sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Zap!

Minha vida voa. Não me perguntem como faço isso sem asas. Só sei que é assim. Desde sempre? Não sei. Lembro de ter sido um moleque meio bobalhão aos 10 anos. Usava um macacão vermelho de Fórmula 1 num calor de 40 graus. Quando pagava este mico, o tempo parecia não andar. Digo o mesmo em relação ao tempo que levava para almoçar. Ficava doido para sair de casa e brincar, mas aquele pratão de comida não terminava nunca. Era uma chuleta de 3 quilos, uma montanha de arroz e feijão e uma plantação de batatas (fritas). Tinha salada, mas ignorava os atrativos de uma folha de alface ou um tomate naquela época. Comida saudável? Não sei. Defina saudável. Dizem que Hitler era vegetariano, e olha o naipe daquele bigodinho. Não tenho certeza se minha mãe sabe soletrar "Light", mas garanto que dou graças a Deus por isso.

Zap!

As aulas começaram nesta semana. Me pergunta se fui em alguma e depois me conte uma piada de português. Está cada vez mais difícil de conciliar um trampo noite adentro com o resto do dia. Tenho sorte de ser a primeira semana de aula. Ainda tenho um fim de semana para ponderar e me preparar psicologicamente para encarar as aulas matutinas de Empreendedorismo e Sucessão. Já imagino meus novos coleguinhas: Patricinhas de seios anabolizados e cabeças ocas e Mauricinhos jovens demais para se barbearem. Todos esperando seus velhos baterem as botas para colocar as mãos sem calos no patrimônio da Família. Tá certo que estou pintando o quadro da dor aqui sem nem ter ido à aula ainda, mas as vezes me pergunto "como diabos entrei nesta fria?" Bolsista, claro. É a história do cavalo dado. Se o governo te paga os estudos, onde se enfia o direito a reclamar, certo?

Zap!

Uma folha de papel em branco e caneta. Quando se é piá, se odeia lápis para desenhar. Imagino que seja assim com todos. Se não é, fica sendo. Diziam que eu tinha o dom. Alguns dizem que tenho até hoje. Minha professora da segunda série ainda tem um desenho do Jaspion que fiz pra ela emoldurado numa estante. A mulher já deve ter passado por uns três casamentos. Nem quero pensar em quantas vezes teve seu coração partido. Mas continua com o desenho lá. Meio torto. Meio tosco. Cabeça desproporcional. Não tinha noção de escala aos 7 anos. Não sou os meus filhos.

Zap!

Capturando um programa para o canal da Net no qual trabalho. Cadê a porra do foco? Ele vai e vem e penso que eu estou bêbado. Depois me dou conta de que é o cameraman quem devia estar. O tal programa é a encarnação do mal e eu aqui, prontinho para colocá-lo no ar porque sou pago pra isso. O que acho do meu trabalho? Bacana. Aprendo direitinho como não se deve fazer televisão e tenho tempo para escrever merda quando estou entediado. Como a programação na TV é sempre empolgante, "entediado" vira o meu nome do meio. Apesar dos reveses, gosto muito do meu trabalho, ao contrário do meu melhor amigo que me solta a seguinte pérola:

"Se está sem grana no dia 7, devia mudar de emprego."

Senso de realidade é tudo nesta vida, certo?

Zap!

Minha vida voa e os super-heróis que inventava quando era guri também. Lembro do Elektrun, um cabra estiloso que se vestia igual ao Bobba Fett e não tinha nada a ver com eletricidade. Ou o Snail, uma porra de um caracol gigante (?) que era a minha versão do Hulk. Acho que foi a primeira experiência, minha e de meus amigos na época, com a máxima "nada se cria". Nossos heróis eram cópias deslavadas de famosos personagens da cultura pop. Só que tínhamos a nuance de vestí-los mal e nomeá-los com os nomes mais deprimentes. Um (ex) amigo meu tinha um herói chamado Mente Mental. Lembro que era uma mistura de Spock com Brainiac e sua roupa era rosa. Sem comentários. Por que lembrei disso logo agora?

Zap!

Encontro um velho ator conhecido na rua e ele me pergunta quando vamos filmar de novo. Digo-lhe que a Arquivo Morto tem alguns projetos engatilhados e ele responde "Ainda sem cachê, né?" Fico com aquela cara de dois de paus, mas mantenho-me firme. Não estamos, ainda, mamando nas tetas do governo com as LICs. O curta Os Batedores está sendo finalizado, mas o processo está lento. Pós-Produção. Um saco, principalmente, porque não posso fazer nada para acelerar o treco. Como diria o Visconde de Valmont: "Está fora do meu controle."

Zap!

Aos 15 anos eu já não era mais um completo imbecil. As duas únicas coisas que me comprometiam era o hábito de fazer coreografias de lutas com bonecos Comandos em Ação (escondido, claro) e me reunir com a galera do bairro para "jogar" esconde-esconde. Fazia 2 anos que o pessoal brincava disso. Neste contexto, já era uma idiotice propagada, então não posso me condenar sozinho. O lado bom é que usávamos de artimanhas vilanescas para chegar na barra. Valia disfarce, escalada, ilusionismo e até violência para não ser pego. Foram bons tempos. Mas aos poucos foram substituídos pelas reuniões dançantes, trabalhos de office-boy e hecatombes envolvendo minha madrasta. Nesta época eu já estudava à noite e só ia pra aula em busca de confusão. Normalmente envolviam bebidas (os donos de bar do bairro adoravam vender bebidas alcoólicas para adolescentes), mulheres (na verdade meninas), assinaturas falsas e algumas (na verdade várias) ameaças de morte. Recebi informes de que o último que prometeu me abotoar virou evangélico e ainda sente arrepios quando escuta meu nome. Poxa, eu sou um sujeito tão legal...

Zap!

Estava eu no MSN quando Edinei Pedroso resolve me adicionar e falar comigo. Tenho certeza de que Paulo Ramos tem aos montes por aí, mas Ednei Pedroso??? A primeira coisa que ele disse foi "E aí, Xará." Levei um susto. Achei que fosse um virus, mas depois resolveu-se o impasse. Havia eu recebido um mail confirmando uma entrevista para este sábado, só que eu não tinha entrevista nenhuma marcada. Retornei educadamente dizendo que ela devia ter confundido meu e-mail com o de Edinei Pedroso, um mestre de Muai-tai do Paraná. Bingo. Ela localizou o sujeito e ele, curioso, me adicionou no MSN. Conversamos um pouco. Falei sobre minha neura com esse nome pavoroso (não gosto de Édnei, acho que meu pai e minha mãe estavam com raiva da humanidade quando me aplicaram esta sacanagem) e ele retrucou dizendo que tem muito orgulho deste nome. Como não é muito saudável contrariar um mestre de arte marcial, desconversei. Fiquei de visitar sua academia se um dia eu aparecer em Curitiba. Bom sujeito.

Nota 1: O meu primeiro nome não tem o "i" depois do "d" e tem acento no primeiro "e";

Nota 2: Há um terceiro Ednei Pedroso zanzando por aí. Trata-se de um peão de boiadeiro de Barretos.

Zap!

A vida ainda não voava quando...

Zap!

Agora ela voa...

Zap! Zap! Zap!

Zap! Zap!

Zap!

...e está fora do meu controle.

2 comentários:

Kel disse...

Mas o que é isso? Nao consigo imaginar o meu rei sem o controle dessas situaçoes. Se te consola, eu tb paguei por dois meses de curso e se juntar todos os dias que comparei e der 30 dias eu pulo de alegria. É difícil mesmo conciliar tantas coisas e ainda levantar cedo qdo se odeia isso desde criança. Mas dos males, o menor deles. Vida que segue. Vida que corre, vida que voa. Agora vc só precisa voar tb.
Beijos!

Anônimo disse...

Gostei da parte da parte do sem gana dia 07.

Ei, manera no que escreve aí sobre coçar as bolas no trabalho. Alguém da Ass... pode ler. Vide meu triste caso.