segunda-feira, 19 de abril de 2010

Matem Todos!

Para quem acompanha, é impossível não estremecer só de ler o título do Season Finale de Spartacus: Blood and Sand, a mais nova série produzida por Sam Raimi e Robert Tapert (responsáveis pelas séries Hércules, Xena – A Princesa Guerreira, entre outras), que resolveram sair dos contos de fadas para contar uma história de gente grande, regada a conspirações, sexo e extrema violência (como toda boa história sobre o Império Romano deve ser).

É a história de Spartacus (Andy Whitfield), o soldado trácio que, após desertar do exército romano, acaba preso e tem sua esposa arrancada de seus braços ao ser vendida como escrava para um viajante sírio. Condenado a morte na arena de Cápua pelas mãos de quatro gladiadores em um mero entretenimento, o trácio resolve contrariar as expectativas e eviscerar seus agressores, chamando a atenção de Quintus Lentulus Batiatus (John Hannah), um ardiloso lanista que vê em Spartacus uma possibilidade de ganhar algum dinheiro e salvar o seu ludus (escola de gladiadores), que está a beira da falência.

Embora tudo que disse até aqui pareça interessante e aconteça já no primeiro episódio da série, há de se admitir que o programa teve uma estréia morna, de direção e narração quase apáticas, onde a estética do seriado (que se apoia no filme 300 e faz excelente uso deste artifício, algo que explicarei mais adiante), naquele primeiro momento, não possuía razão de existir. Os roteiros de Steven S. DeKnight (o criador da série) para os primeiros dois episódios foram tão incertos que a crítica se dividiu entre os que consideravam Spartacus: Blood and Sand uma insossa salada digital com muitos palavrões sem propósito e putaria gratuita (era o Império Romano, pelamordedeus), e os que acreditavam que o programa tinha potencial e que os produtores sabiam o que estavam fazendo (meio que “guardando o ouro” para contar uma história coesa, sem atropelos).

Acertei ao estar no segundo grupo, pois do 4º episódio em diante os roteiristas (Miranda Kwon e Brent Fletcher, guardem esses nomes) ligaram o “foda-se” e entregaram tramas absurdamente espetaculares, não poupando esforços (nem a vida de personagens importantes) para engendrar um crescente de expectativa (não há um único episódio depois de The Thing in the Pit que não tenha um game changer genial ou um cliffhanger de gelar a espinha) que culminaria com o apoteótico, fora de escala, arrebatador e fodástico Kill Them All, o 13º (e último) episódio da 1º temporada de Spartacus: Blood and Sand, que foi ao ar nos States na sexta-feira passada.

Além dos roteiros bárbaros, é nítida a evolução do casting de diretores, que começaram a ousar e a apresentar combates de arena realmente adrenalíticos (algo que faltou na calmaria da direção de Rick Jacobson nos episódios iniciais). O uso do recurso fotográfico de 300 finalmente atingiu sua finalidade ao mostrar a brutalidade exacerbada da arena de forma um pouco mais amena, menos visceral, evitando assim uma queda ao gore (apenas Spielberg consegue mostrar – com maquiagem – tripas saindo de alguém sem parecer trash, e o diretor de E.T. não está na série), e que as motivações dos personagens se perdessem num banho de catchup, mas sem deixar os duelos menos eletrizantes.

Houve uma melhora estrondosa também nas atuações: até atores inicialmente mais inexpressivos como Manu Bennett (Crixus, o gaulês), Peter Mensah (Doctore), ou mesmo o protagonista Whitfield, conseguem libertar-se das amarras da truculência e entregar atuações comoventes (e convincentes). Lucy Lawless (a eterna Xena, desta vez ruiva) como Lucretia – a esposa do lanista – está mais venenosa do que nunca, e até o arroz John Hannah (que era o alívio-cômico-zero-à-esquerda-pé-no-saco-e-irmão de Rachel Weisz em A Múmia) consegue passar a ambição e arrogância romanas de Batiatus com competência.

A redenção chegou também para DeKnight (o responsável por muitos infelizes abandonarem o jogo nos primeiros minutos do primeiro tempo) que, curiosamente, assina o roteiro deste último episódio, se redimindo de um início de série inerte com um Season Finale que te deixa ansioso(a) através de flashbacks e pistas intrincadas que te levam a questionar qualquer certeza que seu conhecimento de história romana possa sinalizar, te deixando atordoado na poltrona por quase meia hora, até que alguém grita “Kill Them All!” e você não acredita no que vê.

(Spartacus: Blood and Sand foi renovada para uma 2ª temporada antes mesmo do início desta primeira, porém, não há uma previsão de estréia, já que o ator Andy Whitfield descobriu-se acometido de um linfoma, e segue em tratamento. O S666P estima melhoras.)

7 comentários:

sapao318 disse...

Eu vou me gladiar a mim mesmo se não ver os episódios dessa série duma vez, hehe!! mas é eu me deitar na rede e dar play, que algo/alguém me chama...é incrivelmeu azar, hehe!!

Muito bom post édnei...com certeza vai fazer mais gente querer ver essa série!

abração!!

Édnei Pedroso disse...

Hehehehehe, o que é bom a gente repercute. Mas sério mesmo: o final é foda demais. DEMAIS!=O

Abração.

Edu disse...

Tu já tinhas me falado desta série e estou querendo dar uma olhada. Mas, antes, tenho várias outras para por em dia...
Quanto à segunda temporada, não quero ser pessimista mas ou trocam de ator ou não decola. O problema é sério, sei de experiencia própria...
Boa sorte para o ator e para a série, eles vão precisar.

Aparício Neto disse...

Excelente review, concordo completamente com tudo o que está escrito. Os caras fizeram chover nesse Season Finale, o melhor que já assisti!
Grande abraço;

Édnei Pedroso disse...

Valeu, Aparício. Fiquemos agora na torcida de que a série continue.

Abração.

NAV disse...

SPARTACUS é o seriado definitivo!
O melhor, disparado...e aguardo a segunda temporada ansiosamente...otimo post!
Melhoras, Andy, para que possa degolar todos pro nosso deleite!

Édnei Pedroso disse...

Valeu a visita, Nav. Seguimos na torcida para a continuação desta grande série.

Abração.