quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Abrindo contagem...

Recém chegada de uma "turnê" de duas cidades pelo nordeste brasileiro, uma amiga minha trouxe inúmeros objetos e curiosidades a respeito deste povo de pele curtida, joelhos grandes e cabeça chata (ela jura que, em Alagoas, a peculiaridade cefálica não é pelo tamanho e sim pelo formato, enfim...).

Entre bonecos de barro do Lampião e Maria Bonita ("bonita" apenas no nome, pois são feios de dar dó) e Bois-Bumbá coloridos (estes bem bonitinhos e até ganhei um de presente por ser um bom amigo), uma das informações, que eu desconhecia até então, me chamou bastante a atenção: em Recife, capital de Pernambuco, a criminalidade é tão incontrolável que há um Body Count no centro da cidade, decorando a paisagem. Esta moça, que andou se borrando de medo pelas ruas daquela cidade, comentou que há apenas três lugares NO MUNDO que possuem tal contagem de mortos institucionalizada por ONGs: Recife, Rio de Janeiro e Iraque.

É claro que tudo começou em 2003, quando G. W. Bush invadiu o Iraque e tentou instaurar uma "democracia" no lugar. Um grupo voluntário resolveu fazer a conta de quantos mortos a brincadeira americana ia resultar e criou o Iraq Body Count, que tenta fazer um relato milimétrico (com nomes dos desafortunados, formas de morte, etc...) das vidas perdidas de forma violenta no Iraque. A idéia meio que pegou e não demorou muito para que abrissem a contagem no Rio de Janeiro e, logo depois, em Recife.

Para se ter uma leve noção, A Delegacia de Homicídios de Porto Alegre registrou 525 homicídios na capital gaúcha em 2007. Não achei os números de 2007 para Recife, mas o BC nos dá o número de 3383 assassinatos (de janeiro à outubro de 2008) na capital pernambucana, cuja população atual gira em torno de 1,55 milhões de habitantes (enquanto a de POA é de 1,43 milhões). Só hoje (até este momento no qual digito este texto), 17 pessoas foram mortas de maneira brutal em Recife.

Bem, é complicado tirar algo bom desse caos. É muito triste constatar que, a cada dia, a sociedade anda cada vez mais próxima de uma crise cuja única solução será a derrocada de nossas convicções de certo e errado para proteger as migalhas que estaremos chamando de "segurança".

Usamos números digitais para ilustrar as contagens, mas estamos voltando ao tempo das cavernas.

3 comentários:

Aline C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline C. disse...

Como diria Bóris Casoy: - É uma vergonha!

Kel disse...

Tudo bem que opiniao é que nem fiofó, cada um tem o seu, mas precisava falar tao mal dos nordestinos? Minha família inteira é de lá...até doeu um pouco mas concordo com a Aline (porque ela já se refere ao restante do post): éuma vergonha!
Beijos