quarta-feira, 20 de maio de 2009

Prison Break: do Triunfo ao Desastre.

Estava pensando se iria escrever algo sobre o seriado Prison Break aqui no blog. Era uma série que eu achava bacana, mas que vinha se mostrando irregular, principalmente, depois da famosa greve dos roteiristas, entre 2007 e 2008. Tudo levava a crer que o cancelamento estava a caminho, até que a confirmação veio quando a Fox anunciou, no final do ano passado, que esta 4ª temporada seria também a última. Então estava eu convicto de que iria escrever algo sobre a série se o Season Finale fosse bombástico, ou muito inovador...até que baixei, nesta segunda-feira passada, os dois últimos episódios. Assisti, pensei, e acabei ficando na obrigação de registrar a minha impressão sobre o programa.

AVISO, EM LETRAS GARRAFAIS, QUE O TEXTO CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI.

Como muitos seriados (mas não todos) que acompanho atualmente, comecei a assistir a saga de Michael Scofield no ano passado - este, por intermédio de uma indicação da minha prima seriadomaníaca (certamente, mais do que eu). Foi uma boa indicação, juro. Para tentar provar isso, vou fazer um apanhado sobre a história de Michael e sua lida para libertar seu único irmão da Penitenciária Fox River através da mais ousada fuga já registrada.

Prison Break tinha uma história simples. A premissa, basicamente, era a da pena de morte de Lincoln Burrows por um crime que não cometeu, e o plano de seu irmão (o já mencionado Michael), para tirá-lo da cadeia antes da data de execução. Mas, como tamm já comentado, não se tratava de uma fuga qualquer: Scofield era um brilhante e bem sucedido engenheiro, dotado de alto QI, especialista em estruturas e, por pura coincidência, a empresa onde trabalhava foi a construtora de Fox River.

Dotado das plantas do lugar (escondidas em uma gigantesca tatuagem que cobria boa parte do seu corpo), Michael resolve que tirará seu irmão condenado da prisão, mas pelo lado DE DENTRO. O cabra assalta um banco à mão armada, se rende e, claro, pega 5 anos de prisão...em Fox River. É o início do que seria uma temporada impecável.

Prison Break virou sucesso de público e crítica. O mirabolante plano de Scofield não só trouxe altas doses de adrenalina nos espectadores, como cativou, episódio por episódio, uma grande fatia do público. Era óbvio que o plano de Michael não sairia como planejado, afinal, ele contava com o auxílio de outros presos; e pessoas, todos sabem, são imprevisíveis. Do lado de fora da penitenciária, uma advogada (amiga dos irmãos) investiga os fatos que levaram à prisão de Lincoln, até que se descobre que uma poderosa “Companhia” foi a responsável pela armação, e não descansará enquanto Burrows não seja tostado na cadeira elétrica.

Como todo bom drama penitenciário, há o carcereiro filho da puta, o psicopata, o velho prisioneiro sábio, o mafioso, o consegue-tudo, o trombadinha, o troglodita (que, neste caso, é o próprio Burrows) e Michael Scofield: um bom moço no meio de tudo isso, colocando sua massa cinzenta para funcionar enquanto a panela esquenta absurdamente. A receita é velha, mas funcionou com Prison Break de um jeito que conquistou fãs no mundo todo, através de episódios com situações críticas e personagens envolventes. Admito que até eu roía as unhas durante a 1ª temporada, que terminou, é claro, com a famigerada fuga dos Oito de Fox River.

E era pra ser só dois fugitivos...

Mas quem eram esses cabras, afinal?

MICHAEL SCOFIELD (Wentworth Miller) – Personagem principal da série. Meticuloso e brilhante, Michael aliou seu ousado plano a sua cara de bom moço (combinando com seu aspecto de guri burguês) que enganava muita gente da penitenciária (como o Diretor Pope, e a Dra. Sara, por exemplo). Com engenhosidade e muita sorte, conseguiu tirar o irmão de Fox River, mas acabou levando anexos.


LINCOLN BURROWS (Dominic Purcell) – O motivo da bagaça. Grande e “burro” (Hã? Entenderam o trocadilho? Hein?), Lincoln conseguiu ser incriminado por assassinatos que não cometeu umas 3 vezes durante a série. Seu ponto fraco (fora a atuação duvidosa de Purcell) era L.J., seu filho, também conhecido como “o garoto-refém”.


THEODORE “T-BAG” BAGWELL (Robert Knepper) – Com uma singela história de família (fruto do estupro da irmã com Sindrome de Down pelo próprio pai alcoólatra), T-Bag era o pior elemento de Fox River. Estuprador, assassino e líder da Gangue Ariana da penitenciária, não podia ver um buraco andando que já tinha pensamentos libidinosos. Este aspecto de constante perigo fez de Bagwell um ótimo personagem, até perder a mão esquerda no final da 1ª temporada (e, junto com ela, o mojo).


JOHN ABRUZZI (Peter Stormare) – Um dos Capos da Máfia de Chicago, Abruzzi era o instável responsável pela IP (Indústria da Prisão). Em um excelente momento da trama, arrancou três dedos dode Michael com uma tesoura de jardinagem (ah, bons tempos de 1ª temporada...). Também foi o primeiro dos Oito a cair.


FERNANDO SUCRE (Amaury Nolasco) – Colega de cela de Michael e clone chicano de Sérgio Mallandro, Sucre tinha seus motivos românticos para fugir de Fox River (a famigerada Marisol, que depois de trocentos episódios – juro – já dava vontade de matá-la). Infelizmente (para nós), o personagem era fraco e seu drama pessoal estava longe de convencer. Fernando só não era mais bucha que...


BENJAMIN “C-NOTE” FRANKLIN (Rockmond Dunbar) – Ex-militar e pai de família, ele era o cara que conseguia qualquer coisa para os internos de Fox River (costume que, na verdade, o colocou lá). Pode parecer implicância, mas toda vez que C-Note aparecia, dava vontade de desligar a tela. Ele era MUITO irritante, quebrava o “status quo” da cooperação mútua que a fuga exigia (em outras palavras, pensava apenas nele – como todos ali – mas era o único que transparecia isso) e não agregava absolutamente nada à trama.


DAVID "TWEENER" APOLSKIS (Lane Garrison) – O mais novo dos Oito. Tweener era um batedor habilidoso que entrou em Fox River na segunda metade da 1ª temporada. Embora não fosse tão importante na trama, Apolskis serviu para mostrar as verdadeiras intenções do agente do FBI encarregado da captura dos condenados, na 2ª temporada.


CHARLES "HAYWIRE" PATOSHIK (Silas Weir Mitchell) – Embora quase todos os novos camaradas de Michael fossem sociopatas, Haywire era o único que tinha laudo médico para comprovar isso. Charles habitava a ala psiquiátrica de Fox River, até ser realocado para a cela de Michael por uns tempos, e acabar virando uma das peças-chave para a fuga. Ele dava medo, mas era divertido.

Devido a aceitação estrondosa da série, a Fox se viu na obrigação de emendar uma nova temporada, desta vez, abordando a caçada humana desses fugitivos. Embora a idéia também fosse velha, e mesmo assim empolgante, a 2ª temporada pode ser considerada o começo do fim para a qualidade de Prison Break. Não que seja uma temporada ruim: a adesão de William Fichtner como o corrupto agente do FBI Alexander Mahone, trouxe um adversário respeitável para a engenhosidade de Scofield e seus asseclas, que escorregam das garras da polícia e do agora ex-carcereiro Bred Bellick (Wade Willians, ótimo), que resolve virar caçador de recompensas e tem motivos de sobra para erradicar os 8FR. Foi realmente uma ótima temporada (principalmente quando os integrantes dos Oito começaram a bater as botas), mas começou a ter problemas em larga escala quando o assunto era a maldita Companhia.

Mahone: um dos meus personagens prediletos.

A entidade que criou todo esse furdunço, ao meu entender, foi a grande responsável pelos rombos de roteiro e pela desgraça que assolou Prison Break, fazendo a série perder o brilho da totalmente excelente 1ª temporada, numa linha decrescente de qualidade. Com verdadeiros ataques de esquizofrenia, os roteiristas não decidiam quais eram os planos da Companhia e de seu principal agente: Paul Kellerman infernizou a vida dos nossos heróis por toda a história e, no final da 2ª temporada, acabou não só confessando todos os seus crimes, como entregando a Companhia e inocentando Lincoln e Sara Tancredi (a mesma Dra. Sara de Fox River, que era par romântico de Michael e uma das principais responsáveis pela fuga dos 8FR). C-Note, o mais água com açucar dos fugitivos, conseguiu um acordo com o FBI para entregar a cabeça de Mahone, que andava serelepando e matando os recapturados. Sucre saiu da trama para cuidar da filha recém nascida e de Marisol, ao passo que a Companhia (num plano mirabolantemente ruim) conseguiu prender o resto dos fugitivos (inclusive Mahone e Bellick, cuja única desculpa de terem sido presos junto com os outros era o fato de serem excelentes personagens) em uma prisão panamenha chamada Sona.

Uma galera do barulho, prestes a entrar em uma tremenda roubada...

Está certo: admito que o final da 2ª temporada prometia uma 3ª interessante, afinal, Sona era retratada como um verdadeiro inferno. Vi em um documentário que o criador da série se inspirou em Carandiru para criar a penitenciária: “uma prisão no Brasil onde os presos é quem ditam as regras”, segundo Paul Scheuring (mal sabe ele que todas as prisões aqui são assim, mas tudo bem). O fato é que a truculência de Sona, os novos e fracos personagens e a missão de Michael (sair de lá com James Whistler, um preso que continha informações valiosas para a Companhia) caíram como uma bomba na série. T-Bag, o mais ardiloso e odiado dos 8FR, mudou de personalidade e virou um humilde servo do líder negro Lechero (os roteiristas esqueceram completamente do fato de Bagwell ser uma bicha racista). Bellick estava abaixo do cu do cachorro, na rabeira de um sistema de castas da penitenciária que não foi sequer explicado. Burrows não servia para absolutamente nada. Sara morreu, mas só mostraram uma cabeça decepada (certamente os produtores tiveram problemas em usar a atriz Sarah Wayne Callies). E Michael só tinha a improvável ajuda de Mahone, o outrora responsável pela caçada que culminou com a morte do pai dos irmãos fugitivos.

Quando vier ao panamá, visite Sona.

Com a greve dos roteiristas no auge e a qualidade ruindo, a 3ª temporada encerrou seus trabalhos de modo abrupto e tosco, no seu 16º episódio (normalmente eram vinte e poucos episódios). Com um plano marca-diabo, Michael, Mahone e o tal Whistler conseguiram fugir de Sona. Bellick e T-Bag continuaram presos. Sucre, que voltou pra série
só pra ser encanado, também foi para Sona. Dessa forma desengonçada, os produtores encerram a 3ª temporada, que deveria ser a última MESMO...

Tchanan!

MAS...eis que resolvem arriscar a quarta e última temporada, numa desculpa esfarrapada de que a história havia sido planejada para quatro seasons desde o começo (ahã, me engana que eu gosto). Logo no primeiro episódio, Burrows (que compete ferrenhamente com C-Note para ser o personagens mais bucha de Prison Break) é preso. E lá vai Michael se entregar DE NOVO para livrar a cara do irmão DE NOVO. Desta vez, o dono da bola é Don Self, (o gorducho Michael Rapaport) um agente da Segurança Nacional que precisa das informações que Michael pode ter conseguido com Whistler (seu parceiro de fuga), a respeito de Scylla: um dispositivo ultra-super-plus-advanced que contém tudo o que de fato é importante para a Companhia (personificada na figura do Coronel Krantz, que já havia aparecido como o “bam-bam-bam” da Companhia na 2ª temporada). A obstinação do Coronel em proteger Scylla é o primeiro grande empecilho para Self, que monta um grupo para roubar o dispositivo. Entra em campo o Scylla Team: Michael, Lincoln, Mahone, Sara (que voltou dos mortos, afinal, não dava pra ver muito bem “de quem” era a tal cabeça decepada), Roland Glenn (um hacker asiático que não dura muito), Sucre e Bellick (que saíram de Sona pela porta da frente, logo após T-Bag meter fogo na penitenciária e Michael ter ficado puto da cara de não ter pensado nisso antes) são recrutados por Self, que promete conseguir perdão total para os membros do grupo, em troca de Scylla.

Scylla Team em ação.

Numa megalomania que só ficaria convincente no seriado 24, o tal dispositivo não somente tem todos os arquivos pessoais da Companhia, como possui projetos tecnológicos que poderiam, literalmente, mudar o mundo. Neste ponto, o que já estava ruim, ficou ainda pior. A missão de Michael agora não era mais fugir de algum lugar, e sim roubar Scylla de uma instalação de máxima segurança: antes, para entregar o treco à Don Self e finalmente sair livre; depois (quando Don revela ser um novo vilão), para não deixar Scylla nas mãos do General e salvar o mundo (curiosamente, este dispositivo sempre esteve nas mãos do General, e ele nunca o tinha usado antes para tal finalidade). O que era simples questão de sobrevivência (bons tempos em que a coisa toda era só resgatar um retardado condenado à morte), virou um jogo de guerra dos brabos, onde todo mundo quer botar as mãos no dispositivo.

Com trejeitos de Esquadrão Classe A e Missão Impossível, a série seguiu nas incoerências dos roteiristas (provavelmente estagiários). A saída para Mahone e os
irmãos trabalharem lado a lado numa boa foi das mais desleais: a Companhia mata o filho do ex-agente e todo mundo fica feliz. Michael descobre que tem uma doença que pode ser terminal se a Companhia não usar de seus especialistas para curá-lo. T-Bag tenta se tornar um cidadão de bem com uma identidade falsa (logo o T-Bag????). Bellick, que sempre foi uma puta pedra no sapato da galera, morre como herói. Sucre abandona o time (como se ainda não tivesse o rabo preso) e volta para sua família. A mãe dos irmãos também volta dos mortos (ressurreição é uma mania decorrente na série, como veremos uma vez mais).

Depois de uma longa pausa nas exibições (de dezembro de 2008, até o mês passado), a já gelada Prison Break prosseguiu no que seria o derradeiro circo de horrores da reta final. Além da correria acerca de Scylla e da destruição dos personagens que muita gente aprendeu a gostar (repito, principalmente pela incrível 1ª temporada), nossos heróis roteiristas resolveram despejar alguns elementos de novela das oito no seriado: Christina (Scofield's Mom) torna-se a principal vilã, Michael descobre que Lincoln não é seu irmão de sangue e, faltando 3 episódios para o encerramento da série, Sara faz um teste de gravidez...

"Michael, tenho uma coisa pra te contar..."

Para não dizer que sou espírito de porco, aguardei os últimos dois episódios com certa esperança de que alguma coisa dessa loucura toda se solucionasse de modo eficaz, ou mesmo meramente convincente. Baixei o treco e, como disse antes, me obriguei a dizer algo a respeito (daqui para frente, usarei o artifício dos pontos de interrogação para tentar ilustrar minha impressão a respeito desta Series Finale).

Lincoln passa os dois episódios inteiros sangrando...e não morre (?). Michael, um homem que não é de ação, escala um prédio (??) para salvar Sara de T-Bag. Mahone resgata Lincoln, mesmo que isso signifique uma bala na cabeça de sua esposa (???). Como trunfo na manga, o General ameaça matar Sofia (namoradinha que Burrows descolou no final da 3ª temporada e que não aparecia na trama desde lá), em vez de ameaçar L.J., que está em seu poder (????). C-Note volta do limbo com uma saída milagrosa para tudo (?????). Recruta Sucre (??????). E a solução milagrosa é...Kellerman (???????), que tinha aparentemente morrido no final de 2ª temporada e que, agora, trabalha para a ONU (????????).

Mas hein????

Fica ainda melhor: usando EXATAMENTE a mesma estratégia “Homem-Aranha” que Michael usou para invadir o QG do General, C-Note e Sucre entram no apê e salvam o dia (que diabo de General é esse que cai duas vezes no mesmo truque?). Michael leva um tiro no ombro e Sara (que é médica) manda ele ir entregar Scylla para a ONU, sem cuidar do ferimento (?????????).


Para fechar com chave de ouro, tudo termina com Michael, Lincoln, Sara, Sucre, Mahone e C-Note reunidos numa mesa, onde assinam a papelada do perdão.

- Mas e Pam? – Pergunta Mahone, sobre sua esposa, que estava sendo ameaçada pelo General.
- Ela está salva. – Responde Kellerman.

- E L.J.? – Pergunta Lincoln.
- Ele também está salvo. – Responde Kellerman, como se fosse um pastor de igreja.

Se Jesus não salvar, o Kellerman salva.

Tudo simples assim. Sem explicar porra nenhuma. As coisas simplesmente iam acontecendo e o público (no caso, EU) ia engolindo. Pouco antes da cena final (que foi a única coisa que salvou o episódio), o absurdo máximo se fez presente quando mostram o destino de cada um dos personagens depois de quatro anos, e descobrimos que Kellerman, o mesmo cara que assumiu dezenas de assassinatos publicamente na 2ª temporada, virou SENADOR (???????????????????????????????????????).


Com um final de episódio bucólico e triste, Prison Break partiu com aquele gosto desagradável de algo que poderia ser lembrado somente pelo excelente entretenimento proporcionado em sua arrancada. É o que eu chamo de Síndrome de Arquivo-X, onde os executivos forçam a barra de um programa bacana (porque ele se mostra rentável e fideliza o público) e o sugam até o mesmo ser lembrado apenas por seu péssimo desfecho.

Uma pena mesmo. Prison Break, para mim, só teve duas temporadas.

P.S: Em julho, a Fox lançará o DVD Prison Break - The Final Break, um filme Made For TV que será uma espécie de abordagem sobre o flash forward de quatro anos que o episódio final sofreu. Estou me sentindo como aqueles jogadores de poker que já perderam fortunas, mas pensam em ficar na mesa pra tentar recuperar qualquer migalha...

Maldita Fox.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fascinante!

Nesta última sexta-feira, estreou o longa-metragem Star Trek, 11º filme da franquia criada por Gene Roddenberry na década de 60, cuja direção ficou a cargo do talentoso e inventivo J. J. Abrams (responsável por séries de sucesso como Alias e Lost, além de diretor do excelente Cloverfield e do honesto Missão Impossível 3), que tinha a missão ingrata de ressucitar um ícone da cultura pop praticamente morto nas telas, mas sem ferir o brio do apaixonado e exigente povo trekkie (os fãs de carteirinha da série).

Para se ter idéia do abacaxi que Abrams abraçou, a franquia não ganhava um filme decente desde 1996 (o último longa tragável foi Star Trek: First Contact, com os personagens da Nova Geração), amargando bomba após bomba (leia-se Star Trek: Insurrection e Nêmesis) e culminando com uma estiagem, com cara de enterro, desde 2002. Além disso, a proposta era fazer uma releitura da Série Original, com novo elenco, novas situações, novo começo; o problema é que a tripulação comandada pelo Capitão Kirk é a mais popular e querida dos fãs, e pensar em novos atores nesses papéis era quase como que trocar Harrison Ford por Tom Selleck (com bigode e tudo) em Indiana Jones.

Pra coroar a dúvida, Abrams confessou que não era um fã da série.

Problemão...

Bom, neste sábado pude conferir o resultado desta espera, e tive certos problemas para começar a escrever esta crítica de Star Trek, até que cheguei a conclusão de que a única palavra que pode definir precisamente este novo filme é o título deste texto. Com o auxílio inestimável dos roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, J. J. Abrams conseguiu o impossível: entregou um filme fiel à mitologia trekker e, mesmo assim, direcionado para abocanhar de vez o grande público (que desconhece a série e, por vezes, até a detesta por causa disso). E um filme bom. Não, muito bom. Desculpem, errei: EXCELENTE é o termo certo aqui.

É muito complicado de se dar uma sinopse sem entregar fatos importantes da trama, mas acho que é importante dizer, principalmente aos trekkies, que não se trata de um reboot. Quer dizer, na verdade se trata, mas a cronologia de tudo que se passou anteriormente nas outras séries e filmes é sumariamente obedecida e mais: CONTINUADA. É um recomeço, mas é uma continuação, numa sacada absolutamente genial iniciada nas HQs Star Trek: Countdown, que serviram de prequel para este filme. Aos que não leram as revistas, não se preocupem: Kurtzman e Orci explicam no filme (de forma inegavelmente competente, simples e completa) como a ameaça do vilão Nero (um romulano tinhoso que quer a cabeça da Federação) surgiu, e conseguem fazer o link necessário para legitimar este novo começo.

Kirk e Spock: melhores amigos...mas ainda não sabem disso.

Tendo isso e após uma cena inicial de fazer qualquer um engolir o choro, temos os primórdios da história de James T. Kirk, um jovem encrenqueiro de Iowa que é desafiado à fazer parte da Frota Estelar (uma armada interplanetária de exploração e auxílio), ao passo que, no distante planeta Vulcano, vemos a infância problemática de Spock, que carrega o fardo de ser um híbrido de pai vulcano e mãe humana e sofre certo preconceito por isso.

U.S.S. Enterprise

Embora o pilar da trama seja os caminhos que levam esses dois a se conhecerem e fazerem história, Abrams e seus asseclas mostram de forma inteligente e cativante a cadeia de eventos que resulta no anexo de cada tripulante clássico na recém construída nave estelar Enterprise (um ESPETÁCULO de nave: a cena na qual os cadetes vêem a Enterprise pela primeira vez através de uma janelinha, arranca um “wow” da galera). E, acertadamente, o Diretor optou por dar uma ênfase crucial para cada um deles: o estressado Dr. McCoy (interpretado por Karl Urban, que está A CARA do finado Kelley, com seus olhares arregalados e seu mau-humor), o prestativo Sulu (que protagoniza uma cena de ação e pancadaria ao lado de Kirk), o milagreiro Engenheiro Scott (Simon Pegg, que se torna um alívio cômico muito bacana), o novato Checov (com um sotaque impagável) e, provavelmente a que recebeu maiores modificações do elenco “coadjuvante”, a Oficial de Comunicações Uhura (a da série dificilmente servia para algo que não fosse embelezar o ambiente). E estão todos lá, dando duro em uma nave novinha em folha, para livrar o universo da Narada, uma gigantesca nave comandada pelo vingativo romulano acima citado (Eric Bana, possivelmente o elo mais fraco do elenco).

Uhura chamando a atenção do povão.

Falando nos atores, há de se admitir que Chris Pine e Zachary Quinto (Kirk e Spock, respectivamente), se encaixam como uma luva em suas novas personas. Enquanto o matreiro e mulherengo Kirk segue cativando o público, cena após cena, com suas peripécias e ousadia (a cena na qual ele burla o famoso teste Kobayashi Maru, é excelente), Spock transmite aquela dualidade inerente à sua condição de meio-vulcano, contendo suas emoções, mas aliando certa revolta na interpretação (visível no trabalho ótimo de Quinto, que ta mbém está a cara do Nimoy). E já que entrei no assunto, a presença do próprio Leonard Nimoy como o velho Spock não é apenas uma homenagem, mas parte imprescindível da solução do grande mal que assola a Federação. Para quem não conhece a franquia, tal participação vai soar bacana e emocionante. Para quem conhece, as cenas com o velho vulcano são TODAS de arrepiar.

O malvado Nero.

É claro que desfilam pela tela inúmeras referências aos trekkies. De citações ao beagle do Capitão Archer, à origem do famoso apelido do Dr. McCoy, entre muitas outras coisas. Obviamente, quem conhece a mitologia se diverte muito mais com as peculiaridades, tanto nas personalidades e nos diálogos, quanto nos objetos (os phasers mudando de modo “tonteio” para “letal”) e na própria nave. Ponto também para a Direção de Arte, que nos apresenta uma ponte de comando moderna, luxuosa, mas sem desrespeitar o aspecto de submarino que a ponte da Série Original possuía.

Ponte de Comando.

Os efeitos visuais, ah, os efeitos visuais...que trekkie nunca desejou ver a Enterprise entrando pra valer em uma briga (com direito a sair de velocidade de dobra no meio de um tiroteio e tudo)? As cenas de batalha e de ação fazem o público grudar na poltrona, e constituem imagens que, aliadas à sirene do alerta vermelho da nave, chegam a assustar os mais desavisados. Tal aposta na ação anabolizada poderia ser uma faca de dois gumes se tivesse sido feita de forma desnecessária (como naqueles filmes do Mich ael Bay), mas aqui não: tudo é justificado e de uma beleza e grandeza que apenas denotam o que está em jogo, tudo pontuado pela empolgante trilha de Michael Giacchino, que rearanjou a trilha clássica de Alexandre Courage e nos entregou uma música contundente, poderosa (aos mais aficcionados vai um aviso: a trilha original dá o ar de sua graça nos créditos finais, pouco depois de um famoso OFF ser proferido).=)

Tripulação: Spock atrás das lentes.

Ficam os parabéns á J. J. Abrams e equipe: Star Trek superou expectativas de tal forma, que arregimenta, a cada projeção, mais e mais novos fãs e interessados por este universo tão incrível e plural. Se eu desejar “Vida Longa e Própera” para a franquia, vou cair no lugar comum de todos os outros críticos (e eu digo TODOS, pois não li nenhum ainda que tenha achado o filme abaixo de “ótimo”)...

...então, me resumo a separar os dedos numa legítima saudação vulcana e dizer “Boa Sorte, Star Trek.”


***

Dica de filme:

Star Trek
Diretor: J. J. Abrams
Elenco: Chris Pine (Kirk), Zachary Quinto (Spock), Leonard Nimoy (Velho Spock), Nero (Eric Bana), Karl Urban (Dr. McCoy), Zoe Saldana (Uhura), Simon Pegg (Scott), John Cho (Sulu), Anton Yelchin (Checov), Capitão Pike (Bruce Greenwood), Ben Cross (Sarek), Winona Ryder (Amanda Grayson)
Duração: 126 minutos
Gênero: Ficção Científica
Ano: 2009

O filme do ano.

domingo, 10 de maio de 2009

Da Mãe Índia, com amor.

Em tempos de novela das oito com toque indiano, nada melhor do que entrar em contato com material de primeira da terra de Ghandi, para não sofrer os efeitos da osmose da obra de Glória Peres.

Segue abaixo uma sequência de ação de um dos maiores astros indianos da categoria (que, por sinal, é o que não falta nessas películas).

Parte 1



Parte 2



Como diria uma personagem de ex-novela das oito, "que catiguria".=P

Agradecimentos ao amigo Josiano Leal, pela dica.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Diário de Bordo...

Assim como 99% dos textos escritos sobre o assunto, inicio este post com um dos bordões mais famosos da história da ficção científica: “Diário de Bordo: Data Estelar...” era o OFF que abria os trabalhos em cada viagem de uma certa nave estelar, em uma saudosa série de TV, lá pelos idos da década de 60, e que ganha uma nova roupagem em um longa-metragem dirigido pelo competente J. J. Abrams, com estréia mundial marcada para depois de amanhã.

Com 80 episódios distribuídos em três temporadas, Star Trek: The Original Series fez história ao trazer para as telas as aventuras da nave Enterprise e sua tripulação, que exploravam novos mundos, novas formas de vida e civilizações, e enfrentavam desafios inimagináveis em pleno século XXIII, 200 anos após a humanidade descobrir a velocidade de dobra (que possibilitava as viagens estelares).

Eram os tempos do Capitão James T. Kirk, comandante da nave que, ao lado do Dr. Leonard McCoy e do Sr. Spock, formava a tríade de protagonistas da série, cujas histórias, embora calçadas em um universo futurista e tecnológico, eram visivelmente baseadas nos problemas da realidade dos anos 60: a Guerra Fria, os conflitos raciais, os desvios da juventude, a proliferação de tribos e novos estilos de vida (como a onda hippie, por exemplo), entre muitas outras coisas, eram abordados de uma forma alegórica, mas muito contundente, não somente conferindo certa responsabilidade social à série, mas inovando em narrativas muito mais cerebrais do que se estava acostumado a ver nos programas de entretenimento.

Para se ter uma idéia dos muitos precedentes criados pela série, a tripulação da ponte de comando da Enterprise era formada por oficiais de toda sorte de nacionalidades: o Engenheiro-Chefe era escocês, o piloto (timoneiro) japonês, uma africana (das Nações Unidas da Africa) era a oficial de comunicações da nave e se fazia presente, até mesmo, um alferes russo (no alge da Guerra Fria, vale lembrar). Esta cacofonia de nações era apenas um dos aspectos idealizados por Gene Roddenberry (o criador da série), que cansava de dizer nas entrevistas que Star Trek era o futuro com o qual ele sonhava, onde os humanos haviam vencido a fome, a miséria, o preconceito e as doenças, e se concentravam na exploração do espaço (a famosa “fronteira final”).

Mas nem só de parábolas eram feitos os atrativos de Star Trek. Além dos temas fascinantes, que muitas vezes abordavam teorias de grandes escritores (como, por exemplo, a de que os antigos deuses eram, na verdade, astronautas alienígenas) e previsões debatidas por grandes pensadores (como a ascenção dos computadores em detrimento da utilidade laboral do homem na sociedade), os personagens possuíam (e ainda possuem, por quê não dizer) um carisma e personalidades difíceis de serem superados. Mesmo com a posterior criação de outras séries (mais bem feitas ou com melhores histórias) baseadas na franquia, é praticamente unânime que a popularidade da série original continua imbatível, justamente por causa de seus protagonistas, cuja profundidade de seus papéis marcaram seus respectivos atores para sempre. E não é para menos...

“He’s dead, Jim!”
Dr. Leonard McCoy

O Dr. McCoy (muito bem retratado pelo ator DeForest Kelley) é um médico turrão, sem papas na língua para dar palpites e totalmente emocional. Sua personalidade quase provinciana demorou alguns episódios para engrenar, mas encontrou o seu alicerce no contraponto com Spock. As discussões entre o médico e seu colega de sangue verde renderam verdadeiras pérolas em forma de diálogos, e o nome de Kelley, merecidamente, foi marcado nos créditos iniciais dos episódios a partir da 2ª temporada, ao lado dos já creditados William Shatner e Leonard Nimoy (Kirk e Spock respectivamente). Como médico-chefe e psicólogo da nave, McCoy também serve de âncora para o Capitão, que vê no médico um apoio psicológico em momentos de crise (ou seja, em todos os episódios) e um escudo para argumentar com seu Oficial de Ciências.

“Fascinating.”

Sr. Spock

Como Oficial de Ciências e Sub-Comandante da nave, o Sr. Spock e suas orelhas pontudas dispensam apresentações. Calmo, lógico e virtualmente infalível como qualquer vulcano, Spock e suas análises já salvaram a Enterprise mais vezes do que há para se contar. Sua frieza em momentos críticos e a aparente falta de emoções são os alvos principais do Dr. McCoy, o qual normalmente é replicado com frases como “Doutor, fico profundamente agraciado com o fato de não possuir a mesma fisiologia que você”.

Spock, McCoy e muitos Tribbles.

Embora seja um ser pragmático, Spock também possui um viés emocional ocultado por sua batalha pela conquista da lógica. Como híbrido de um vulcano com uma terráquea, Spock reprime seu lado humano em prol de sua busca por uma identidade inteiramente vulcana. Esta iniciativa possibilita que o oficial execute seu trabalho com extrema eficiência e alto-controle, porém, condena o Sub-Comandante a nadar em um mar de conflitos internos. No episódio Bread and Circuses, McCoy sintetiza o drama de Spock na comovente constatação de que o vulcano não tem medo de morrer, mas sim de viver, pois cada dia é um dia a mais onde Spock pode falhar.

A verve vulcana de Spock só não é maior que sua fidelidade inabalável à seu melhor amigo e comandante, o qual, mesmo em situações ilógicas, aprendeu a respeitar e admirar. Estes extremos de abandono da humanidade e a lealdade incondicional por um humano, raça considerada “inferior” pelos vulcanos, tornam o Sr. Spock um dos personagens mais emblemáticos de todos os tempos.

“...to bolbly go where no man as gone before.”

Capitão James T. Kirk

James Tiberius Kirk é o intrépido capitão da USS Enterprise. Sua pose de galã e atração pelas mulheres lhe renderam algumas críticas e olhos tortos do público logo no início (certamente uma artimanha dos produtores para atrair um público-alvo também feminino), mas essa característica fútil se perde ao se reparar um pouco melhor no personagem extremamente complexo que é Jim Kirk.

Com um grande senso de justiça, altruísmo e bondade, o Capitão Kirk tem a firmeza de um almirante no comando da nave. Embora gentil, não é raro que use de sua autoridade para justificar suas ordens (muitas baseadas em sua vasta experiência, outras em seu feeling) no maior estilo “Isto é uma ordem, Sr. Sulu. Obedeça!”. Esta prerrogativa lhe confere, às vezes, ares de arrogante perante o público mais leigo (aquele que assistiu somente uns dois ou três episódios), mas a grande verdade é que Kirk sempre sabe o que está fazendo, e consegue ser condescendente quando está errado (o que é muito difícil de acontecer). Suas soluções são imbuídas de uma bagagem que mistura (a já citada) experiência, malandragem, estratégia, sorte (um bocado dela), bem como uma porção maquiavélica latente. Ele é bondoso, mas nem sempre é um bom sujeito (isso é literalmente mostrado no episódio The Enemy Within, onde dois Kirks, um bonzinho e um malvado, perambulam pela Enterprise, e chega-se a conclusão de que nenhum dos dois é capaz de, sozinho, comandar a nave).

Kirk malvado (medo).

Além desta característica matreira, o Capitão Kirk também possui um elo quase doentio com seu posto de comando. São poucos os episódios que mostram sua ligação quase matrimonial com a Enterprise, mas os mesmos são tão contundentes que é impossível de ignorar esta faceta de sua personalidade. Para ilustrar o quão obsessiva é a necessidade de Kirk de comandar ESPECIFICAMENTE a Enterprise, basta relembrar o episódio This Side of Paradise, onde toda a tripulação estava sob o efeito de um pólen alienígena e todos haviam sido “intimados” a abandonar a nave e povoar uma colônia. Graças ao trauma de deixar a Enterprise, Kirk se desvencilha do poder do pólen (ao passo que o trauma de Spock era o de ser considerado uma aberração por sua condição de híbrido, o que corrobora seus dramas já citados).

“These are the voyages of StarShip Enterprise...”

O quarto, e talvez o maior personagem da série (pelo menos literalmente), é a USS Enterprise NCC-1701: uma nave com capacidade para 430 tripulantes, possuidora de duas naceles e com capacidade para chegar a Dobra 9. Seu design não muito moderno é baseado em teorias reais de exploração espacial, e pode parecer estranho, num primeiro momento, mas acaba sendo funcional e elegante (afinal, para se viajar mais rápido que a luz, nada mais justo do que motores gigantescos para impulsionar o resto). É engraçado de se ver, no seriado, o afeto que o Eng. Scott possui com a nave e, principalmente, com esses motores. É garantido que este carinho acaba ficando inerente não só nos personagens, mas posteriormente no público que se acostuma a acompanhar a série, concedendo à nave uma personalidade toda própria (mesmo que, na série original, todas as naves estelares da Federação sejam visualmente iguais).

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"Energize!"

Com problemas de toda ordem encontrados pela Enterprise (que variavam de seres onipotentes à doenças desconhecidas, de ameças de guerras intergalácticas à dramas pessoais acionados por algum fator externo, entre outros), a série tinha também o ônus da parca disponibilidade de recursos da produção. Não havia grana para bancar maquetes de várias naves, e os tripulantes tinham que interagir com algo no espaço (ou visitar planetas). As soluções para estas interpéries foram mais do que bem-vindas: para o pouso nos planetas, usou-se o artifício do teletransporte, que rendeu não apenas uma forma eficiente e econômica de mostrar uma abordagem sem precisar de nave, mas protagonizou plots de diversos episódios e constituiu-se numa ferramenta para solução de diversos problemas apresentados aos nossos heróis. As batalhas espaciais então, nem se fala: quando a nave entrava em alerta vermelho, os diretores mostravam apenas a ponte e os tripulantes em seus postos de batalha (sem mostrar qualquer interação externa). Quando a Enterprise era atingida, os atores se limitavam a se jogar para todos os lados num “efeito terremoto”, e quando a nave inimiga era destruída, mostravam apenas uma explosão (meio tosca, é verdade, afinal, era 1966). O fato da Enterprise encontrar somente planetas “Classe M” (nas mesmas condições de atmosfera da Terra) nas suas jornadas também eram excelentes saídas para a verba curta, evitando o gasto com roupas espaciais.

Capitão Pike e Spock em "The Cage" - Episódio-Piloto que nunca foi ao ar.

Quando Roddenberry produziu seu episódio-piloto, os estúdios simplesmente cancelaram o programa antes mesmo de exibí-lo, devido ao “roteiro intrincado e inteligente demais para os padrões televisivos”. Após muita choradeira e uma concessão que era inédita até aquele momento, os estúdios exigiram a produção de outro episódio-piloto, com orçamento ainda mais apertado e trocando toda a tripulação original. Reza a lenda que Gene bateu o pé, fez bico e abriu mão de muita coisa para, pelo menos, manter o Sr. Spock. E assim se fez: saía de cena o Capitão Christopher Pike e entrava o Capitão Kirk e cia...e começava uma história fantástica com ramificações e franquias em TV, cinema, livros, games, roupas e, até mesmo, pratos de porcelana.

Mas é fato que, desde o término da série Enterprise (que retratava os primórdios da exploração espacial humana dentro do universo Star Trek) em 2005, nada mais foi feito para reanimar a franquia nas telas. E fora a minha paixão por este universo, é esta a razão pela qual escrevo hoje esta mini-epopéia sobre a série clássica. Aqueles mesmos personagens apaixonantes, que fascinaram nossos pais e avós, foram reanimados e ganham as telas do cinema mais uma vez. Há uma torcida muito grande por parte dos Trekkies (provavelmente a raça de fãs mais leal de todas as culturas populares) para que este evento reviva o interesse geral por Star Trek. Eu não sou um Trekkie (acho que eu precisaria saber mais do que sei para ser um), mas torço para que J.J. Abrams tenha sucesso, e nos traga algo...fascinante.