIII, MEU, OS BICHO COME CARNE! NINGUÉM ME CONTOU, EU FOTOGRAFEI!

Não é a toa que tiveram de mandar robos gigantes para destruir Montevideo...




A seguir: a noite e a máfia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Em terra de Artigas – Parte 1.

Sim! Minha namorada e eu perambulamos por Montevideo em quatro dias de muito bate-perna, pechincha, cálculos cambiais, e todo um universo e estilo de vida que nos mostrou o quão intrigante e bela é a capital uruguaia.

Acredito que um único texto não permitirá que eu enumere o que vale a pena na cidade, mas tentarei ser sintético e apontar alguns locais bacanas, dicas e, principalmente, as esquisitices de Montevideo. Acreditem-me, há várias...e tenho fotos disso.


Começo avisando que é muito raro, para mim, viajar. As vezes por problemas de grana, mas principalmente por falta de tempo, acabo postergando esse tipo de experiência e, quando se mostra a oportunidade (leia-se: Gol fazendo promoção de 75 pilas a passagem de avião), daí só há duas formas de fazer a coisa:


- Ou você compra um pacote bonitinho e hermético na CVC;
- Ou você vai de mochilão (e arrasta sua namorada no processo).

Este relato serve para pessoas que fazem suas próprias regras na hora de viajar e não se importam em ficar em hotéis de terceira ou de pegar busão para não ser golpeado nas bolas por um taxista estrangeiro. E falando em táxi, tente não cair nessa ao aterrissar no Aeroporto de Carrasco, o único e ermo aeroporto da capital: entre pagar 400 pesos (equivalente a 40 reais) em um táxi chamado (ou o dobro em um táxi do próprio aeroporto), prefira os 25 pesos (R$2,50) que os ônibus da Copsa cobram pra te levar à civilização.

Peso Uruguaio: para saber quanto vale em Real, divida por 10.

Não há muito o que ver nos quase 50 minutos de viagem até o centro de Montevideo, e o ônibus provavelmente será um de velha safra (muitos dos veículos da cidade pararam no tempo, e isso se aplica principalmente à sua frota viária), mas a música do rádio escolhida pelo motorista – certamente – será um bom e velho Rock’n Roll. De início, pensávamos que se tratava apenas do bom gosto do motorista, até que descobrimos que é unânime entre os condutores o hábito de ouvir boas músicas (dos anos 50 aos 80).

Além do rádio confirmado, há uma chance (grande) de um músico entrar no veículo e começar a tocar por uns trocados (como esses artistas de rua). É impressionante como isso é institucionalizado lá (provável efeito da crise uruguaia, que abordarei mais tarde): em uma de nossas andanças via ônibus, por exemplo, um conjunto de três violeiros entraram e deram um show.

Hotel Arapey: parece ou não parece spam de foto mal-assombrada???

O Hotel Arapey merecia um texto inteiro só pra ele, mas como ando preguiçoso, vai ter de se contentar com um parágrafo. O site do hotel já prometia a melhor relação custo X benefício e uma leva de fotos que mostravam um lugar no mínimo kitsch, mas nada prepara você para um hotel cujo elevador não tem porta interna (uma amiga sugeriu que tentássemos experimentar a sensação de escalar paredes – alá Homem-Aranha – enquanto o elevador subia, e logramos êxito), onde a decoração e o próprio prédio pareciam saídos de uma novela de época da Globo, e onde o quarto tinha UM PALCO (o nosso era o único, demos sorte). Nem preciso dizer que só isso já pagava a viagem.

Quando o assunto é arquitetura, o centro de Montevideo é uma mistura de tudo. Vemos edifícios novíssimos (como o da Presidência, situado na Praça Independência), prédios de médio porte em todos os estados de conservação e, claro, casas e prédios antigos, MUITO antigos (do tipo uns 150 anos, pra mais). O Palácio Salvo, por exemplo, foi uma das construções de época (datado de 1925) que mais me embasbacou: não apenas por seu porte e beleza, mas porque ele ainda hoje é um edifício residencial e, mesmo sendo um tesouro, é proibida a entrada de pessoas que não moram lá. Tive de me contentar em perambular pela gigantesca galeria no térreo.

Palacio Salvo: quem, em sã consciência, NÃO moraria num lugar desses?

É fascinante essa aura de conservação histórica e artística que permeia na cidade toda: das placas douradas com nomes de famílias e profissões afixadas nas portas, às praças bem cuidadas, dos estabelecimentos com charme europeu, às milhares de estátuas e obras espalhadas pela cidade toda. Uma estátua, em especial, é praticamente onipresente em Montevideo (e no Uruguai todo, afinal): o imponente José Artigas, montado em seu cavalo, é uma constante de bronze. Sério, devem existir algumas centenas dessas estátuas do militar pela cidade.


A seguir: o povo, os preços e os pombos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Um sonho DAQUI!

Estreou nesta terça-feira o média-metragem Sonho Lúcido, novo expoente da produtora independente Tarântula Filmes, em parceria com a produtora InMovimento, ambas de Porto Alegre. Dirigido por Pedro Breitman e Maurício Gyboski e roteirizado por este último, o filme conta a história de Antônio Carlos, um rapaz que enfrenta a dúvida cruel que recai sobre quase todos os jovens de classe média-alta: para qual curso prestará o vestibular. Embora exista uma tradição familiar que o envereda para a medicina, Toninho não faz a menor idéia do que fará, até que um sonho (o “sonho” do título) pode lhe dar a resposta.

Com esta fórmula simples (e que está no trailer, que você pode conferir aqui), Maurício e Pedro retornaram a dobradinha que iniciaram com o curta-metragem InPoliticamente Correto, filme também independente com o qual concorreram em vários festivais de cinema pelo Brasil e com o qual venceram alguns prêmios (para assistí-lo no YT, clique aqui para a Parte 1 e aqui para a Parte 2 ). Como estes dois filmes foram os primeiros e únicos da dupla (por enquanto), não há como não traçar paralelos entre ambos. Antes de iniciar esta resenha, devo abrir um parênteses e lembrar que trata-se de dois espécimes do curta-metragismo independente gaúcho, e quando cito aqui a palavra “independente”, quero dizer que não há Governo, não há lei de incentivo e nem um anjo da guarda milionário que segura as pontas: tudo é feito com verba própria dos realizadores, apoios não-financeiros de algumas entidades e empresas e muita disposição e amor à sétima arte. Desta forma, posso dizer que Pedro e Maurício (este último com quem já contracenei e trabalhei em três curtas) são meus colegas no núcleo de cinema de guerrilha de Porto Alegre.

A primeira coisa que salta aos olhos em SL é a qualidade visual que, comparada ao InPoliticamente, deu um grande salto. Não só pela bitola (de DV para XD), mas também pela técnica (takes mais sólidos, uma ótima fotografia) e a arte, que erra na escolha de algumas locações, mas se desculpa com o espectador ao criar sets muito realistas e acertar em cheio nos figurinos. Se em InPoliticamente alguns desses aspectos tinham problemas, o roteiro de Gyboski para este novo filme perde para o anterior ao arriscar menos em sua densidade e verborragia, conferindo um clima mais cômico à SL ao passo que, em InPoliticamente, constituía-se em humor negro. Haverá quem goste e se identifique com o texto, claro, mas minimizando os riscos da narrativa, o filme perde chances de deslanchar nas várias situações que apresenta acerca dos possíveis futuros de Toninho. Um artifício que coincide mais com a intenção do Maurício de nos trazer uma comédia dramática, e não propriamente um drama.

Vale salientar também o elenco do filme, que traz uma boa tríade de protagonistas. Felipe De Paula consegue transmitir a insegurança juvenil do personagem principal, que encontra a si mesmo 30 anos no futuro em várias situações (algumas engraçadas para o público e outras sérias para qualquer um). Ingra Liberato faz sua parte e traz caras, bocas e sotaques para as várias pesonagens que interpreta (ora como empregada, ora como esposa, ora como cliente ou senhoria de Antônio Carlos). Mas há de se destacar as atuações de João Diemer como as várias versões do Antônio Carlos do futuro. O ator (que já havia trabalhado com os diretores em InPoliticamente, onde não tinha sido tão bem aproveitado) consegue superar o restante do elenco com interpretações sutis e verossímeis. Percebe-se que todos os Antônios são a mesma pessoa, mas percebe-se também que cada um deles foi modificado por uma história de vida distinta. Para um ator conseguir transmitir isso, ele tem que ser, no mínimo, excelente. Por fim, o filme traz também a premiada atriz Araci Esteves fazendo uma ponta como a mãe de Toninho.

O média estará em cartaz (somente em Poa) no Cinebancários (Rua General Câmara, 424) até o dia 23 de novembro (dia 21 no horário das 14:30h e nos dias 22 e 23 no horário das 15h), um dos mais novos e charmosos cinemas da capital gaúcha, cujo slogan é “Uma janela para o Brasil”, enfatizando a importância de divulgar o trabalho do cinema nacional (inclusive, e principalmente, o independente). Depois do dia 23, o filme segue com exibições e debates na Sala Redenção (Campus Central da UFRGS), do dia 24 ao dia 27 de novembro (no horário das 14h), sempre com entrada franca.

***

Dica de filme:

Sonho Lúcido
Diretores: Pedro Breitman e Maurício Gyborki
Elenco: Felipe de Paula (Antônio Carlos), João Diemer (Antônio Carlos no futuro), Ingra Liberato (Doralice, Sueli, Dededa Labanca, Serena, Jurandir, Helena), Araci Esteves (Dona Margot), Duda Cardoso (Junior, Netinho), Renata de Lélis (Francine)
Duração: 30 minutos
Gênero: Drama
Ano: 2008

Vale a pena ir conferir Sonho Lúcido por uma penca de razões: é divertido, faz pensar, é daqui (somos bairristas, e daí?), o Cinebancários tem cheiro de carro novo...sei lá. Mas acredito de verdade que a principal razão pela qual você deve ir ver o filme seja para que os gaúchos tomem conhecimento do trabalho de seu próprio pessoal e para que tenham consciência de que há qualidade e paixão cinematográfica em cada esquina desta capital. É só procurar e prestigiar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sábado animado...ou nem tanto.

Buenas, faz um bom tempo que não posto nenhuma notícia normal por estas bandas, então segue relato da primeira ida (minha e do Piá) ao Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS.

Já haviam descrito o lugar como "um programa de satisfação garantida" e como eu estava devendo uma banda diferente para o meu filhote (cuja maior alegria ultimamente era ir na biblioteca da Casa de Cultura Mario Quintana: sim, ele me força a levá-lo lá praticamente todos os findis), resolvi que este último sábado era o dia.

Começou com a recepção calorosa de um dinossauro mecânico próximo à bilheteria. Se você tiver um pouquinho de paciência e esperar, ele se mexe e solta algum grunhido robótico. Excelente para crianças. O Piá nem deu bola. Preferiu seguir o desenho de aranhas que, grudadas ao chão, indicavam o caminho para a exposição "Aranhas: Inimigas ou aliadas?", que mostrava alguns espécimes, vídeos, fotos em macro, arquitetura de teias e uma aranha (peluda, mas falsa) solta numa mesa, que andava via controle remoto.

- Olha que legal, filho.

- É uma aranha de brinquedo, pai.

Visitamos diversos experimentos, mas o que mais chamou a atenção do Piá foram os jogos matemáticos e as experiências de física. Mesmo os aquários (com alguns espécimes bem curiosos) e os insetos vistos por câmeras (cujo zoom eram controlados por ele) perdiam espaço para máquinas que envolviam eletricidade, magnetismo e/ou sons. Não foi diferente com os ovos de dinossauros.

No meu caso, poderia ter sido muito mais divertido se muitas das máquinas não exigissem duas pessoas (adultas) para executar as experiências. Fica o convite.

Após uma tarde toda de descobertas, seguimos viagem para a Zona Sul e, no ônibus, aconteceu o segundo fato curioso do dia: nas imediações do chiquei...cof, cof...Beira Rio, eis que um morador de rua tentou pegar carona no bus onde estávamos. O cobrador negou e pediu para ele descer. O andarilho recusou e uma pequena briga teve início. Uns dois socos foram trocados e o vagal acabou descendo do veículo. Lá da rua, nosso intrépido excluído social resolveu descontar sua raiva atirando um enorme tijolo janela adentro do bus lotado. O pedregulho pegou em cheio no rosto de duas senhoras, que foram levadas ao pronto-socorro por um carro da STS. Eu estava com o meu menino a dois bancos de distância da primeira atingida. O meliante fugiu.

Alguém aí vai se perguntar do porquê de eu ter unido esses dois acontecimentos em apenas um texto. Uma tarde tão alegre e um desfecho tão desagradável. Eu explico.

Aquele tijolo poderia ter me acertado. Pior, poderia ter acertado o Piá. O agressor fugiu e isso me assusta. Foda-se o que pode parecer ou o quanto o leitor deste blog pode ser hipócrita e achar que trata-se de um discurso ariano. A grande verdade é que Porto Alegre (e a maioria das grandes cidades) é pululada por este tipo de "gente". Seres humanos que um dia foram pessoas e agora não têm nada a perder (e, por isso, nada a temer). Ele poderia ter matado alguém. A troco de nada. E aceitar isso como algo normal é o que há de pior em nossas atitudes.

Talvez nessas horas algum (a) candidato (a) à Prefeito (a) de Porto Alegre estufe o peito para reclamar da atual administração, ou para dizer que este "senhor" que mora na rua é mais uma vítima da desigualdade social e merece complacência. Vira uma atitude fácil, aceita pela sociedade, quando se passa a mão na cabeça de um marginal e se culpa todo um sistema, quando, na verdade, não foi o sistema que colocou uma pedra na mão do sujeito. O fato é que nenhum planejamento de segurança pública no mundo pode prever quando um animal como este vai resolver se vingar da sociedade e arremessar um tijolo no rosto da sua mãe, irmã, esposa ou filha.

Faço minhas as palavras de Carlos Gomes, o então candidato à prefeito de Porto Alegre pelo PHS, quando perguntado pela ZH sobre o problema dos pedintes em semáforos: "Eles deviam ser tirados à força das ruas, pois é um absurdo uma cidade de 1,4 milhões de habitantes se render a um problema proporcionado por uma centena de pessoas inconvenientes". Esse aí ganharia meu voto se meu título de eleitor não fosse de SC.

Usar a palavra "inconveniente" pode parecer elitista. Não sei vocês, mas estou cansado de ser abordado numa parte escura da rua, às dez da noite, por alguém me pedindo dinheiro. Sinceramente, se eu andasse armado metia um tiro na cara desse infeliz, só pela falta de noção. Estou cansado de ver pessoas que conheço terem seus carros riscados por não aceitarem a extorsão dos pedintes de semáforos ou dos flanelinhas, que acreditam piamente que são donos das ruas e que executam um trabalho honesto "alugando" espaços públicos. Nessas horas dou graças à Deus por não ter um carro. Estou cansado de passar por um mendigo qualquer e ouvir o maldito xingar a minha mãe só porque ele pensa que tem este direito. Se todos estes fatos não forem exemplos sólidos de inconveniência, então não sei o que pensar.

Não nivelo e não generalizo. Pra quem não sabe, muitos moradores de rua o são por opção, e alguns conseguem coexistir sem grandes transtornos com o restante da sociedade. Mas há a categoria mencionada acima. Sem noção. Sem limites. E para estes, minha tolerância chegou no zero.

E agora divirta-se com nossa "Dica de Lugar"...

***

Dica de lugar:

Museu de Ciências e Tecnologias da PUCRS: Av. Ipiranga, 6681 - Porto Alegre - http://www.pucrs.br/mct/

Um prédio de 3 andares, um mesanino, e diversos ambientes com mais de 700 experimentos interativos, amostras, vídeos, exposições e toda sorte de curiosidades. Há um planetário inflável (2 real a entrada) e feiras de ciências que são organizadas periodicamente. 8 pilas para estudantes universitários e crianças de até 12 anos. 11 pilas para o resto.

Um barato.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Saudosismos.

Acre.
Álbum de figurinhas de Fórmula 1.
Altered Beast.
Aposta da Morte.
Armas de madeira.
Atletismo.
Bala Sete Belo.
Baltimore.
Baré-Cola.
Bares da Salgado.
Batida de Côco.
Bingo caseiro.
Bolão.
Bolo de chocolate com cravo.
Brigas com minha irmã maior.
Campeonatos de matemática.
Carnaval no Camacho.
Carretilha que nunca tive.
Cine Astor.
Cine Coral
Cine Guarani.
Cine Imperial.
Comandos em Ação.
Comida da minha mãe.
Cooper na madrugada.
Crossroads.
Desenho com carvão.
Desenho em isopor.
Dindos ausentes.
Discussão com professores.
Doces de festa.
Duelo de espadas.
Esconde-Esconde.
Festival de cinema.
Filmes de ninja.
Fliperama.
Força Laser.
Futebol de salão.
G6.
Gemo.
Golden Axe.
HQs de super-heróis.
Intrigas no 2º grau.
Jornada nas Estrelas às 10 da manhã na TV.
Leite condensado.
Love Songs.
Macacão vermelho.
Meu filho dormindo sobre o meu peito.
Minha avó.
Miojo com filme.
Oktoberfest.
Paintball.
Paixão de primário.
Pescaria com meu pai que nunca aconteceu.
P.E.S.T.E.
Pezão.
Placa de "Pare" na porta do quarto.
Poker de mentira com apostas de verdade.
Primas.
Primo.
Professora da 3ª série.
Pudim de leite.
Relógio Seiko.
Reunião dancante.
Risada da minha irmã mais nova.
Ruas de Fogo.
Seriados japoneses.
Set de filmagem.
Sonic.
Sorriso da minha filha.
Street Fighter 2.
Super Mario World.
Tacuarembo.
Top Gear.
Tribunal de bicho de pelúcia.
Volei de rua.
War.
Xadrez de calçada.

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Obs: Em ordem alfabética, mas não em ordem de importância.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Boa noite, boa sorte.

Insólita, alcoólica, histórica. São algumas palavras que podem descrever minha noite de ontem, que começou logo com um convite de um amigo para uma festa e coquetel da revista Noize, no Cabaret do Beco.

Eu, como todo bom alienado, desconhecia a existência da revista. Ontem pude folhear e descobrir do que se trata: uma revista voltada para a música, com matérias, dicas, reportagens interessantes sobre costumes, artes e atualidades. Tudo super bem escrito e com excelente acabamento. O mais interessante é que o treco possui tiragem de 10 mil exemplares e é de grátis, distribuído em alguns picos famosos e universidades daqui. Este amigo, além de colunista, faz cobertura de shows e resenhas de CD’s para a revista.

Bem, estávamos ele, eu e outro amigo no Beco, já empinando alguma coisa cedida pelo coquetel (uma mistura de algum energético estranho com vodca, que ganhava uma coloração verde). Uma espécie de licor negro também estava sendo doado aos mais sortudos (não é o meu caso). O lance começou a bombar. A música e a descontração pegando. Então recebo um torpedo. Um torpedo da garota do Bell’s (aquela do outro post), perguntando quanto estava pra entrar no Beco e dizendo que talvez fosse, talvez não fosse pra lá. Já tinha perdido o colunista de vista e meu outro amigo já andava com o orçamento estourado e olhando o relógio:

- Tenho que trabalhar cedo amanhã. Dizia o fruta.

Quando fazemos uma última ronda e estamos subindo para ir embora, eis que este meu amigo esbarra com uma garota. Ela cochicha algo no ouvido dele. Ele amarra a cara e aponta pra mim: era a garota do Bell’s. Havia se separado do grupo de amigos, que preferiram ir para outro lugar da noite, e estava ali, sozinha.

Estava.

Me despedi dos meus amigos e ficamos, ela e eu, dançando despreocupados. Os sorrisos iluminados pela luz negra. Olhares. Beijos. Dança. Mais olhares. Mais beijos. Súbito, uma pergunta dela para uma das funcionárias do Beco:

- Ele pode tirar a camisa aqui?

O mais engraçado é que a funcionária respondeu:

- Só um pouquinho que vou verificar.

E ela FOI se informar. Claro que não deixaram, mas foi muito divertido. Quando as músicas começaram a ficar ruins (o DJ devia estar cansado), decidimos ir encontrar os amigos dela num estranho bar da Osvaldo Aranha. Um dos caras nos pegou de carro na frente do Beco e já constatei o estado do moço quando ele arrancou o carro com a porta aberta antes de eu entrar. Com um sotaque pra lá de carioca, o motora saiu cantando pneu e quase entrou embaixo de uma Kombi, que passeava inocente pela Av. Independência.

- Foi mal, bicho.

Chegamos no tal bar da Osvaldo (o qual não lembro do nome com clareza). Sinistro. Muito sinistro. Não havia letreiro, nem placa. A porta, feita de metal e vidro quebrado, mostrava apenas uma escada na penumbra lá dentro. Do lado de fora, um rastro de sangue fresco. Muito sangue. Muito fresco. Alguém tinha se fodido muito ali, e o pessoal lá em cima, bebendo e conversando alto enquanto riam. Logo o falatório cessou e as luzes se apagaram. Nós ficamos a ver navios, apenas esperando o pessoal sair do lugar. Não entramos. Não fomos convidados.

Jogamos sete pessoas dentro do carro e fomos todos para o fim de noite mais famoso da cidade: o Van Gogh. Para os que não conhecem o lugar, basta dizer que é o reduto da finaleira. Se o Bell’s é uma ótima opção para o fim de noite, o Van Gogh seria o fim de noite institucionalizado. Toda sorte de vagais, barangas, veteranos, mafiosos, boêmios, drogados e afins, enfeitam as mesas do lugar. Claro que há também os festeiros e os beberrões, classes as quais nosso grupo pertencia.

Momento Salvador Dali: quando fui ao banheiro tirar água do joelho e aproveitei pra tentar me arrumar no espelho. Um senhor, velha-guarda total, de camisa vermelha sangue e sapatos caramelos, pára de urinar, vira pra mim e diz:

- Tu não me leva a mal meu jovem, mas tu tá bonito pacaralho.

- Só tentando sobreviver, amigo.

Na mesa, o papo corria solto e os assuntos variavam de bombas caseiras (e fáceis de fazer) ao preço do pacote de maconha. Quando um dos garçons voltou para nos atender, eis que a garota do Bell’s lhe fez a pergunta que não queria calar:

- Ele pode tirar a camisa aqui?

O garçom disse algo sobre ser parceiro se o pedido fosse para uma mulher e se retirou...

O dia clareou e a fome bateu. Vale lembrar que o Van Gogh só serve algo da cozinha até as 6 da manhã e já era 7. A garota deu a idéia de irmos para a Lancheria do Parque. Fomos somente os dois. Pedimos cachorros-quentes e começamos a conversar sobre as coisas da vida, do universo e tudo o mais. Curioso como ela (uma mulher tão mais jovem) e eu temos inúmeras coisas em comum: alguns pontos de vista, definições, gostos...enfim...foi tudo muito estranho e bom, até bater 8 da manhã e eu ter de me mandar para o estágio, sem ter dormido.

Hoje o dia foi de cochilos e torpedos.

***

Dica de lugar:

Van Gogh: Rua da República, 14 – Porto Alegre

O fim de noite mais famoso de Porto Alegre. Lá ninguém paga mico. Ninguém vai te olhar feio por não gostar da tua roupa e a sopa de capelletti é a mais confirmada para curar ressaca. É o lugar onde tu sempre entra de noite e sai de dia. Incondicional.

From Dusk Till Down!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Zine, Matemática, Bell's e Johnny Cash...

Essas coisas sempre acontecem numa pausa de produção: enquanto enfrentamos um recesso de duas semanas sem filmagem, a vida segue com suas pérolas e algumas promessas. Quando se trata da minha vida então...

Numa dessas madrugadas, minha produtora e eu estávamos num papo descontraído no MSN, colocando algumas coisas em dia sobre o curta Os Batedores e jogando conversa fora. Alguns minutos sem trocar palavras e ela volta com a seguinte frase:

- Fui no banheiro cagar e tive uma idéia.

Uma dama, sem dúvida. A idéia, que poderia ser uma merda, acabou chamando meu cumpadre (que teclava com sua amada, da casa dele, por MSN) pra conversa: fazer uma zine sobre cinema independente em Porto Alegre, com o selo da Arquivo Morto. Opa, como assim? Isso mesmo. Começar com algo pequeno e de tiragem limitada, bem boca de rua mesmo, mas com material interessante sobre esses realizadores de cinema de guerrilha e seus projetos. Seria um meio de reunir esse núcleo cinematográfico (aproveitando que o cinema daqui é um ovo) e de divulgar o nosso selo. O que no começo soou como algo estranho pra mim, logo fez brilhar os olhos do meu cumpadre, que dizia “conta mais” pra moça. No fim, acabei gostando um bocado da idéia e o papo rendeu. Com água na boca, ficamos de verificar isso assim que terminássemos o curta.

Ainda na madruga e sem sono, passei um bom tempo trocando links de vídeos interessantes do You Tube com outro amigo meu. Ele havia me dito certa vez que não assiste mais TV: quando quer se divertir, ele digita “idiota” no search do YT e passa a noite toda rindo. Pelo menos ele dá um tempo na masturbação. Algumas dessas maravilhas que trocamos podem ser conferidas nos links abaixo:

PULP FICTION IN TIPOGRAPHY ->
O diálogo mais clássico do cinema nos últimos 20 anos mostrado de um jeito original e irreverente. Assista com o som alto.

ROCKY EM 5 SEGUNDOS -> A saga do boxeador Nº 1 da Filadélfia contada em 5 segundos. “Rushpatoish!”

O PAI DAS PUTA -> Vídeo comentado à exaustão por um certo bixcoito de Sta. Maria. Dublagem de Hermes e Renato para algum filme chinês da década de 70. “Pááára de botar pilha.”

300 UNITED -> Crossover dos filmes “300” e “United 93”, onde os espartanos combatem terroristas num avião. “Madness? This is United!”

Um sono num sofá apertado depois...

Meu pescoço era um “s” e o sol batia forte na minha cara de manhã cedo. Seria mais um dia de correria rotineira e uma prova de Matemática Financeira me esperando no fim da trilha. Que diabos. E eu lá sei algo sobre análise de investimentos? Como de praxe, não tive tempo de estudar e eu precisava tirar 7 pra passar na risca. Minha sorte é que tenho uma relação estranha com essa matéria: eu sempre acerto tudo, errando somente o que eu não fiz. E sempre tem alguma que eu não faço. Nada de ficar quebrando a cuca para achar uma saída. Sou um sujeito prático. Se não sei, rabisco um “x” bem grande na folha e era isso. Quando começou a prova, matei três das cinco questões no ato. Uma eu deixei, afinal, não sei fazer análise de investimentos, e a última tava foda, mas eu tinha a impressão de que poderia resolvê-la. Quando estava quase chegando num entendimento com o problema, eis que a mente se desvencilha dos números e me vejo viajando em uma música da qual eu sempre gostei e cujo clip dela encontrei no YT, pouco depois de dar boa noite ao meu amigo na noite anterior. Segue a letra:

Hurt (Johnny Cash)

I hurt myself today

To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

A madrugada (horário em que reanimei essa música na minha vida) nos convida a sermos melancólicos, mas é assustador pacaralho quando uma música tão poderosa e desoladora te descasca como uma laranja. Como se Reznor a tivesse escrito sob medida. Uma Centúria. Uma premonição do que viria ser uma descrição exata do que andou se passando por aqui. Mas que inferno. Eu sempre gostei de Johnny Cash, mas por que ele resolveu cantar nos meus ouvidos justo no meio de uma prova de Matemática?

É claro que eu sei, e é claro que a parte que diz “try to kill it all away, but I remember everything” se encaixa como uma luva (como todo o resto da música), mas faz um tempo que decidi que faço o que for preciso pra fazer as coisas acontecerem, não importando os meios ou se vou me foder depois, desde que a missão seja concluída, tal qual Jack Bauer. Pra não ser um mau caráter total com esse estilo de vida, basta tentar ser sábio e escolher direito as missões. Olhei pra última questão, que eu sabia que era pra ser resolvida por série de pagamentos, e matei ela com fórmulas de outra matéria. Dane-se. Meu objetivo era descobrir o valor de um parcelamento e eu descobri.

Saí da PUC corrido. Eu precisava de uma cerveja. Liguei pro amigo dos vídeos, que estava com outro faixa nosso, e fomos pro Bell’s, um barzinho super conhecido da Cidade Baixa e também o maior agrupamento de figurantes de curtas de Porto Alegre. O Bell’s é um lugar encantado onde tu encontra de tudo: ogros, lolitas, dublês de Lenny Kravitz, carecas baixinhos que pensam ser Elvis, entre outras esquisitices. Embora a ceva seja gelada e baratinha, não parece ser o tipo de lugar onde tu seria puxado por uma gata para dentro do banheiro das mulheres para conversar com ela mais de perto, parece? Bem, se essa moça tão gracinha ler isso, fique sabendo que meu All Star cano longo é mais clássico e que minha camiseta é lilás, e não rosa. Ah, e também adorei te conhecer.=)

No mais, meus amigos e eu findamos a noite com muita bebida e uma premissa: um deles está saindo do apê onde morava e quer dar uma festa neste sábado para destruir com a estrutura do lugar e a paz dos ex-vizinhos. Segundo informes, metade de Poa vai estar lá. A outra metade vai só tentar entrar.

Eu sou da metade que vai estar lá, e tu?

***

Dica de lugar:

Bell’s Bar: Rua José do Patrocínio, 290 – Porto Alegre

Quer ficar de pé, quase no meio da rua, com um monte de gente que está na mesma situação e dar risada disso enquanto enche a cara com pouca grana? Este é o Bell’s. Um buraco negro inexplicável onde todo mundo se acha (as vezes tu tens de cruzar com criaturas desagradáveis, mas isso é obra da democracia e não do lugar, fazer o quê…). A iguaria culinária do treco é o Bell’s Burguer, que eu cometi o sacrilégio de ainda não ter provado. Dizem que é o lanche de dois reais mais responsa da Cidade de Deus.

De segunda a sábado, o Bell’s é uma ótima alternativa para fim de noite…ou início de dia.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Sábado Cheio – Segunda Parte – A Nova Equipe

Chega então a esperada reúna com a nova equipe de Os Batedores, lá na Casa de Cultura Mário Quintana (que loca salas bem amplas para ensaios pela bagatela de 10 pilas o turno). Como de praxe, dois ou três caboclos burlaram o encontro (por N motivos), mas a grande massa estava lá.

A sessão de apresentação de cada um foi um dos melhores episódios, com direito a piadas repetidas sobre os A.A., vermelhidão, gagueira e até um breve retrospecto da trajetória da Arquivo Morto para os menos informados. Interessante também foram algumas visões peculiares sobre o roteiro, algumas rinhas sobre “o que funciona e o que não funciona na tela” (ficou 1 x 1 entre o Diretor e eu) e a fotinho quase oficial da turma, batida pela sempre carismática...ops, eu disse que não ia citar nomes, certo? Ah, a menina dos stills...

Quando findamos a reunião e descemos, eis que nosso figurinista chega arfando, levemente atrasado devido ao trabalho. Há de se enumerar o episódio da camiseta que ele pegara emprestado do nosso Produtor de Elenco e, sem pedir licença, meteu um tesourão na gola, tornando a peça mais...fashion.

- O que tu fez com a minha camiseta??? – Produtor incrédulo.

Coisas de figurinista. Se há algo que aprendi sobre esse pessoal das roupas, é que são todos pirados: TODOS. Mas alguns (como esse) são legais...

É claro que os mais enturmados seguiram para a Cidade Baixa, para esticar, bater papo, beber um bocado e, porque não, falar sobre o projeto. Um fato curioso e levemente fútil aconteceu na minha chegada ao local que haviam escolhido para a bóia, mas pulemos essa parte...O clima estava super bacana e o pessoal, novo e antigo, começou a se enturmar e conversar sobre diversas coisas. O engraçado é que estávamos bebendo sentados em um bar, mas a galera estava pedindo pastéis no bar do lado. Isso que é cooperação entre estabelecimentos...

Um pouco mais tarde, fomos prestigiar um dos atores do curta, que é um dos donos do bar que ficava do outro lado da rua. Saímos de um e sentamos em outro, e dá-lhe mais ceva. Fomos recepcionados pelo próprio, que conheceu uma boa parte da equipe e disse que já estava preparado para o papel, pois o Odilon (personagem dele) era ele próprio. Uns dias atrás ele havia me mandado um scrap dizendo que o roteiro estava bacana e que eu tinha filhos lindos. Nosso Produtor de Elenco cismou que os “filhos”, na verdade, eram os personagens que eu havia criado. Segue a conversa:

- O que tu quis dizer com “teus filhos são lindos”, naquele scrap que tu deixaste pro Édnei?

- Quis dizer exatamente isso.

- Tá, mas tu tava falando dos personagens, certo?

- Não. Dos filhos dele mesmo.

- Tá, mas tu viu eles? Viu o álbum do Édnei?

- Sim.

- Mas...é isso mesmo? Não é sobre os personagens?

- Meu amigo, a vida é muito mais simples do que parece.

(Hehehehehe, desculpem-me os praticantes deste diálogo, mas tive de colocar isso no ar.)

Mais algumas conversas paralelas depois e o pessoal começou a se dispersar. Recebi informes de que alguns ainda esticaram. Outros caíram duros na cama.

E outros...

***

Dica de Lugar:

Casa de Cultura Mário Quintana: Rua dos Andradas, 736 – Porto Alegre - http://www.ccmq.rs.gov.br/novo/principal/index.php

Dois prédios com 6 andares cada e diversos ambientes: salas de ensaios, teatros, 3 cinemas, cafés, bibliotecas, uma sala temática só da Elis Regina, um quarto que dizem ser igual ao do Mário Quintana. A CCMQ também costuma ceder espaço (ou alugar, eles são meio mercenários) para alguns picaretas darem oficinas de cinema. Fora isso, é um local bacana de se visitar, onde sempre tem algo de cultural acontecendo.

Ah, um dos prédios tem um sétimo andar, onde fica o Café Concerto. Não peça o Irish por lá e evite o local em dias chuvosos. De resto, é até um lugar com bom visual e ideal para encontros e desencontros...